Um dia sem poesia.

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Desço as escadas enferrujadas
Da pensão dos Esquecidos.
Passo por pessoas descontentes.

Por educação, finjo cortesia
E os cumprimento.
Alguns ignoram.

Dou de ombros e vejo que
Não sou o único
Cuzão no Mundo.

Ouço pequenas ofensas.
E risadas de sarcasmo.
Vozes que parecem de demônios.

Passo pelo corredor da morte
E, finalmente,  alcanço a rua.

Atravesso uma avenida caída
E vou até um parque desolado.

Caminho entre pessoas absortas ,
Indiferentes, cheias de si , vazias,
Enfim... vejo uma fauna.

Tento ser gentil, mas não levo jeito.
Acho que assusto...e rio desse defeito.

Ser Humano não é meu forte...
Rio disso também.

Consigo conversar com um certo senhor
Que mostra certo rancor e
Despeja certas verdades.

Concordo com todas elas,
Sem concordar com nenhuma...

Ser gentil não é meu forte,
Mas o certo senhor só queria desabafar...

E eu ouvi até me arrepender
De tanto querer conversar...

Interrompi aquele discurso,
E corri até me cansar.

Retorno pra pensão dos Esquecidos.
Cansado, não da corrida,
Mas do certo senhor
Que queria falar.

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