29. Silêncio

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No silêncio e em total escuridão, nem os animais lá fora ousavam perturbar e as estrelas até brilhavam menos intensamente para não levar aqueles olhos a abrir. Quietude. Nada se via. E ela nada temia.

O silêncio essa ausência de som tão difícil de alcançar plenamente. Tantos são os que fogem dele ao ligar rádios, televisões, podcasts, Youtubes e outros que tais só para empurrar o silêncio para as sombras e os cantos vazios da casa. E ele fica lá escondido. Porque esses vazios nunca são realmente vazios. São espaços que foram ocupados, cheios, abarrotados, mas hoje são um silhueta de ausência forçada ou permitida com tristeza. Esses vazios têm mais silêncio que todas as outras formas de ausência de som, porque esses silêncios gritam tanto que ensurdecem. Por isso, precisam da televisão, rádios e afins para não se ouvir esse silêncio que enlouquece.

No entanto, naqueles olhos, que as estrelas não ousavam perturbar, havia um sorriso. O silêncio era uma festa. Dois segundos de absoluto silêncio na sua mente e pareceu que tinha dormido dez horas. Mais algum tempo e ela tinha encontrado aquela força que nos liga a Tudo. Era difícil enfrentar todos os vazios e silêncios dentro e fora dela. Porém, quem enfrenta o silêncio, consegue ver que nele existe muito mais do que a ausência de som. 

Levada pelo VentoOnde histórias criam vida. Descubra agora