Desço as escadas enferrujadas
Da pensão dos Esquecidos.
Passo por pessoas descontentes.
Por educação, finjo cortesia
E os cumprimento.
Alguns ignoram.
Dou de ombros e vejo que
Não sou o único
Cuzão no Mundo.
Ouço pequenas ofensas.
E risadas de sarcasmo.
Vozes que parecem de demônios.
Passo pelo corredor da morte
E, finalmente, alcanço a rua.
Atravesso uma avenida caída
E vou até um parque desolado.
Caminho entre pessoas absortas ,
Indiferentes, cheias de si , vazias,
Enfim... vejo uma fauna.
Tento ser gentil, mas não levo jeito.
Acho que assusto...e rio desse defeito.
Ser Humano não é meu forte...
Rio disso também.
Consigo conversar com um certo senhor
Que mostra certo rancor e
Despeja certas verdades.
Concordo com todas elas,
Sem concordar com nenhuma...
Ser gentil não é meu forte,
Mas o certo senhor só queria desabafar...
E eu ouvi até me arrepender
De tanto querer conversar...
Interrompi aquele discurso,
E corri até me cansar.
Retorno pra pensão dos Esquecidos.
Cansado, não da corrida,
Mas do certo senhor
Que queria falar.
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SOLIDÃO
PoésiePoesias sobre a vida e sobre a solidão. Capa feita por beatrizmayara5661 (Factory Covers)
