A Vida me escolheu.

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Num frio cortante,  numa chuva fina
Debaixo de uma marquise,  esperando a Vida passar.
E Ela insistia em não passar.

A Vida só esperava.
Nem a minha e nem a deles.

A fumaça, o álcool e o cheiro de erva
E os moradores de rua viajando,
Esquecendo a vida parada
Em conversas viajadas, embriagadas, alucinadas, paranóicas, que não terminavam.

Uma vida que não acabava nunca,
Uma vida sem fim
Quando sobreviver ainda era o plano
E só se morria de desgosto
Se a vida com a morte fizesse gosto.

E tudo era assim
E a Vida me escolheu,
Porque a escolha era minha.
Só que nada mais seria.
Porque a minha escolha
Era a Vida quem escolhia.

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