Confie em Mim

45 4 0
                                        


"Entenda os seus medos, mas jamais deixe que eles sufoquem os seus sonhos."

(Alice no País das Maravilhas)

***

Apartamento de

 Leon Scott Kennedy

 

Havia uma menina caminhando sozinha por um corredor escuro. Ela está assustada com o barulho furioso da tempestade que caía lá fora, pelo reflexo das cortinas da janela podia ver que estava relampejando muito e era a única coisa que iluminava aquela noite infernal. Logo, o barulho da tempestade diminuiu dando lugar para o som de vozes de seus pais que parecem brigar.

 

A menina começa a chamar por eles. Ela chama pela mãe e principalmente pelo pai, porém ninguém vem em seu socorro. É então que o seu caminho se cruza com alguém. Um estranho apontando uma arma para ela.

 

O estranho aperta o gatilho...

Com o barulho ensurdecedor do tiro, Ada acorda apavorada sentindo uma baita dor de cabeça. Do seu lado sua irmã continua dormindo, pesadamente. Elas estavam no apartamento de Leon, dormindo no quarto de hóspedes que, tecnicamente, mais parecia ter virado o quarto de Claire (já que havia tantas coisas da ruiva ali), até o cheiro dela parecia impregnado no ar, fazendo a mulher de traços orientais se sentir desconfortável. Entretanto, ela não podia reclamar, pois no fundo ali parecia ser o lugar mais seguro agora.

É óbvio que sua estadia ali era provisória, enquanto Burton e sua equipe cuidavam do caso envolvendo os assassinatos. Com certeza até amanhã, ela acabará sendo levada para outro lugar. Algum lugar desconhecido. Ou seja, nem se quisesse ir embora de Raccoon City e retornar para Califórnia, agora poderia. Sua rotina será toda mudada por causa daquele maldito assassino que havia acabado de fazer mais uma vítima.

Rebecca Chambers, a sua melhor amiga foi morta de uma forma tão bizarra e cruel. Era tão assustador imaginar que algumas horas antes, elas estiveram juntas, rindo, brindando e compartilhando um momento que se desfez dessa forma tão súbita e brutal. Pensar sobre isso lhe dá um aperto em seu coração e ela precisa lutar, novamente, contra as lágrimas que teimam a molhar o seu rosto.

Ela solta um suspiro triste, antes de pegar o smartphone na mesa de cabeceira, constatando que ainda eram 4 da manhã e que só havia conseguido dormir por uma hora. Depois decide se levantar, veste um roupão (que o detetive lhe emprestou) e tenta sair pelo corredor que a leva até o banheiro. O problema é que o corredor está escuro como no seu sonho e parece tão longo para ser percorrido, isso quase a faz travar no meio do caminho sentindo-se claustrofóbica. Ao menos poderia usar a lanterna do celular que por sorte decidiu trazer consigo. Por fim, quase sofre um enfarte quando um sonolento Leon surgi de repente na sua frente.

— Você quer me matar do coração? — Ela reclama ainda paralisada.

— O que você está fazendo acordado a essas horas? — Ele liga o interruptor de luz, fazendo com que o lugar pareça menos assustador e, assim, permitindo que a mulher possa vislumbra-lo melhor.

— Perdi meu sono. — Murmura ainda tentando recuperar o fôlego depois do susto. — E você, o que tá fazendo zanzando por aí a essa hora, como se fosse uma assombração? — Pela aspereza de sua voz, ele pode perceber que ela não estava de bom humor.

— Também perdi meu sono. — Ele também tinha uma expressão cansada. As roupas do dia-dia que usava na RPD foram substituídas por uma calça de moletom preta e uma camisa de manga longa azul, seus cabelos estavam um tanto selvagens e seu rosto esboçava uma sombra de sonolência.— Tive um pesadelo ruim... Sonhei com você. — Isso a faz soltar um breve riso sarcástico.

Efeito BorboletaOnde histórias criam vida. Descubra agora