Yuri e Zedu. Zedu e Yuri. São duas almas destinadas. Juntos há nove anos, os dois estão descobrindo os percalços da vida, mas sempre mantendo o amor e união.
Assombrado por uma dor do passado, Zedu conseguiu um emprego na cidade de Canela no Rio Gra...
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— JL, eu não vou perguntar outra vez, o que você está fazendo aqui?
— A Isabella. A mãe dela morreu. Teve uma overdose, eu não sei. — explicou JL, andando de um lado para o outro.
— Overdose? Verdade, a mamãe contou que ela era dependente. E o que tem a Isabella?
— A avó dela quer mandá-la para o interior. A minha filha precisa ficar em Manaus. Eu não sei o que fazer, por favor. — implorou meu irmão, quase chorando.
— Olha, JL. Eu não posso fazer muita coisa e...
— Zedu, a Isabella é tudo o que eu tenho. De todas as coisas que eu fiz, a minha filha é a mais preciosa. Não estou pedindo por mim, mas pelo nosso pai. Você tem os recursos. Me ajuda, pelo amor de Deus.
Eu tenho os recursos. Agora o jogo virou. O JL está quase implorando de joelhos. Ele não é mais aquela figura ameaçadora que amedrontava os meus sonhos. O meu irmão era um cara fraco, perdido na vida e sem dinheiro. Afinal, quem vai querer contratar um ex-presidiário?
Respirei fundo. Eu precisava ajudar a minha sobrinha. Mesmo que isso representasse ter o meu irmão de volta ao meu convívio. Peguei o telefone e liguei para o Carlos. Expliquei toda a situação. Não demorou muito e o marido da Olívia chegou para um bate-papo com o JL.
Os levei para uma das salas de reunião da agência. Eles ficaram conversando por um bom tempo. Enquanto isso, aproveitei para revisar uns documentos, mas confesso que não foi uma missão fácil, uma vez que a Isabella não saia da minha cabeça. O seu sorriso, idêntico ao do meu pai, eu precisava ver aquilo outras vezes.
No fim da tarde, o JL apareceu no escritório. Acho que era hora de enfrentar os traumas do meu passado e o convidei para uma cerveja. Escolhi um barzinho perto da casa da mamãe. O local era simples, porém bonito e não tinha muitos clientes no início da noite.
Não vou mentir. Estar perto do JL me deixava desconfortável. Parecia que a qualquer momento o meu irmão me atacaria ou tentaria contra a minha vida. A garçonete que nos atendeu ficou nos paquerando. Tadinha, mal sabe ela que o meu namorado é um urso gostoso. Talvez, o JL tenha chances, se ela não se importar com psicopatas familiares.
— Olha, JL. Obrigado. O Carlos me explicou muitas coisas. Eu consegui um emprego na Tech Land.
— Indicação do Yuri? — questionei, cortando o JL.
— Sim, mas não briga com ele. O Yuri só está tentando me ajudar. Mesmo...
— Mesmo depois de nos ameaçar e me lançar contra uma sacada. Que porra, JL. Eu sou o teu irmão, caralho. — desembuchei, antes de tomar um gole de cerveja e colocar na mesa de maneira violenta. — Eu sou o teu irmão mais novo. — diminui o meu tom para não chamar a atenção. — Eu te amava. Eu esperava acolhimento. Esperava que você estendesse a mão. — uma lágrima escorreu pelo meu rosto.