Cicatrizes (Imagine Kaiser)

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Todos temos cicatrizes, sejam elas físicas ou emocionais. As que podemos ver, sempre há uma boa história junto delas. Nem todos concordam com isso, mas você gostava de ouvir os acontecimentos por trás das cicatrizes dos outros e, de quebra, você também mostra a sua e conta como a conseguiu.

Nunca teve vergonha dessas marcas em seu corpo, pois as considerava medalhas de vitória. Esse foi o jeito que você encontrou para superar o seu desgosto com elas quando era adolescente, então, sempre que alguém lhe dizia que não gostava da cicatriz, você falava o que pensava sobre o assunto. Nunca esperava ser compreendida, mas gostava de compartilhar essa ideia com as pessoas que gostava.

Isso não foi diferente com Kaiser, que se sentia um pouco mal a respeito de suas marcas. Por ele ser quieto, na dele, era difícil estabelecer qualquer relação, mas você conseguia conversar com ele às vezes. Geralmente você mantinha uma certa distância para ele não ficar desconfortável, então acabava sendo até que fácil dialogar.

— Kaiser... posso te fazer uma pergunta?

— Acabou de fazer uma. — Um silêncio tomou conta da mesa onde vocês estavam sentados. — Tô brincando. Pode fazer sim.

— Que susto! Eu achei que tava incomodando! — Você falou enquanto ria. — É que... eu queria saber como você conseguiu a cicatriz.

— Ah, isso? Não tenho muito orgulho dela. Foi uma burrada minha — ele respondeu enquanto encarava o chão.

— Entendo... desculpe se soei meio rude com essa pergunta. — Você logo se desculpou, pensando ter tocado em uma ferida ainda aberta.

— Tudo bem. Foi em uma missão no orfanato Santa Mega Freira. — Ele começou a contar. Sabia que o nome do orfanato não era esse, mas sempre achava graça quando ele trocava para outra coisa. — Eu fui jogar uma granada em um monstro e, como sou bom no arremesso, acabei ficando assim.

— Cara, que loucura! Mas, sabe... eu acho essa cicatriz muito estilosa. — Você comentou encarando o teto.

— Foi um jeito meio besta de conseguí-la.

— Eu sei, mas ela significa que você sobreviveu e pode continuar lutando. — Você fez uma pausa, pois percebeu que ele refletia sobre o assunto. — Fora que... eu acho que você ficou muito legal com ela.

Isso pareceu arrancar uma pequena reação dele. Ele parecia estar sorrindo um pouco, mas logo o desfez. Você sabia o quanto ele reprimia seus sentimentos, então ficou feliz quando presenciou tal ocorrido. Você começou a sorrir também mas, ao contrário dele, você o sustentou por bastante tempo.

Após essa conversa, vocês ficaram em silêncio por um tempo. Kaiser parecia refletir sobre tudo o que conversaram e você, como não queria atrapalhar, pegou o celular e começou a mexer no Twitter. Não iria o importunar agora, pois sabia que ele precisava de espaço para pensar.

— Obrigado por tentar me animar, [Nome]. Acho que deu um pouco certo.

Depois de dizer isso, Kaiser se levantou e foi até a sala da Agatha. Você permaneceu sentada onde estava e, com um sorriso no rosto, apenas o observou indo para seu destino. Ficou feliz em poder ajudá-lo, mesmo que pouco. Na verdade, você sabia da insegurança dele com a cicatriz, só não sabia a história por trás dela. Quando ele lhe contou o que aconteceu, você se sentiu vitoriosa, pois sabia que ele não se abria fácil com outras pessoas. Foi um pequeno passo, mas que lhe deixou muito empolgada.

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