Capítulo Vinte e Dois;

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Jimin se afastou minimamente da mais velha, depositou um beijo cálido em sua testa.

— Tenho que ver o que aconteceu. — sussurrou, e saiu correndo.

O ruivo estava meio confuso, tudo estava indo muito bem, estava maravilhoso, mesmo com os erros e a falta de algumas notas, Yoongi estava demonstrando tanto avanço.

— Yoongi… — bateu na porta. — Yoongi? — chamou mais uma vez.

O medo estava se instalando em seu coração, e a culpa estava começando a lhe afligir.

— Eu...não quero deixar ele ir. — a voz do ex-pianista ecoou pelo quarto. — Eu não posso. Não posso esquecer ele.

Jimin ficou um tempinho em silêncio, analisou a situação e não precisou de muito para entender que Min ficou assim por causa das lembranças que ainda lhe torturam.

— Você não precisa esquecê-lo. — sentou-se e encostou-se na parede, bem próximo da porta. — Não é assim que funciona, Yoonnie.

Park respirou fundo e fechou os olhos e deixou-se levar pelos próprios sentimentos e conhecimentos.

— Sabe...quando pessoas que são muito especiais para nós...nos deixam para trás. — suspirou. — Devemos soltar a mão delas.

— Dói. — Yoongi respondeu. — Dói...porque eu não pude fazer nada. — sua voz estava embargada. — Não pude me despedir dele...eu não pude vê-lo uma última vez.

“Talvez tivesse sido mais fácil...se ele tivesse o visto, tivesse se despedido” Jimin pensou.

— Eu sei. E foi cruel o que fizeram com você, Yoongi, foi muito cruel. — afirmou. — Mas já está na hora de deixá-lo ir, tenho certeza que em uma próxima vida...vocês poderão se amar.

Seria extremamente difícil colocar aquilo na cabeça do Yoon, explicar para ele a diferença entre deixá-lo ir e apagar.

— Eu perdi uma pessoa que eu amava muito, muito mesmo. E que me ensinou bastante. — Jimin comentou. — E por um tempo, eu não queria deixar ela ir...porque ela era meu tudo.

— E o que você fez? Você teve coragem de apagá-la?

— Não. Eu não apaguei, eu apenas deixei ela ir, e guardei em meu coração todas as lembranças maravilhosas que tínhamos juntos. — sorriu, e fechou os olhos. — Minha avó.

Ao escutar aquilo, Min cessou o choro por um momento, ele havia perdido seu avô materno a muito tempo, lembrou-se de como foi difícil, pois, ele era como um pai.

— Eu perdi o meu avô, quando eu tinha 10 anos. — Yoongi falou baixinho.

— E você o esqueceu? — Jimin perguntou, já tendo a certeza da resposta.

— Não...eu me lembro que íamos pescar, e que sempre levávamos uma foto do meu pai...assim sentíamos que ele estava ali.

Park suspirou aliviado e confirmou minimamente, mesmo que o mais velho não estivesse vendo-o.

— O seu avô está vivo, assim como o seu pai...só que em seu coração.

Min levantou-se do chão e caminhou até a porta, abriu-na e sentou-se ao lado de Jimin.

— Sua avó…

— Ela cuidava de mim, meus pais trabalhavam muito...e ela cuidava de mim. — Jimin disse com um sorriso largo no rosto. — Eu tenho uma receita, que ela me ensinou pessoalmente, e eu nunca dei a receita para ninguém… — riu baixinho. — Minha mãe pede...mas eu não passo.

Yoongi acabou sorrindo baixinho também, era divertido escutar aquilo.

— Hoseok não cozinhava bem. — disse. — Fui eu que ensinei algumas receitas pra ele. 

— Yoon. — pegou sua mão. — Me escuta, huh?

— Tá bom. — sussurrou.

— Você entende que não precisa esquecer o Hoseok? — perguntou, agora olhando-o.

— É difícil, Jimin. — respondeu. — Deixar para trás.

Park respirou fundo e confirmou, ele realmente sabia o quanto aquilo era difícil, e talvez até entendesse o porque de Yoongi não querer que aquelas feridas se curassem.

— Sei que é difícil, mas não é impossível...Yoongi, confia em mim. — ditou simples. — Tudo ficaria muito melhor se você deixá-se ele ir, como eu disse antes, você não precisa esquecê-lo. 

O moreno não disse nada, apenas abraçou o mais novo, e ficou assim por algum tempo.

[•••]

09:38 a.m.

Já estava quase na hora de Jeon Jungkook chegar, isso estava deixando Jimin extremamente ansioso. É isso não passou despercebido para Yoongi, que estava sentindo um misto de sentimentos estranhos por isso.

— Hyung. — Tae se aproximou, e depositou um beijo na testa de seu irmão. — O que foi? — perguntou ao notar um biquinho nos lábios do moreno.

— O Jimin...ele mal falou comigo. — sussurrou chateado. — Só fala do Jungkook.

Taehyung arqueou a sobrancelha, franzindo o cenho em seguida, ele já tinha visto o irmão assim, entretanto, isso foi a mais de 10 anos. 

— Jungkook? — indagou baixinho. — Por que?

— Porque...bom...eu não posso dizer, é coisa pessoa dele. — sussurrou. — Mas ele não precisa ficar apenas falando e pensando nele. 

— Bobo. — riu. 

Kim sentou-se ao lado do irmão mais velho, respirou fundo, e olhou para a mesma direção em que Min olhava, vendo Jimin no jardim, de certa forma, bem animado.

— Yoon-hyung, se eu te fazer uma pergunta, me responde com sinceridade? — Tae perguntou baixinho.

— Respondo. — falou, ainda fitando o ruivo.

— O que sente...quando ver ou quando estar perto do Jimin?

Yoongi arregalou os olhos e virou-se no mesmo instante, encarando o mais novo.

— Eu...eu não sei. — sussurrou. — É estranho, meu coração bate de uma forma estranha. — falou corado. — Estou confuso.

“Estou com tanto medo de que seu amor não seja correspondido!” Kim pensou.

— Hyung, se você quer dar um passo a mais na vida...você sabe o que precisa fazer, não é mesmo?

— Sim. — confessou baixinho.

Não demorou muito para que o carro de Jeon parasse em frente a mansão de Yoongi, em seguida o mesmo desceu do carro.

— Sr. Jeon, seja bem vindo. — Jimin saudou.

— Ah, olá. — sorriu.

— Podemos conversar? — indagou baixinho, e um tanto envergonhado.

Jeon olhou sem entender, entretanto, ele confirmou rapidamente.

— Sim, podemos.

— Me siga, por favor. — Park falou, e siguiu na frente.

O Pianista (YoonMin)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora