Capítulo IX - Parte Seis

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Um Mesno do Leste...

O que é um Mesno do Leste?

"Preste atenção!"

O garotinho pulou de ressalto, fitando a mulher longa a sua frente, cujos atados cabelos negros iam até sabe-se-lá onde, e os olhos verdes musgo olhavam o horizonte com seriedade, disciplina.

"Se não prestar atenção no que digo, nunca vai ser capaz de sobreviver sozinho. E que Mesno é se não for capaz de sobreviver por conta própria?"

Censurado, o menino abaixou a cabeça.

Ao redor de ambos, havia branco por toda parte. Era sempre engraçado como nos invernos a neve parecia engolir tudo, deixando o mundo invisível, oculto sobre uma grande camada fofa de gelo, uma tela para pintar.

A mulher suspirou "Estava dizendo que os Mesnos do Leste, mesmo sendo aliados, são nossos principais rivais desde a era da guerra. Seus clãs conquistaram grandes porções de terra neste continente, varrendo a paisagem por onde passavam, até finalmente se alocarem na região Leste, por isso o nome." sua voz era rouca, gélida, e algo nela deixava o garotinho triste. "Agora, sabe como reconhecemos esses Mesnos?"

"Os o-olhos?" O menino hesitou, tentando decidir se eram vermelhos ou azuis.

"Sim, seus olhos são vermelhos. E o cabelo deles também é tipicamente dessa cor, mas não se deixe enganar, eles podem variar muito em aparência. E qual a especialidade deles?"

O garotinho entortou a boca, não sabendo responder.

A mulher franziu o cenho.

"Sorte sua que não vai ser um guerreiro, senão estaríamos perdidos." uma pausa. Sua cabeça começava a embranquecer com os flocos vindos do céu numa gentil dança. O menino até teria achado engraçado, se não estivesse tão tenso. "Os Mesnos do Leste em sua grande parte abusam muito da força física, isso, entretanto, não significa que não tenham energia mágica também, são quase que guerreiros perfeitos nesse quesito. O maior problema disso tudo é a falta de autocontrole, é aí que nós os superamos."

"Entendi..."

"Valerie, por que está com essa cara?"

E de repente, o menino se viu como um rapaz crescido, quase da mesma altura da mulher. Uma dor aguda cutucava seu estômago, e olhando para baixo, viu a neve sob seus pés manchada de vermelho, enquanto um pequeno buraco atravessava sua barriga.

"Já se esqueceu de tudo que eu te ensinei?" A mulher olhava diretamente em seus olhos, verde no verde, o provocando calafrios que não eram do inverno.

"Preciso acordar!" Valerie se deu conta, olhando em volta à procura de uma saída daquele sonho estranho.

"Perdeu muito sangue, se acordar do jeito errado, poderá morrer."

Mas ele sabia que tinha um jeito de contornar isso...

"Não se esqueça da dor."

O buraco em Valerie dobrou de tamanho, numa espiral que o consumia de dentro para fora, cada vez maior. O mundo de neve foi se dissipando, o rosto da mulher ficando fosco, uma memória que derretia assim como a geada sumia na primavera.

Fechando os olhos, o menino concentrou todo o foco na dor do tiro, por cada veia que deveria passar por ali, por cada tecido partido, pelo orgão ferido. Sentiu sua carne se mover, sangue desacelerar, com os músculos se contraindo e os vasos sanguíneos se fechando, impedindo mais fluídos de irem para fora. Fazer tanta força ao mesmo tempo que sentia tanta dor, era insuportável, mas ele precisava continuar, mais rápido, até o limite, passando por cima de toda a agonia, ele tinha que acordar! Tinha que pôr toda sua energia na regeneração!

Polise [Sendo Reescrito]Onde histórias criam vida. Descubra agora