{305 palavras.}
02 de julho de 2021.
Desidéria carregava vinte e sete anos no peito e o cheiro doce de pipoca impregnado nas roupas. Em uma cidade comum, onde os dias pareciam cópias dobradas de outros dias, ela cumpria sua rotina discreta como ajudante geral de um cinema local.
Uma vida desenhada em tons pastel, varrendo bilhetes usados e ajustando luzes para as histórias dos outros brilharem na grande tela. Mas até o cotidiano mais pacato esconde uma fenda por onde a magia adora se esgueirar.
Naquela tarde ensolarada de julho, as portas do velho cinema se abriram para um evento fora da curva: uma sessão de autógrafos com astros de cinema — figuras reluzentes que Desidéria só ousava admirar a noventa minutos por vez, na escuridão da sala de projeção.
Vê-los ali, em carne, osso e sorriso largo, fez o coração da garota desacelerar a gravidade. Acontece que o encanto cobra um preço alto de quem vive sob os holofotes da realidade.
Tomada pelo fascínio do momento, Desidéria viu o trabalho acumular e a fúria do seu chefe transbordar. Um homem miúdo de espírito, mestre em transformar qualquer descuido numa tempestade de críticas, humilhações e ameaças de demissão.
Para ele, o brilho dos atores só servia para destacar a poeira que ela deixara de limpar. Quando a última esperança parecia ter descido pelo ralo junto com a sua dignidade, o roteiro da vida deu uma volta inesperada.
No epicentro do Caos, uma boa ação silenciosa — vinda de onde ela jamais esperaria — mudou o tom daquela tarde para sempre.
Aperte os cintos, leitor. A projeção vai começar...
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Contos da Gel Reeves
RomanceDestaque Eles diziam que era impossível. Mas ninguém avisou aos sonhadores. Em "Contos da Gel", o limite entre o real e o imaginário se desfaz. Cada história é um fragmento de alma, um sonho que ousou existir - mesmo quando o mundo dizia "não". Aqui...
