A vida da gente sempre é complicada, não é? Nunca consegui entender o motivo de perder tantas coisas e sofrer tanto. Primeiro a mãe que eu nem conheço, depois irmãos que me desprezam e fazem de tudo pra infernizar, fora me machucar fisicamente e psicologicamente.
Bem, ainda falta o meu pai que é um machista e sem coração! Sendo a única mulher entres os quatro filhos dele, me despreza igualmente, por ser a caçula acabo recebendo todo o maltrato do meu pai, que nem deveria ser chamado de pai.
Os filhos homens já estão muito grandes para apanhar, logo viro um alvo muito fácil, não só para ele como para meus irmãos.
Entretanto, uma coisa ele sempre fez questão de guardar, minha virgindade, diz que a usará no tempo certo. Pelo visto a hora chegou.
Nikolai se vira pra mim com um sorriso diabólico, um frio atravessa todo o meu corpo. Estou tremendo e tentando não chorar, porém é inevitável, quanto mais as lágrimas descem, meu corpo treme e mais ele se satisfaz. Sei que ama sentir, perceber o cheiro do medo, com o tempo percebi que isso o deixava excitado.
Passando a mão do tornozelo a metade da minha coxa ele se aproxima do meu ouvido.
-Sabe é uma pena eu não ser o seu primeiro, papai foi tão cruel nessa decisão. Você nem é minha irmã por inteiro.
Percebendo que a cada segundo meu corpo vai ficando tenso, o desgramado começa a fazer círculos na minha coxa e posso sentir seu sorriso contra a minha orelha.
-Sou sua meia irmã Nikolai, por isso que não é certo fazer o que está pensando, eu nunca o vi além de um familiar.
Ele bufa perto de mim, rangendo os dentes, com uma mão aperta bem o meu rosto e o vira em sua direção, fazendo com que nossos narizes se toquem.
-Você não é nada, não existem palavras para te dar um significado. Nunca será um familiar, sua mãe é uma grande puta e você só poderia ser uma extensão disso. Não pense que em algum momento iremos defender você como irmã! Estamos muito felizes que finalmente estamos nos livrando de você, até nosso pai ficou feliz, a dívida que tínhamos com Ivan está sendo quitada através de você, mas ele nem te queria. Poderíamos ter pago, mas resolvi que iríamos matar dois coelhos com uma cajadada só!
Ele empurra a minha cabeça e caio no chão do anexo ao lado do escritório, rindo começa a ajeitar o paletó. Não consigo parar de chorar, a raiva está me consumindo, como que minha própria família pode fazer isso comigo? Como que minha mãe me abandonou? Que ódio, que raiva! Que dia triste...
Ele me levanta pelos cabelos, tento ao máximo não chorar mais, depois de me recompor, ele agarra no meu braço para seguirmos ao escritório. Pela brecha da porta podemos ver que os homens estão furiosos. Me encolho mais quando vejo Iuri segurando uma arma na cara do segurança que nem se importa, simplesmente vai mais pra cima dele. Então, tudo se acalma. O segurança se afasta, meu irmão guarda sua arma e ali aparece um homem loiro bem alto. Seu olhar transmite calma, mas noto algo a mais... raiva, muita raiva.
Nikolai aperta mais firme meu braço e abre a porta. Tento fugir em um lapso de loucura, porém pegando pelo meu cabelo, puxa meu corpo contra o seu. Nos aproximando de Ivan, agora está mais do que claro que é ele! Que parecendo indiferente a minha situação, nos olha sem muito entusiasmo.
-Aqui está ela, sua dívida está quitada!
-Você não manda em mim, quantas vezes vou ter que dizer?
-Sabemos que ela não vale muita coisa, mas é virgem e bonita. Você irá tirar bom proveito, coma, faça sua escrava, empregada! Não nos importamos, só queremos que tudo seja pago.
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Inevitável
RomanceAVISO: Este é um livro que retrata a violência em diversos níveis, seja na sua maneira física ou psicológica. Não recomendado para menores de 18 anos. A história narrada pela autora sobre a máfia Tchaikovsky é única e, exclusivamente, fictícia; faze...