Jimin continuou a massagem de um jeito carinhoso, não queria machucar ainda mais as mãos alheias. Já Yoongi estava perdido em pensamentos, tentando descobrir onde havia escutado aquele “poema”, se é que podia ser chamado de poema.
— Jimin? — Yoongi chamou baixinho, ainda encarando as mãos do outro unido nas suas. — Posso te fazer uma pergunta?
— Hum, sinto que vou acabar chorando. — suspira. — Fala, qual sua curiosidade!?
— O que aconteceu? Por que alguém te salvou? — indagou baixinho sem coragem para focar seus olhos nós dois mais novo.
— É...uma história curta, triste e complicada. — suspirou. — Por que quer saber disso, sr. Min?
— Eu não sei. — cochichou envergonhado. — Senti que eu deveria te perguntar, pra conhecer você um pouco.
— Certo, se você confia em mim. — sorri. — Vou confiar em você. — pegou a outra mão do mais velho, e fez o mesmo processo. — Quando eu fiz 15 anos eu me assumi gay, eu não acredito em barreiras para o amor, no entanto, eu nunca senti atração por garotas. — fez um biquinho, que Yoongi não viu. — Meus pais me apoiaram, felizmente eu pude realmente contar com eles.
— E então? — perguntou ainda baixinho.
— Eles me disseram que seria difícil, que eu deveria ter mais cuidado… Eles me instruíram tanto, só que eu nunca entendia; Por que eu não podia ser “descuidado”? Por que eu não deveria me “expor”? — falou já com os olhos marejados. — E por não entender isso… Eu vivia feliz, normal, não me escondia. Era eu mesmo.
— Isso não é errado! — Min quase gritou, agora encarando o ruivo. — Você ser você mesmo, isso não é errado.
— Eu sei. — sorri mínimo. — Mas outras pessoas não sabem. — as lágrimas começaram a cair. — Minha mãe trabalha em um hospital, e quase nunca ficava em casa, porém, sempre demonstrou seu amor e carinho pela família. — mordeu o lábio inferior. — Uma noite, eu e meu pai queríamos fazer um jantar legal pra ela, pois, ela estava triste por ter perdido um paciente. — soluçou baixinho. — Meu pai pediu para que eu fosse comprar umas coisinhas.
O ruivo respondeu fundo, sem conseguir prosseguir sua fala, soltou a mão de Yoongi e cobriu sua própria face. Aquilo era uma lembrança dolorosa, que por mais que tentasse não conseguia apagar.
— Eu fui tranquilo, com fones de ouvido, cantando uma música aleatória bem baixinho. — sorriu entre as lágrimas. — Às vezes dançando… Um grupo de garotos me parou na rua, diziam que queriam uma informação. — tentou limpar as lágrimas que enfeitavam seu rostinho. — E eu realmente acreditei… Eles no início começaram a conversar normalmente, até que um deles disse que já tinha me visto dançar. — respirou fundo. — E logo falou que me conhecia, eu não entendi mais nada, eles apenas me arrastaram para um beco. — por mais que tentasse, as lágrimas não paravam. — Me bateram muito, eles...ficavam gritando coisas horríveis; “O mundo seria melhor sem coisas como você!”, “Deveria ter vergonha”, “Viadinho de merda”. Os socos e chutes não pararam, por nenhum segundo.
Min olhava espantado, era impossível imaginar que alguém tão alegre e cheio de vida, teria passado por algo tão traumático.
— Jimin, me desculpa eu…
— Eles não fizeram nada mais...porque alguém chegou, e eles correram. — voltou a limpar as lágrimas e suspirar. — Eu não disse nada para a pessoa, apenas comecei a andar sem rumo, no entanto, todas as coisas que eles me falaram ficava rondando minha cabeça. E eu fui para a ponte, subi no peitoril, coloquei o fone de ouvido e coloquei no aleatório. — Yoongi continuou olhando seriamente para Jimin. — Foi quando a música tocou, era apenas o suave toque de um piano, mas salvou a minha vida.
