Bons Amigos

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"Não procures esconder nada; o tempo vê, escuta e revela tudo."

(Sófocles)

***



Hospital Geral de Raccoon City

Ada estava se debatendo muito, tudo por conta de um pesadelo horrendo. Ela se via, novamente, correndo pelo corredor escuro, tentando escapar das garras mortíferas do Assassino. Seu pesadelo só termina quando o seu Algoz cruelmente a mata. E, em seguida desperta gritando, completamente, alterada e chorando com a voz rouca. Demora minutos para conseguirem fazê-la se acalmar.

Sua irmã está ali ao lado da cama tentando convencê-la que não havia mais o que temer, pois estava segura no quarto do hospital. Só que no fundo, a Professora de Física sabia que não estava, realmente, segura enquanto não pegassem o tal Serial Killer.

Do lado de fora do quarto, havia policiais cuidando da segurança delas, incluindo Leon que havia montado todo um novo esquema para mantê-la segura, inclusiva arranjar um novo lugar para que ela pudesse ficar.

— Precisamos de várias viaturas rondando todas as ruas da cidade e também cuidando das fronteiras. Temos um assassino de alta periculosidade a solta. Por isso é possível que precisaremos também ter toque de recolher. Eu sei que é uma medida radical, mas é o único jeito de conseguirmos manter Raccoon City segura. Ah, preciso que seja alertado todas as outras delegacias do Condado de Arklay. — Ele continuou distribuindo ordens até seu celular tocar. Era Chris ligando incessantemente. Quando atende, recebe de cara a notícia de que Spencer havia sido sequestrado. Pelo jeito a noite continuaria sendo bem agitada.

Depois de falar com Chris, Leon decidiu permanecer ainda no hospital para visitar Ada. Precisava ter certeza que ela estaria bem e segura. Ele abre a porta do quarto onde a mulher está e a encontra conversando mais calma com a irmã e Sally Burton.

Aparentemente ela parece bem, já que está reclamando que quer ir embora. E só para de reclamar quando o policial entra em sua linha de visão. O detetive se sentiu perturbado por ver o rosto dela parecendo tão abatido.

— Detetive Kennedy, você ainda está... por aqui. — Ela muda um pouco o tom da voz soando mais tímida. — Você poderia convencer a enfermeira Burton a me deixar ir embora? — Aqueles castanhos mel pareciam tão cansados e ainda bastante assustados.

— Eu não ousaria desobedecer a tia Sally. — Leon troca um olhar simpático com a esposa de Burton, antes de desviar a sua atenção para a cientista. — Se ela disse que você tem que ficar, então...

— Então, terei que passar a noite no hospital. — Ela se lamenta fechando a cara e voltando a se deitar na cama.

— É só por hoje, senhora Wong. — Argumenta Sally. — Amanhã de manhã, talvez, já estará em casa de novo.

— Esse "TALVEZ" não me anima nenhum pouco. — Ela encara o teto desanimada. Seu corpo ainda dói muito como se um trator tivesse a atropelado, apesar de nunca ter sido atropelada.

— Bem, eu gostaria de falar em particular com a paciente. — Leon resolveu parar de enrolar e focar no que importava.

— Ah, vou terminar de falar com a mãe e o pai. Eles estão ligando o tempo todo. E pode ter certeza que se a mãe souber o que tá acontecendo aqui, ela não vai sossegar até te convencer a ir embora. — As palavras de Fong Ling pairam no ar, deixando Leon apreensivo. Sally que já estava no fim do seu turno, também se despede e vai embora os deixando sozinhos.

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