Uma pequena cidade

25 5 0
                                        

É estranho pisar de novo aqui,me lembro de quando era mais novo e não gostava desse lugar,para mim meu futuro era viver na cidade grande,ter uma vida,mas depois de quase cinco anos em São paulo decidi voltar para cá,moro em uma pequena vila no sul,no caso minha casa fica um pouco afastada daqui,lá é um lugar bacana,as pessoas geralmente não falam muito. Assim que me viram andar por ali me encararam como se seus olhos me fuzilassem até a alma,eu e meu pai nunca tivemos muito contato com o pessoal daqui,eles aparentavam ser estranhos,o único que meu pai puxava assunto era o velho Gil,um senhor que cuidava dos seus três cachorros,era um senhor bem rabugento,mas não comigo,desde que meu pai me apresentou a ele,pobre homem,havia perdido a mulher e o filho para uma gripe muito forte que atacou todos daquele lugar.

chegando na casa avistei de longe a arvore velha,uma arvore ao qual meu pai tinha feito um  balanço para eu brincar,era só eu e ele,meu pai diz que minha mãe morreu,vitima da mesma praga que levou a mulher e a filha do velho Gil,abri a porta de madeira com grande dificuldade,estava muito emperrada,assim que consegui abri senti o cheiro de umidade que saia dali,entrei e vi que tudo permanecia no mesmo lugar,a mesa de jantar com as quatro cadeiras na cozinha,os móveis antigos,a poltrona de meu pai na sala onde ele sempre ficava quando chegava de seu trabalho,subi as escadas que dava para um corredor que levava para um quarto,o quarto de meu pai e minha mãe,tudo estava como tinha sido deixado,a penteadeira da minha mãe com um espelho ao qual ela adorava se ver,suas roupas ainda guardadas.que saudade tenho dela,sinto um aperto em meu peito por não ter ela aqui,fechei a porta e segui rapidamente até meu quarto,pude sentir uma brisa leve passar perto de mim sorrateiramente,senti um frio na espinha e parei por um minuto,mas deixei para lá e continuei caminhando até meu quarto,abri a porta e vi minha cama com o lençol branco forrado como minha mãe sempre deixava,a mesa que ficava do lado da cama com um caderno antigo,me lembro de quando meu pai vinha até mim e me via com a caneta na mão. dizia que eu era muito focado,e respondia sem tirar os olhos da folha nem por um segundo.

-O que esta fazendo?

eu respondia sem tirar os olhos do papel

-Escrevendo

ele tocava com a mão em meu ombro e só dizia 

-Muito bem

e logo saia me deixando lá

desci até a sala e vi o que eu sempre odiei naquela casa,um espelho na parede,havia sido colocado junto com a  casa,portanto não dava para retirar tão facilmente sem deixar um grande buraco na parede,me lembro de como eu evitava olhar para aquilo,só olhei uma vez para nunca mais,nesse dia estava em pé na frente dele e olhando fixamente para mim,então vi uma mão tocar em meu ombro,era branca e tinha unhas longas,no mesmo instante sai do meu estado de transe e gritei fazendo minha mãe correr até mim me segurando e me abraçando enquanto eu chorava soluçando,peguei um pano que estava em cima da poltrona e o cobri.

Dança macabraOnde histórias criam vida. Descubra agora