Sem saber o que fazer exatamente, o mais velho ali apenas puxou o baixinho para um abraço, deixando que ele chorasse, ele não passou por tanta dificuldade quando descobriu sobre sua sexualidade, porém, entende o quanto deve ter sido difícil.
— Você foi muito forte. — Yoongi sussurrou.
“Mais forte do que qualquer um que eu já tenha visto!” Min pensou enquanto fazia carinho nos cabelos ruivos do outro.
Antes não entendia como o rapaz havia se apaixonado assim, do nada, mas agora entende todo esse amor, porque querendo ou não, foi assim com ele e Hoseok.
— Você não precisa ter medo do mundo, Yoongi. — Jimin sussurrou entre o abraço. — Às vezes a vida bate, bate com bastante força, apenas para testar o quão forte você é. — se afastou minimamente. — Não deixe que os momentos ruins que aconteceram, tome conta da sua vida.
O moreno riu minimamente, não entendia como era possível o mais novo ter algo para falar, quando era ele quem deveria ouvir um pouco.
— A massagem acabou? — Yoongi indagou baixinho, apenas para quebrar aquele clima tenso.
— Sim, mas antes de você dormir eu farei novamente, rapazinho. — resmungou. — Você vai ficar bem sozinho? — Park completou com uma pergunta.
— Como? — Min perguntou rápido. — Por que sozinho?
— Hoje minha mãe estará de folga durante todo o dia. — fez um biquinho. — Então vou passar o dia com eles, e voltarei a noite, a tempo de ir ao jantar.
— Não! — o moreno falou categórico. — Você não pode ir.
Park fitou o mais velho e suspirou, sabia muito bem que não deveria fazer isso, no entanto, agora era o melhor a ser feito.
— Quer ir comigo? Minha casa é sim…
— Sim! — respondeu sem nem deixar o outro terminar. — Vou com você.
— Certo, Sr. Min, então você vai comigo. — falou baixinho se levantando.
“Eu não posso te mimar como o Jung fez, tenho que ser mais duro. No entanto, por algum motivo, não estou conseguindo agir da forma que devia, com relação a isso” Jimin pensou um tanto assustado enquanto observava o mais velho se afastar, indo em direção as escadas.
13:30 p.m.
Antes Jimin pensou que seria uma péssima ideia levar Yoongi com ele, porém, toda essa opinião se perdeu quando ele notou os olhinhos do mais velho, com um brilho curioso, olhando cada detalhe das ruas por onde passavam.
“Em 10 anos, tudo deve estar bem diferente aos seus olhos” Park pensou encarando Min.
— É aqui, senhor. — tirou um dinheiro da carteira e pagou o motorista. — Obrigado. — desceu do carro e esperou o moreno. — Não liguei muito para as piadas sem graça da minha mãe. — resmungou baixinho.
— Hum? — Yoongi murmurou meio perdido.
— Em toda família tem um pai que conta umas piadas sem graça, na minha família, foi minha mãe que se encarregou de contar piadas sem graça. — falou rindo baixinho.
Min começou a admirar a casinha, era bem simples, mas parecia aconchegante. Havia um pequeno jardim na frente da casa, com rosas vermelhas, a corda das paredes eram um estilo de verdinho, era tão linda, as telhas em cor marrom bem escuro.
— Sua casa é bonita. — elogiou esperando o rapaz entrar, para só então entrar.
— Papai! — Jimin gritou e praticamente pulou nos braços do mais velho. — Esse é meu chefe. — apontou para Yoongi.
— O-Olá, sr. Park. — falou nervoso e se curvou.
— Oh. Seja bem vindo, rapaz. — puxou Yoongi para um abraço, como se ele fosse alguém da família. — Minha esposa já está terminando o almoço, não se preocupa. — bagunçou os cabelos do moreno.
“Por que ele age assim? Como se me conhecesse, e gostasse de mim” Min pensou fitando o mais velho.
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O Pianista (YoonMin)
FanfictionMin Yoongi era um pianista brilhante, cheio de vida, o mais talentoso que já se formou na faculdade de arte musical. Seu nome sempre era citado como um exemplo nas aulas de piano. Tal talento não passou despercebido, pois, o jovem logo se tornou um...
