Capítulo seis; Casais, ou quase isso

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- Nossa, vocês viram aquela cantora? - Amitty olhava para o celular com uma feição meio nojentinha.

- Qual? Trabalho com nomes. - Ashido disse, após uma semana, estava conseguindo se enturmar melhor com a garota, ela não parecia ser tão má assim.

- Aquela lá, o traveco. - A morena riu. - Ele nunca vai ser como nós, mulheres de verdade. - Ela ria escandalosamente.

Mina sentiu o peito pesar e os olhos encherem de lágrimas. A rosada desferiu um tapa no rosto da outra garota e riu anasalada.

- Mulheres de verdade?!? Isso foi sério? - Ela disse raivosa.

- Por que está tão irritada assim?!? Eu nem falei nada! - Amitty rebateu, pondo a mão onde havia levado o tapa.

- Eu sou uma mulher trans. Bato no peito e falo isso com um puta orgulho! - Os olhos da garota se enchiam cada vez mais de lágrimas ao ver o olhar de nojo das outras meninas que estavam no banheiro. - E quer saber outra? Eu tenho um pau sim, meus peitos são de silicone sim, eu tomei tratamento hormonal por mais de cinco anos sim. E eu continuo sendo uma mulher, gostosa pra caralho por sinal. - Ashido limpou as lágrimas levemente para não borrar a maquiagem.

- Eu tenho nojo! Nojo de ter que dividir um banheiro com você! Você é um verme, deveria usar o banheiro masculino! - Uma garota disse, pegando um batom e jogando na rosada.

Mina apenas pegou sua bolsa de carteiro e virou as costas, saindo do banheiro.

[ . . . ]

- Amor? - Sero disse entrando no apartamento da garota. Ela morava com a avó pois os pais haviam a expulsado de casa quando a mesma se assumiu trans e pansexual.

Ashido estava encolhida no canto do sofá, ela abraçava suas pernas e limpava a maquiagem borrada. Hanta ficou sem chão ao vê-la daquele jeito.

- Minmin! - Ele correu até ela. - O que aconteceu, bebê? Hum? - Abraçou a namorada confortavelmente, afagando os cachos cor-de-rosa de Mina.

- Você... Acha que eu sou uma mulher de verdade...? - Ela disse insegura apertando a camisa do namorado.

- O que? Claro que sim! Por que está pensando nisso, bebê? - Sero deixou alguns beijos no rosto da garota.

- Fala a verdade, Han... - Ashido estava vulnerável.

- Óbvio, estou falando. Você é um mulherão! Você é linda, perfeita, sexy, gostosa... Eu nem tenho tantos adjetivos no meu vocabulário pra te descrever! Min, você sempre vai ser uma mulher, não se compare a essas vadias de revista porno, é tudo falso, muito Photoshop. - O garoto aconchegou a namorada.

- Sero, meus peitos são de silicone. - Ela riu e o namorado a acompanhou.

- Ah, foda-se, se eu pudesse também colocaria, já viu minha bundinha de grilo? - Hanta riu levantando e dando uma voltinha, arrancando mais risadas da garota.

- Minha bunda é natural. - Ashido soltou um beijinho no ar e levantou abraçando o namorado.

- Você é malvada, não gostei. - Sero abraçou a cintura dela, a enchendo de beijos.

As vezes eles eram assim, se tratavam mais como melhores amigos do que como namorados, isso era simplesmente adorável.

[ . . . ]

Izuku e Shoto andavam pelo shopping calmamente.

- Quer ver um filme? - O bicolor disse para o esverdeado.

Shoto mantinha em segredo, mas sempre fora apaixonado pelo CDF da sala, Izuku Midoriya. Simplesmente ele tinha as terceiras melhores notas, sendo apenas deixado para trás por Momo e Bakugo.

Não que o Todoroki fosse um aluno ruim, longe disso, também possuía ótimas notas, mas, infelizmente, era conhecido por ser o aluno esquisito, calado e que atraia a atenção das garotas por seus olhos e cabelos, ambos bicolores, e sua cicatriz enorme em um dos olhos.

- Não dá, Sho-chan. Tenho que voltar antes de escurecer, preciso estudar uns assuntos que eu tô' meio ruim. - O garoto disse com um sorriso meigo. - Deixa pra' próxima, ou se quiser, pode ir lá em casa estudar comigo.

- Se não for incomodar... - O garoto mais alto disse, logo tendo sua mão puxada junto a si.

Eles chegaram na casa de Izuku após alguns minutos, indo diretamente para o quarto dele já que Inko, a mãe do mais baixo, estava trabalhando naquele horário.

[ . . . ]

- E aí, a gente terminou! - O garoto disse tirando os óculos de descanso. Ele riu baixo ao ver Shoto encarando seus lábios com uma feição perdida e hipnotizada. - Sho-chan? - Midoriya riu.

- Midoriya... Você... Gosta de garotos? - Perguntou deitando a cabeça na mesinha.

- Todoroki-kun, a bandeira bissexual não tá' em cima da minha cama de enfeite. - Ele riu e o meio-a-meio corou muito envergonhado, não havia reparado naquele detalhe.

- A-Ah...sim... Desculpe. - Coçou a nuca tímido.

- E você, gosta de garotos? - Izuku apoiou cabeça nas palmas das mãos.

- Eu sou gay, Midoriya. - Sorriu de canto. - Não que muitas pessoas saibam. - Desviou o olhar.

- Não precisa ter vergonha, Todoroki-kun. - O esverdeado sorriu, dando um beijo na bochecha de Shoto.

Aquele garoto tinha cara de santo, mas era só a cara mesmo.

[ . . . ]

- Ura, eu já te disse, ele é muito fofo! - O garoto disse fazendo tranças no cabelo de Asui.

- Midoriya, a gente já te falou que você precisa se declarar pra ele, chega de cu doce! - Uraraka respondeu rindo.

- Verdade, Mid. - Tsuyu riu.

- É normal eu querer dar pra ele e ao mesmo tempo querer que ele sente em mim? - Izuku choramingou.

- Super. - O casal disse gargalhando.

[ . . . ]

Katsuki tocou a campainha do apartamento de Eijiro.

- Kats! -O ruivo disse pegando a mão do namorado, o puxando para dentro.

[ . .  . ]
- O que eu disse sobre se meter em briga?!? - Ele limpava os machucados do loiro.

- Que eu não devia fazer isso... - Resmungou.

- E o que você fez? - Eijiro continuou.

- Desobedeci e me meti em briga. - Bakugo cruzou os braços irritado.

- Tá' de castigo, sem sexo por uma semana. - Disse terminando de limpar os cortes do loiro, beijando a testa dele e se levantando.

- Qualé! Nem vem, isso é maldade! Não gostei, volta aqui, Eijiro Kirishima! - Katsuki seguiu o namorado indignado.

Cigarettes on the roofOnde histórias criam vida. Descubra agora