O ponto de vista do Peter

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Quando perguntei para Steve sobre a educação de Peter ele me disse que o garoto era um dos alunos mais bonzinhos que ele já vira. O que não foi o meu caso, ele parece me enfrentar todas as vezes que nós nos encontramos, sempre tem uma reposta na ponta da língua e por mais que ele saiba que seu emprego está em jogo, ele não perde a oportunidade.

Ontem pedi para Bruce mandar ele para o meu laboratório e aqui estou eu esperando ele dias horas antes do combinado, eu estou nervoso por conta de um simples garoto do Queens? Deus, isso não faz o meu tipo.

Arrumo pela décima vez os materiais que separei para uma aula rápida de robótica, até que ouço a porta abrir e fechar.

— Você chegou! Pelo que vejo é pontual, deixe sua mochila no sofá e venha aqui! — Disse sem olhar para ele.

Ouço o barulho dos seus sapatos e sua mochila sendo praticamente arremessada até o sofá, parece que as provocações começaram. Tento não revirar os olhos para ele, mas sua atitude era de um garoto de dez anos de idade.

— Steve me contou sobre suas aulas e sobre sua inteligência. Quero que você estude esse projeto e me diga o que está errado, se puder quero que arrume ele! — Me sentei na minha cadeira e observei ele analisar o projeto de um dos meus empregados.

Conforme o tempo foi passando fiquei com raiva de mim por não conseguir puxar assunto com ele, eu quero que ele de risadas assim como fez com Bruce, seguro a caneta que um dia foi de meu pai e encaro o garoto.

— Você parecia estar bem mais feliz com Bruce, posso saber qual foi a piada que ele contou?

Ele esperou um tempo até pensar se iria responder ou não, quando estava desistindo de uma aproximação ele falou:

— Eu realmente estava mais feliz com ele!

Isso já era algo que eu estava esperando, mas o que me irritou foi saber que ele não quis levantar o olhar para dizer isso. Encaro o papel em cima da minha mesa e então me levanto.

— Pare de trabalhar e olhe para mim! — Minha voz saiu mais grave que o normal, acho que nunca estive tão furioso com um de meus funcionários.

Ele pareceu perceber a raiva em meu tom de voz e então levantou o olhar em minha direção, sua respiração está ofegante e ele parecia estar com medo.

— Eu estou olhando, o que você quer? — Peter ainda não perdeu sua coragem.

— Eu quero que você pare de agir como se eu estivesse te obrigando a ficar aqui! — Disse tentando manter a calma que no momento estava acabando. — Se não quiser ficar aqui é só pedir para sair!

Ele parecia um pouco surpreso com a minha atitude, talvez tenha percebido o quão criança ele está sendo.

— Eu não estou agindo dessa forma! — Ele retrucou mantendo seu olhar no meu.

— Não? Você está deixando claro que não gosta da minha presença, eu pesquisei sobre, perguntei para seu professor e todos me garantiram como você era ótimo e educado. — Passo a mão no rosto e tiro o óculos. — Mas pelo que vejo você não é tudo isso, eu só quero entender o que eu fiz para você, eu te dei um emprego, você não tem noção de quantas pessoas querem seu lugar.

O garoto pareceu estar pensando sobre suas atitudes, ele está aqui a apenas dois dias e já me causou tanta raiva.

— Nessa sua pesquisa também fala o quanto eu não gosto do senhor? — Ele disse se levantando.

Ele não gostava de mim? Eu sabia que tinha inimigos, mas sempre teve um motivo para isso. Eu nunca vi esse garoto, pelo menos não antes da sua visita a empresa.

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