Da terra fechada,
onde o sol não toca,
nasce a semente
que não pediu permissão para existir.
No escuro húmido do solo,
ela aprende a esperar.
Aprende que a noite
também é ventre.
A dor é inverno:
vento que corta,
geada que parte ramos,
céu baixo que parece não acabar.
Mas é no frio
que a seiva se recolhe,
que a raiz se aprofunda,
que a árvore decide
em silêncio
não cair.
O que parecia apodrecer
transforma-se em húmus.
O que pesava
torna-se sustento.
E um dia —
sem aviso —
o caule rompe a terra.
Não é força,
é insistência.
A chuva, que antes afogava,
passa a lavar.
As lágrimas regam o campo
onde algo novo
se atreve a nascer.
O tronco guarda cicatrizes,
anéis de tempo,
provas de tempestades atravessadas.
São mapas invisíveis
para quem sabe ler
a linguagem das árvores.
Outros reconhecem-se ali.
Quem também enfrentou o vento
sorri ao ver folhas brotar
onde antes só havia cinza.
E quando a flor se abre,
não apaga o inverno.
Honra-o.
Porque a luz
só encontra sentido
quando sabe
de onde veio a sombra.
Esta é a alquimia da natureza:
quando a queda vira raiz,
quando a noite vira terra fértil,
quando a dor aprende
a florescer.
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Levada pelo Vento
PoesiaCompilação de poemas e reflexões sobre a vida e como eu a vejo e sinto através do tempo. Sempre a ser alterada e acrescentada porque a única constante na vida é a mudança.
