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O tempo parece parar, porém logo é quebrado quando ele se levanta.

- Durma, seu dia foi longo.

Sai apagando as luzes do meu quarto, achei que seria difícil dormir depois disso tudo, mas realmente estou cansada, a semana está cobrando o seu preço.

Acordo, faço toda a minha higiene e já desço pra tomar meu café. Encontro minha mãe na cozinha.

-Bom dia!

-Minha filha! Eu ia levar o café no seu quarto, não precisava acordar tão cedo.

- Acho que já é o costume. Estou morrendo de fome.

Nem espero ela por a mesa, saio catando tudo na bancada e fogão. Me sento, começo a devorar, literalmente devorar. Não sabia que estava com tanta fome, minha mãe se alegra com o meu apetite. Conversamos um pouco como se nada tivesse acontecido. Hoje não terei aulas, por motivos bem óbvios, então decido ler um pouco, vou até a mini biblioteca, escolho meu livro. Com um pouco de dificuldade deito no sofá, estou com uma roupa bem larga e curta, não queria nada apertando meu corpo.

De repente a porta é aberta, por causa dos hematomas não levanto, só olho por cima do ombro, vejo Dimitri e Ivan. O primeiro olha até pro teto, já o segundo me ignora. Os dois dão bom dia seguindo pro escritório.

Continuo na mesma posição, mas acabo dormindo. Sinto meu corpo ser levantando, olha só, a segunda vez na semana! Sinto aquele cheiro familiar, é Ivan quem me carrega.

- Já avisei a você para não ficar com esses trapos minúsculos pela casa.

-Você tinha dito a noite, senhor Tchaikovsky.

Ele me encara incrédulo, abro a porta do meu quarto pra ajudar.

-Você não precisa ir trabalhar hoje! Deve descansar, seus patrões estão exigindo muito de você.- diz me colocando na cama, se estica por cima de mim para pegar o edredom, o seu peito roçando nos meus seios. Misericórdia! Como que descansa agora?

- Na verdade, é só temporário, a menina volta amanhã. Mas eu gostei da experiência da cozinha, aprendi muitas coisas!

-Sim, eu percebi. Olga me trouxe todos os seus doces! Estavam uma delícia.- ele me cobre enquanto terminar de falar.

Tivemos mais interação nesses últimos dias do que em 5 anos. Queria manter isso por mais um tempo, mas ele toca o meu nariz, diz pra eu descansar e sai do quarto.

Impossível! Percebo quando se passa 1h, não consigo dormir. Resolvo descer, a casa está um silêncio total, chamo por Olga, procuro em todos os lugares, deve ter saído.  Entro na biblioteca, não há nenhuma luz acesa, vou tateando até encontrar a cadeira que fica no canto da sala, talvez eu consiga dormir aqui. Acabo tropeçando e caindo de cara na cadeira, porém não está só a cadeira, sorte que não bati o rosto tão forte, o homem me pega pelos braços e me senta em seu colo, antes de ficar tensa, reconheço o cheiro. Ai papai, é ele! Começo a tossir engasgando com a descoberta, ficando tensa por saber que é ele.

- Está tudo bem? Se machucou?

-Uhum, não quebrei nada. Me desculpe, achei que não tinha ninguém em casa.

Estou muito tensa, isso nunca tinha acontecido, é impossível fingir costume. Ivan está com uma mão nas minhas costas, sua respiração muito próxima do meu pescoço, me causando arrepios por todo o corpo. Sinto-o respirar profundamente antes de nos erguer lentamente. Um corpo quente desse, bicho!

-Vou deixá-la descansar, ainda vai trabalhar certo?

Me sinto meio mole ao sentir suas mãos acariciando minhas costas, seu corpo colocado a minha lateral, essa voz, essa respiração... Misericórdia!

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