Mesmo sem lembrar, ainda sinto.

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Desde já agradeço pela sua atenção e peço, antecipadamente, desculpas por qualquer erro aqui cometido.





(Obs.: A imagem de abertura deste capítulo não é de minha autoria, portanto deixo os devidos créditos à pessoa que a fez e peço desculpas por usá-la aqui.)








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                   -Um mês depois-

  Kuroko havia recuperado algumas coisas em sua memória, mas nada que dizia respeito aos jogos contra seus antigos colegas de time ou sobre o ruivo, apenas uns poucos vislumbres turbulentos de dias cansativos e uma sensação inquietante de ansiedade antes de algum jogo. O menor passou todo aquele mês assistindo os vídeos de todos os jogos que participou, tentando recordar aqueles momentos e os movimentos que seu corpo estava treinado para fazer durante as partidas, mas não conseguiu muitos resultados e já começava a perder as esperanças de lembrar de mais alguma coisa.

  -Tetsuya, vamos. -A mãe de Kuroko falou parando o carro na garagem e o menor desceu, cabisbaixo e melancólico com a notícia que o médico deu. -Querido, não fique assim. Ele não disse que era impossível você voltar a lembrar de tudo.
  -Eu sei. Só queria poder me lembrar do Kagami-kun e de como tudo aconteceu. -Falou baixo e sua mãe o abraçou.
  -Você gosta dele, não é? -A mulher indagou terna e o menor sentiu o peito saltar.
  -Não disse isso. -Comentou na defensiva e sua mãe sorriu.
  -Claro que não. Por que não entra e toma um banho, enquanto eu preparo o jantar? -Indagou após beijar a testa do menor e o mesmo concordou, logo entrando na casa.

  Assim, Kuroko tomou seu banho, apenas pensando e desejando que o que o médico falou não fosse verdade, que tivesse apenas imaginado... Mas o homem realmente havia dito aquilo, e Kuroko não poderia estar mais desapontado e angustiado, pois lhe havia sido dito que poderia nunca vir a recuperar sua memória, o que o deixou sem saber o que fazer. Como iria viver após perder a memória de momentos tão importantes? É claro, haviam os vídeos dos jogos e seus amigos sempre contavam as histórias de tudo que se passou, mas não era a mesma coisa. Não era como se ele estivesse naqueles momentos.
  Na manhã seguinte, o azulado acordou cedo e foi praticar um pouco de basquete na quadra mais perto de sua casa, ficando por lá até a tarde, quando recebeu uma ligação de sua mãe pedindo para que ele passasse no mercado para comprar algumas coisas, então o menor juntou seus pertences e voltou.
  Após tomar banho e comer algo, Kuroko foi para seu quarto e deitou na cama, com N.2 em sua barriga, dormindo profundamente, enquanto o azulado lia um romance antigo. No meio de sua leitura, Kuroko recebeu uma mensagem, o que apenas ignorou, continuando o que fazia, mas recebeu outra e outra e mais algumas, até que se irritou demais e pegou o celular, vendo que as mensagens eram de Kagami.

  *Está ocupado?* -07:09pm.
  *Quer dar uma volta? Hoje tem um filme legal passando no cinema.* -07:13pm.
  *Está acordado?* -07:32pm.
  *Kuroko?* -07:33pm.
  *É sábado, vamos sair. Não pode dormir cedo assim no final de semana.* -07:35pm.
  *Vou continuar mandando mensagens.* -07:39pm.
  *Acho que vou na sua casa.* -07:43pm.

  O azulado riu fraco quando leu as mensagens, esquecendo da irritação que sentiu ao ser incomodado por aquilo. Kuroko apenas digitou um "Estou acordado. Que filme vamos ver?", então marcou a página do livro, levantou da cama e foi para a frente do roupeiro. Como aquela noite estava fria, o menor vestiu uma calça jeans preta, acompanhada de uma camisa branca e casaco azul, junto de um cachecol quadriculado e tênis preto. O celular vibrou e o menor o pegou, vendo a mensagem do ruivo e descendo as escadas, encontrando com sua mãe na sala e avisando que sairia com o ruivo, ao que a mulher apenas concordou e disse para aproveitar.
  Não era algo incomum Kuroko sair com Kagami nos finais de semana, pois o ruivo queria sempre passar seu tempo com o azulado, o que fazia o coração do menor se agitar a todo momento, especialmente quando Kagami lhe falava sobre os momentos que passaram juntos e exibia aquele sorriso perfeito e radiante. Kuroko se viu desenvolvendo algo pelo ruivo e aquilo apenas floresceu mais e mais devido ao tempo que passavam lado a lado, mesmo que não recordasse de nada sobre os dois, e sentia uma ânsia cada dia maior de abraçar aquele garoto e sentir seus lábios e seu toque, era algo que seu corpo pedia e que não conseguia mais negar.

