Yuri e Zedu. Zedu e Yuri. São duas almas destinadas. Juntos há nove anos, os dois estão descobrindo os percalços da vida, mas sempre mantendo o amor e união.
Assombrado por uma dor do passado, Zedu conseguiu um emprego na cidade de Canela no Rio Gra...
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Estou exausto. Entrei na equipe de vistoria das obras da empresa. Na realidade, algumas propriedades nem são da multinacional para qual trabalho, mas são terrenos que eles desejam adquirir. É uma análise minuciosa, que conta com uma enorme gama de profissionais. O último prédio não deu trabalho, mas esse possuía dois andares.
Os trabalhos iniciavam às 9h e seguiam até 19h. O nosso papel era reconhecer falhas e sugerir correções. Em alguns casos, a estrutura estava tão desgastada que o ideal era demolir e começar do zero. Porém, vivemos em um mundo capitalista, ou seja, quanto menos dinheiro as empresas perderem, mais elas ficam felizes.
Cheguei e todos estavam jantando. Tomei um banho rápido e desci. A discussão à mesa era sobre a tatuagem do Richard. Ele desenhou as nossas iniciais no pulso e um símbolo do infinito. "R + Y + G", nós achamos fofo, mas a tia Olívia não aprovava o jeito do meu irmão.
— O que os pais de vocês devem estar pensando, hein? Obrigado, Olívia, pela criação que tú deu para os nossos filhos. — ironizou a titia, colocando um pedaço generoso de lasanha na boca.
— Ficou legal, tia. — defendeu Giovanna, tirando uma foto do braço do Richard e publicando nas redes sociais.
— Ele não é mais criança. — me tremi ao lembrar do Richard quando criança. — Uma criança hiperativa, maldosa e cheia de ideias absurdas na cabeça.
— Ei! — protestou Richard. — Eu nem era tão ruim assim.
— Não, claro que não. — brincou Carlos, pegando mais um pedaço de lasanha. — Lembra quando Richard colocou várias mucuras no barco?
— Sim. — Giovanna serviu um copo de vinho e tomou. — Elas amaram o meu cabelo. Desgraçadas.
— E quando ele sumiu e a gente se perdeu no mato? — recordou Zedu, servindo um prato para mim. — Aqui, amor.
— Vocês deveriam me agradecer. Eu sei que vocês transaram no meio do mato. — revelou Richard, cruzando os braços e levantando a sobrancelha. — Quero uma declaração para mim no dia do casamento.
Os jantares em casa são os melhores. Como eu sinto falta dessa energia. Os anos vão passando e sinto que esses momentos vão ficando raros. Vai demorar para as minhas crianças chegarem. Será que o Zedu vai querer adotar ou vamos ter uma barriga de aluguel? Eu só sei que desejo uma casa cheia. Quero sorrisos, mesa farta e provocações.
O Zedu também teve uma infância parecida. Apesar dos traumas, a família é um tópico importante para o meu noivo. Ele confessou que quer vários filhos. A gente combinou a começar por um pet. Adotaríamos um cachorro de um projeto da Ramona. A minha amiga estava engajada em diminuir o número de animais nas ruas de Manaus.
— Vamos adotar um filho. — anunciei à mesa, deixando todos chocados, até o Zedu, que me olhou de maneira engraçada e jogou metade do suco para fora.