Qual é a pior dor emocional?
A perda de um ente querido é a pior tortura que uma pessoa pode enfrentar, e não é apenas esta. Pesquisas apontam que, traição, difamação, bullying, sentimento de inutilidade, rejeição. Existem tantos motivos, tantos pretextos e contextos onde interferem diretamente no psicológico que as emoções se tornam físicas, as dores sufocam cada ar que se prende ao nariz.
E Lince não sabia como descrever aquele sentimento novo, estava petrificado, quase envergonhado pela sua falta de capacidade em pôr o garoto em perigo. Tudo passou lentamente, poderia jurar que acompanhou todo o trajeto que o projétil percursou velozmente. E no mesmo segundo que parou os olhos no peito do rapaz, admirou o sangue manchando cada espaço da sua camiseta. Ele gritou, porém, não de imediato. Quis acreditar que tudo era uma mera mentira, que fosse um pesadelo horrendo, mas não era nada daquele tipo. Aproximou-se de Nathan, observou o corpo do garoto amolecer e teve certeza de que o que escorria pelas suas bochechas eram as lágrimas incansáveis.
Landon prendeu o homem, socou o seu rosto com o punho fechado, até que tivesse certezas de que havia desmaiado. O sangue da sua mão era dele, misturou-se com o do próprio nariz, pingando à testa do mafioso caído ao chão. Quis gritar, se espernear, chamar pelo nome de Deus e pedir uma fórmula para que tudo voltasse desde que a porta foi batida. Os zumbis estavam eufóricos afora, sentiam o cheiro do sangue, o som do tiro, da confusão, do caos, e queriam esmurrar a porta para que conseguissem entrar. Mas os irmãos não se assustaram, não possuíram os próprios corpos pelo medo, mas sim, por um sentimento de inutilidade e incapacidade de ter protegido uma única pessoa.
E o mais velho passou as mãos pelos cabelos finos, andou de um lado para o outro enquanto carregava a derrota nos olhos e na expressão. Seu peito ardia.
Lince, por outro lado, agarrou o corpo da criança e prometeu à si mesmo que nunca mais soltaria. O apertou, tentou estancar o sangue com as próprias mãos, queria que o menino voltasse à respirar com normalidade. Seus olhos brilhavam, mas não de felicidade, era difícil enxergar com a visão turva, e aquela emoção era semelhante à como se alguém tivesse aberto um buraco gigantesco no seu peito.
— Oh, Nathan, por favor.. — e ele chorou, soluços saíram do seu ser. Apertou o corpo do menino ao seu colo, encarou o rosto dele e acariciou a sua bochecha, manchando a pele de vermelho por consequência. — Nathan..
— Lince, o meu peito está doendo.. — era difícil para a criança falar, sentia a munição presa dentro do próprio coração. Cada vez que os seus pulmões se enchiam, doía intensamente. E o coreano quis reverter aquela dor para que ele próprio a sentisse. — Eu vou ficar bem, não é?
Lince nem sequer limpou as lágrimas. Tentou forçar um sorriso esperançoso.
— Sim, você vai. Não se preocupe. — consolou, porém, ele era quem mais precisava daquilo. Fitou as íris de Nathan por instantes, viu uma lágrima sôfrega escorrer do olho do rapaz. Seu coração doeu. — Vamos todos sobreviver, fique calmo. Você só precisa respirar um pouco, consegue fazer isso para mim?
— Lince.. — ele foi chamado pelo irmão, sentiu a palma dele encostando no seu ombro. Landon quis aliviar a situação, mas sabia que não seria bom prolongar uma tortura tão intensa.
— Eu vou morrer, não é? — a pergunta de Nathan desmoronou o mundo do coreano. Ele chorou, colocou para fora tudo o que tanto precisava, mas parecia que nunca iria se transformar em alegria. — Não precisa chorar, está tudo bem. Eu vou falar para os deuses que você foi uma pessoa incrível, eles vão gostar de você, Capitão Lince.
— Não precisa contar, você não vai morrer. Entendeu? — Lince o chacoalhou, prendeu os seus braços ao corpo do rapaz tão forte que quis levá-lo à outro mundo, um mais alegre. — Olha, nós vamos sair desta situação, vamos viajar para a França e tomar sorvetes bem debaixo da torre de Paris. Você vai ficar bem, tudo vai acabar da melhor forma possível.
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Hopeless To Survive - By. LaynB_ E Mottxh
TerrorO único sentimento instintivo que é mais forte do que o materno, é o da sobrevivência. A cidade era Poterfield, conhecida pelo seu espetacular pôr do sol. Não possuía muitos pontos admiráveis e nem uma população aclamada, seria calúnia dizer que nã...