Tudo está bem quando acaba bem.

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Por Gisinha Lima

Querido diário:

Ah, onde eu estava? Ah, sim:

Quando achava que nada mais poderia dar errado, algo que nem percebi que era capaz de fazer havia acontecido. Confesso que, naquele momento em particular, eu mais queria trazer um pouco de alento a Harry do que formar um exército pra lutar contra Voldemort. A verdade é que eu queria ver Harry feliz. Alguém apostava em mim, mesmo as chances sendo ridiculamente nulas, mas é isso aí, ele torcia por mim...

- Sabe que o nome dele não pode ser sequer pensado, não é?

Fiquei ligeiramente envergonhada quando me vi surpreendida por Cedrico, um sorriso maroto às minhas costas. Enquanto escrevia, a mudança para a nova casa seguia em ritmo acelerado. Quando perguntei a Harry se podia reformar a casa dele em Godric's Hollow, vários conhecidos dele se sentiram afrontados (achei a mãe de Ronald simpática à primeira vista, mas isso só durou até a sugestão da reforma da casa...). Felizmente, a casa de Bathilda Bagshot estava disponível e ninguém queria comprar. Foi a oportunidade perfeita. Cedrico e eu decidimos morar juntos depois de três semanas nos falando pelo telefone, ou via coruja (precisei me acostumar com isso também). Adeus, Vegas! Apenas Harry ficaria chateado, devia a ele uma nova visita, até que a oportunidade de voltar surgiu. Chris levou Harry e Ronald pra se divertir em Vegas por uma semana. Agora entendo por Hermione e a Sra. Weasley queriam devorar meu fígado de tanta raiva.

- Bom, - eu sorri, me sentindo pega em uma travessura. - Ele não está mais aqui pra reclamar da pronúncia errada, está?

Eu aproveitei para ver melhor o homem com quem me casei. Apesar de ter, na época, apenas dezoito anos e uma possível namorada, Cedrico voltou para o mundo dos vivos três anos mais velho, algo que surpreendeu todos que o conheciam. O físico ficou diferente, mais forte, a expressão de constante bom humor substituída por outra, mais compenetrada, ainda que o olhar divertido ainda estivesse lá. Eu entendo. A Ilha Rockfort fez isso comigo também. Afaguei o volume na barriga, um chutinho de aprovação.

Meu irmão já tinha desistido de acompanhar meu sogro e os funcionários da transportadora, que já haviam colocado tudo nos devidos lugares, com o auxílio das varinhas. Chris agora carregava as coisas dele para o quarto onde ficaria no terceiro andar. Achei que ficaria conosco no andar dos quartos, mas ele amou o espaço no sotão e decorou ao gosto dele, bem estilo caverna mesmo. As muitas lembranças da semana em Las Vegas estavam lá. Harry e Rony, muito bronzeados, também apareciam na foto. Harry nunca havia se divertido muito quando era garoto, mas dessa vez, ele e Sirius Black literalmente soltaram a franga (que nunca me escutem dizer isso em voz alta). Decidi por o diário na mesa perto do cômodo no primeiro andar, onde o Sr. Diggory organizava os móveis, transformando o espaço em um escritório muito acolhedor. Adorei a disposição dos móveis, o computador ficando contra a luz, além de uma bancada para escrita junto a janela, para aproveitar ao máximo a claridade. Além disso, tinha móveis imbutidos que foram rapidamente aproveitados por Cedrico. Ele e Bathilda, pelo visto, eram leitores vorazes. Ao ver tudo pronto, sorri, a satisfação em ver que minha nova vida podia começar afinal.

Quando retomei o diário, já bem perto do entardecer, procurei repassar tudo que aconteceu nos últimos meses, tentando não esquecer nenhum detalhe...

*****

Ainda observávamos os destroços do que havia sobrado da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Do grande salão principal até as torres, a maioria em ruínas no solo perto do portão de entrada, olhava tudo aquilo consternada. Eu teria estudado ali se tivesse sido mandada ainda menina. Mas quem sabe se não foi uma benção disfarçada meus pais terem ignorado a carta de Hogwarts? Até hoje fico feliz por isso ter acontecido. Significa que pude ter uma infância normal, amigos, uma vida pra chamar de minha. Para Harry, no entanto, aquela era sua casa desde recebera sua carta, então não pude deixar escapar um soluço de tristeza por ele. Os outros alunos poderiam voltar para lares onde eram amados e protegidos pelos pais. Harry nunca soube o que era isso, então...

Harry Potter e a feiticeira de ouroOnde histórias criam vida. Descubra agora