o conto da não-amada

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Lembrou-se da face do menino ao dizer que não a amava mais. Seus grandes olhos amendoados, encoberto pelos seus cílios longos e demorados, pontuados pela delicadeza juvenil ao olhar para ela, como se estivesse olhando para o nada. 

-Eu não te amo. 

Sentia que o menino falava a verdade, o tom de sua voz era suave e firme. Era como se nada no mundo pudesse tirar sua veracidade. Nem mesmo o amor que ela sentia por ele. Ela o olhava impassível, sentindo uma dor afiada no peito, com a sensação que mil facas se afundavam fortemente ao seu coração e se instalavam ali. 

Ela o olhava, com seus olhos verdes escuros, o olho vermelho e inchado de choro, tentando acreditar que havia outro jeito de salvar o amor deles. Mas no fundo, nunca houve. Fechou os olhos, esperando que acordasse como se tudo fosse um sonho, e quando os abriu, ele já não olhava pra ela

-Diga de novo, por favor.  

Pra que você quer ouvir? -dizia o menino em tom de súplica, como se a verdade o incomodasse.

Ela, ignorando o tom de tristeza na voz do menino, disse:

-Quero ter essa lembrança de você, quero lembrar de você dizendo que não me ama mais.

- Eu não te amo.

E assim, como se o mundo inteiro estivesse paralisado e o chão aos seus pés rachando a Terra ao meio, ela soube que pra sempre iria se lembrar.

Eu e alguns versosOnde histórias criam vida. Descubra agora