Capítulo 1: F*d*u

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Gente,

Decidi publicar o conto hoje, porque consegui finalizar antes da hora. Eu vou soltar os episódios todos os dias. Serão 20 capítulos para finalizar a história de amor de Yuri e Zedu. Espero que gostem. Segue o primeiro capítulo:

Tenho tido alguns pesadelos recorrentes

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Tenho tido alguns pesadelos recorrentes. Na verdade, não chegam a ser pesadelos, mas lembranças. Algo que me tira o fôlego. Algo com o qual, apesar dos anos, nunca soube lidar muito bem.

Para encurtar a história: depois da morte do meu pai, meu irmão surtou e tentou matar toda a família. Ainda conseguiu atirar no nosso irmão mais velho. Eu escapei apenas com algumas escoriações e um trauma que vou carregar por toda a vida. Obrigado, José Leandro.

Tudo bem, não vou ser dramático. Esse papel fica para o meu noivo, Yuri Teixeira. Estamos juntos desde o ensino médio. Ao longo dos anos, tivemos nossos altos e baixos, mas continuamos firmes e fortes.

Depois de quase morrer pelas mãos do meu irmão, decidi que não queria mais morar em Manaus. No início, Yuri achou a ideia uma loucura, mas estudamos bastante para conseguir vagas em universidades públicas — o mais longe possível da cidade.

Yuri passou sem fazer muito esforço. Eu precisei ralar um pouco mais. Fui aprovado em Publicidade e Propaganda na Universidade de São Paulo. Meio no sufoco, mas consegui a vaga. Meu noivo — que na época ainda era meu namorado — passou em dois cursos e escolheu Engenharia Civil.

Depois que ficamos noivos, recebi uma oferta de emprego no Rio Grande do Sul. A adaptação ao frio não foi fácil, principalmente porque não se compara ao de São Paulo. Certa vez, a água do vaso sanitário chegou a congelar. Tivemos que levar um aquecedor para o banheiro.

Mesmo com as dificuldades, Yuri e eu conseguimos fazer as coisas funcionarem. Nem sempre é simples. Brigamos por bobagens, como qualquer casal, mas quando o assunto é sério, preferimos outra abordagem. Afinal, uma conversa franca não arranca pedaço de ninguém.

Naquela manhã nublada de junho, acordei atrasado. Tinha uma reunião importante na agência. Estou trabalhando em uma campanha para ampliar o alcance de uma empresa nas redes sociais — o que significa horas de sono perdidas.

Levantei e não vi sinal de Yuri no quarto. Geralmente, ele é o primeiro a acordar. Entre nós dois, seria o único capaz de sobreviver sozinho. Eu definitivamente não levo jeito para ser "dono de casa".

Bocejo. Coço a cabeça. Esfrego os olhos. Invento uma infinidade de desculpas para não ir ao banheiro. Faço até uma sequência de exercícios — aquecer o corpo ajuda. Nosso chuveiro é elétrico, mas você não faz ideia do frio que faz nesta cidade.

Depois da sessão de tortura matinal — também conhecida como banho —, corri para vestir roupas mais quentes. Com o passar dos anos, desenvolvi um estilo que gosto de chamar de "hipster criativo".

Amor de Peso 3 - O CasamentoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora