Lince passou as mãos pelo parapeito da varanda, seus olhos refletindo à vista embaraçosa da rua lhe causava um sentimento de medo diferenciado. Era como se tivesse compreendido que não conseguiriam sair da situação com vida, a falta de esperança o atingiu intensamente. Otimismo não era uma magia eficaz, nem mesmo acreditava em quaisquer lei da atração. Se possuísse uma emoção ao certo, iria profanar pavor.
Ele respirou fundo, o som dos cacos de vidro sendo pisados pelo coreano ecoou antes que ele entrasse de novo. Ouviu disparos ao longe, os tiros não se cessavam. Acreditaram que as forças armadas conseguiriam parar a catástrofe, mas nem ele tinha fé naquilo.
— Eles são muitos, não podemos sair agora. — bastou aquelas palavras para que o próprio Lince levasse a mão à nuca e suspirar longamente. Observou as meninas, ambas sentadas ao sofá. Estavam aflitas. — Se sairmos, há chances de sermos confundidos com zumbis e baleados pelos policiais. Devíamos esperar anoitecer.
— Está maluco? De noite seria a melhor oportunidade para morrermos. Não vai dar para ver quase nada, fora que, bom, o suspense fica maior. — esta foi Hope, e parecia querer abandonar quaisquer que fosse da vontade que sentia de deixar o prédio. Afundou as mãos nos cabelos, pensava constantemente.
Lince abaixou a cabeça.
— Temos as lanternas dos celulares. — disse Cameron, sua postura caiu no mesmo instante em que lembrou-se de como o seu pai havia acabado com o seu aparelho. Sua expressão decaiu junto à postura. — O livro do seu irmão conta que esses monstros são péssimos com visão noturna, a nossa oportunidade seria de madrugada. Sei lá, podemos ir para o térreo e tentar encontrar os soldados. Eles nos ajudariam.
— Definitivamente, não. Eles estão pouco se ferrando se somos humanos ou canibais, os superiores devem mandar atirar em qualquer espécie que se mova. — explicou Lince.
— Mas deveríamos tentar. — sugeriu a Parker, seus neurônios estavam uma bagunça.
— Você iria fazer o que? Sair arrancando a cabeça dos zumbis com uma faca de cortar cebola?
— Não sei, mas não me parece ser uma opção ruim. Todo o pensamento é viável nesta situação.
— E iríamos para onde? — perguntou Hope, inquieta. Ambos ficaram em silêncio, o questionamento havia sido certeiro. — Não divulgaram nenhuma base militar para sobreviventes, muito pelo contrário. Mandaram a gente ficar em casa feito bichos enjaulados. Eles querem nos matar, acabar com Poterfield o quanto antes.
Lince fechou os olhos, a sensação era de apreensão, sentia-se que estavam à beira de uma rua sem saída. Andou até o balcão da cozinha, apoiou as mãos sobre o mármore e foi quando um choque lhe acertou. Olhou para o corredor, avistou Nathan dormindo no quarto, através da brecha da porta. O seu coração se quebrou em diversos pedacinhos.
— Nate não sabe sobre a sua mãe. — comentou o coreano, pousando os olhos calmos em Hope. Transmitia conforto à garota, e por um outro lado, a viu lutar contra mais uma crise de choro. — Achei que seria melhor esconder a perda para ele não ficar decepcionado, ele é uma criança, não saberia como lidar com o luto. Poderia causar problemas. — sua voz era baixa, porém, carregava afinidade.
— Obrigada por não contar, não quero que ele sinta o que eu estou sentindo. — Hope mal olhou para o amigo, não conseguiria. Abaixou a cabeça, suspirou e tentou sorrir. — Kate era uma serpente, mas ainda era a minha mãe.
Cameron a observou por instantes, suas íris transmitiam uma sensação acolhedora, sentia as mesmas dores que a garota carregava dentro de si. E mesmo que Hope não contribuísse com o contato visual, a loira não possuía vontades para deixar de encará-la.
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Hopeless To Survive - By. LaynB_ E Mottxh
TerrorO único sentimento instintivo que é mais forte do que o materno, é o da sobrevivência. A cidade era Poterfield, conhecida pelo seu espetacular pôr do sol. Não possuía muitos pontos admiráveis e nem uma população aclamada, seria calúnia dizer que nã...