A coragem nasce antes da forma.
É semente lançada à terra
sem garantias de chuva.
É escrever na areia molhada,
sabendo que a maré virá
e apagará quase tudo.
É dar o primeiro passo
num trilho coberto de nevoeiro,
onde o chão range,
onde não há corrimão,
nem promessa de caminho certo.
É subir à borda do penhasco
com o coração descompassado,
olhar o vazio
e sentir medo —
não o medo que paralisa,
mas o que empurra.
Fechamos os olhos
e saltamos.
Não sabemos se o lago tem água,
se é fundo,
se está limpo
ou cheio de folhas mortas do outono.
Sabemos apenas
que ficar à margem
seca mais do que cair.
Essa coragem raramente é aplaudida.
Quem observa da margem diz:
"Se é para fazer, faça bem."
Mas como florescer
sem antes ser botão torto?
Como aprender o voo
sem cair do ninho?
Errar é parte do ciclo.
A falha é adubo.
O tropeço ensina o corpo
a reconhecer o chão.
Por isso, salta.
Mesmo sem mapa.
Mesmo sem rede.
Deixa que o risco
seja a corrente
que te leva.
Deixa que a loucura
seja o vento
que infla as velas da felicidade.
Bons saltos.
Que a coragem te encontre
em movimento.
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Levada pelo Vento
PuisiCompilação de poemas e reflexões sobre a vida e como eu a vejo e sinto através do tempo. Sempre a ser alterada e acrescentada porque a única constante na vida é a mudança.
