Humilhação

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{Sérgio}

- Sérgio...Eu...eu... - Ela gaguejou. Me olhava com as pupilas dilatadas e com os olhos vermelhos

Segurei em seu rosto e esperei que ela me dissesse oque queria. Porém ela nada fez. Ficou abrindo e fechando a boca em tentativa de falar algo. E vi que ela estava apenas assustada

- Cariño, tudo bem. Eu estou aqui. Não passa nada. Se acalme foi apenas um pesadelo, hum? - Disse vendo como ela continuava a me olhar daquela forma

Então a abracei e ela retribuiu. Me apertou e me trouxe para perto de si com força. Passou o rosto por minha barba, cabelos, pescoço e ombros. Como se fizesse tempo que não me via. Apenas a deixei, a reconfortei e esperei ela se acalmar do que seja lá o que for que tinha acontecido

- Raquel, cariño - A chamei desvencilhando de mim - Pode falar - Disse tocando em seu rosto

Ela enxugou as próprias lágrimas do seu rosto e esfregou os olhos, tentando voltar a realidade

- Nada... Tudo bem. Não passa nada - Ela respondeu forçando um sorriso

Ela levantou-se da cama e saiu do quarto pedindo para que eu voltasse a dormir pois já voltaria também. Assenti e vi que ainda era de madrugada. Rolei de um lado para o outro na cama, que ficava cada vez mais desconfortavelmente fria e vazia sem o corpo dela, e não consegui voltar a dormir. Quando percebi que já se passava tempo demais desde que ela havia saído, fui atrás dela para ver o que estava acontecendo

Caminhei até o banheiro e vi por baixo da porta a luz acesa e uma sombra que indicava que ela estava próximo a porta, como de frente para pia. Me aproximei mais da porta e ouvi um choro fino e baixo que fez doer o fundo do meu peito

- Raquel... Está tudo bem?

- Sim, cariño. Não se preocupe. Eu já volto

Dei meia volta pensando se deveria voltar para cama mas voltei para porta do banheiro. Eu não queria vê-la chorar. Também queria ajuda-la da mesma forma que ela fizera comigo hoje durante meu luto

- Vamos conversar, Raquel. Eu quero te ajudar, diga-me por favor - Insisti mais uma vez

- Quero ficar sozinha, Sérgio. Por favor - Ela disse seria e ríspida e eu respirei fundo, finalmente me afastando

Respeitei seu espaço e voltei para aquela cama fria

Não gostei do que acontecera. Não sei se pela falta de estar próximo dela ou pelo sentimento de não reciprocidade, ou o que seja que me causou tanta irritação. Mas eu só queria que ela me contasse o que havia acontecido que lhe deixara tão abalada

Não era justo. Não era justo ela não confiar em mim. Não quando ela mesma dizia que conversar ajudava. Não quando me abri todo e completamente pra ela. Quando quem deveria ter receio de te contar qualquer coisa seja eu, mas mesmo assim deixei ela conhecer tudo de mim. Não tem porque ela pedir minha confiança quando a mesma não queria me dar a dela. Raquel tinha me contado coisas íntimas de sua vida e eu acreditei que realmente ela confiasse em mim. Eu não queria que Raquel chorasse sozinha no banheiro. Queria acalmar seu pranto e secar suas lágrimas. Queria confortar sua dor tal qual ela havia feito comigo a horas atrás

Eu realmente deveria dar seu espaço e não ser tão invasivo. Se fosse qualquer outra pessoa, eu não estaria tão pensativo quanto a essa situação. Mas é que ouvir o choro de Raquel me doeu. Me senti fraco e inútil por não poder ajuda-la

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