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A Geometria dos Encontros Impensáveis
01/06/2022 — 03:30 da manhã
Querido Diário,
É até difícil encontrar as palavras para registrar o que viveu esta garota que lhe escreve. Mas preciso colocar tudo no papel antes que a memória pregue suas peças — ainda que eu ache humanamente impossível esquecer cada detalhe desta noite. Lembra que te disse, às três da tarde, que sairia para espantar o desânimo? Pois bem, querido Di... que bênção ter saído de casa.
Emmelly Fletcher tinha dezenove anos e morava sozinha em um pequeno apartamento no subúrbio de Colombo, no Paraná. Herdeira de uma modesta banca de jornais deixada por sua mãe, ela dividia a rotina entre o trabalho, a leitura compulsiva e a prática de corridas e pedaladas.
Emmelly era uma jovem gorda — gordinha, não; bem gorda, como ela mesma assumia com honestidade e sem rodeios —, mas cheia de energia, com um coração sentimental e uma dificuldade crônica em dizer "não" a quem quer que fosse.
Sua vida era preenchida pela companhia do fiel Pope, um vira-lata que ela tratava como filho, pelo amor ao balé, pela paixão por séries duradouras e pelo hábito sagrado de confidenciar tudo às páginas do seu diário.
Naquela terça-feira fria de chuva fina, por volta das quatro da tarde, Emma fechou o casaco e decidiu caminhar até o centro da cidade. Eram cerca de cinco quilômetros — uma distância curta para quem gostava de observar o mundo.
Seus olhos negros, atentos e profundos, não deixavam passar um único detalhe da paisagem urbana.
Quase uma hora depois, ao cruzar as portas do Colombo Park Shopping, percebeu que a praça de alimentação estava tomada por um turbilhão metálico de gritos e agitação. Garotas eufóricas empurravam-se ao redor de uma mesa retangular.
Intrigada, Emma abriu caminho com paciência entre a barreira humana. Acomodados na mesa, dois homens e uma mulher acenavam sorridentes. O eco das vozes ao redor repetia nomes como Ethan, May Calamawy... até que a mente de Emmelly finalmente conectou as peças ao fixar o olhar no homem de semblante elegante e marcante.
— Cavaleiro da Lua... — balbuciou, sentindo o ar sumir do peito. — Oscar Isaac?! Meu Deus!
Por um instante, o desânimo deu lugar a um frenesi silencioso. Seu corpo suou frio e sua respiração acelerou. O que astros daquele quilate faziam ali?
O que Emmelly não sabia é que a equipe cumpria uma extensa turnê global de divulgação, e aquela parada fora da rota tradicional era apenas um dos muitos compromissos surpresa.
Ela tentou se aproximar. Avançou alguns passos na esperança de um sorriso ou autógrafo, mas a fúria das multidões a empurrou para trás. Cansada, frustrada e um pouco indignada com a falta de organização do alvoroço, ela desistiu.
Bateu em retirada e buscou refúgio no seu lugar favorito no mundo: a livraria. Navegou entre as estantes, comprou dois exemplares de autoras brasileiras — Vampiro Apaixonado e Desejo Distorcido — e, para coroar a noite e esquecer a decepção, caminhou até a bilheteria do cinema.
— Boa tarde! O que temos para hoje? — perguntou ao balconista.
— Boa tarde! Estamos com Jurassic World em cartaz. Com carteirinha de estudante, sai por catorze reais.
Garantido o ingresso para a sessão das dezenove horas, ela entregou o bilhete picotado ao rapaz da entrada e ocupou sua poltrona na sala morna e silenciosa.
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Contos da Gel Reeves
RomantikDestaque Eles diziam que era impossível. Mas ninguém avisou aos sonhadores. Em "Contos da Gel", o limite entre o real e o imaginário se desfaz. Cada história é um fragmento de alma, um sonho que ousou existir - mesmo quando o mundo dizia "não". Aqui...