  -Boa noite, Kagami-kun. -Kuroko falou ao ver o ruivo parado em frete à estação, fazendo o maior pular assustado.
  -Já falei para não fazer isso! -Exclamou com um suspiro e encarou o menor com o canto dos olhos. -Você está lindo. -Soltou sem perceber e Kuroko corou. -E-eh... Quer dizer... -Balbuciou tentando se corrigir meio constrangido, o que deixou o coração do azulado ainda mais bagunçado.
  -Kagami-kun, tudo bem. -Disse sorrindo fraco com a cena de Kagami envergonhado. -Vamos?
  -Vamos. O filme ainda vai levar uma hora para começar, mas eu já comprei as entradas. Quer jogar alguma coisa até o tempo passar? -Kagami indagou caminhando com o menor para o shopping e Kuroko concordou.

  E assim, Kagami e Kuroko passaram aquele início de noite, assistindo ao filme de esporte e comendo algo na praça de alimentação. Quando acabaram, voltaram caminhando para a casa, sentindo o vento frio da noite calma.

  -Kuroko, eu queria me desculpar com você. -Kagami falou de repente quando estavam passando por uma praça vazia e o menor o encarou confuso. -Não te chamei hoje só para assistir aquele filme, nem das outras vezes. A todo momento eu espero que você lembre de mim e voltemos ao que éramos antes. Só tenho motivos ocultos quando te chamo para jogar basquete comigo ou sair. Sou egoísta de querer que você fique apenas perto de mim. Não queria que ninguém mais pudesse ter esse tempo que nós temos. Não queria que você gostasse de outra pessoa, porque queria fazer você se apaixonar por mim outra vez, mas acho que não consigo fazer isso. Nem pude te fazer lembrar... Sou o pior. Roubei todo seu tempo por motivos egoístas e te impedi de fazer o que queria. Eu sinto muito. -Taiga desabafou com a expressão triste e Kuroko não soube como reagir diante daquela confissão. -Me desculpa. Eu não posso continuar fazendo isso. -Completou com os olhos marejados e virou de costas para o menor, segurando em vão a vontade de chorar.
  -Kagami-kun. -Kuroko chamou com o coração apertado.
  -Não posso mais. Não posso querer que você lembre... Sinto muito, Kuroko. Não aguento ficar tão perto e não te tocar... Mas eu não quero desistir de você, de nós. -Balbuciou com as lágrimas caindo de seus olhos e a cabeça baixa.

  Kuroko engoliu em seco e se aproximou do ruivo, sentindo as mãos suarem frio e as pernas gelarem, junto do som retumbante de seu coração descompassado.

  -Kagami-kun. -Chamou esperando que o ruivo olhasse para si, o que não aconteceu. -Kagami-kun. -Chamou outra vez e nada. -O médico me disse que... talvez eu nunca recupere as memórias que perdi. Que eu posso viver bem mesmo não lembrando daquele tempo. -Kuroko falou encarando as costas do ruivo que se mantinha na mesma posição. -Mas eu não quero. Quero poder lembrar de tudo, todos. Quero lembrar de você, Kagami-kun. -Falou se aproximando mais e abraçou o ruivo por trás. -Mesmo nunca me lembrando daquele tempo, não quero perder você, Kagami-kun. Quero passar mais e mais tempo com você e fazer tudo outra vez. Não quero não lembrar. Por favor, Kagami-kun, não desista de mim. -Pediu apertando o ruivo e Kagami teve ainda mais vontade de chorar, o que sequer pensou em resistir, derramando lágrimas grossas e quentes.
  -Estou tão feliz... -Kagami balbuciou e se virou de frente para o menor, o envolvendo em seus braços. -Obrigado.













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Novamente agradeço pela sua atenção e peço desculpas por qualquer erro aqui cometido.

Amnésia - KagaKuroOnde histórias criam vida. Descubra agora