Capítulo VIII - Parte Um

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O Sol estava em sua posição mais alta do lado de fora. Por volta de meio dia e a temperatura da cidade de Alvere ultrapassou seus padrões, se encontrando mais abafada do que nunca, como se todo o solo soltasse vapor fazendo o calor vir debaixo da terra para cima, cozinhando qualquer indivíduo com os pés no chão. Nessas horas nem a sombra das casas de madeira poderiam livrar as pessoas desse sentimento sufocante: o pico do verão, que sempre chegava nos últimos dias da estação, e vinha como uma baforada quente no rosto.

James usou as costas da mão para limpar o suor acumulado no rosto, e em seguida tratou de arregaçar as mangas da camisa.

Seus dedos alcançaram o cabo da faca, que estava no fogão de pedra já fazia alguns minutos. Observou a lâmina dos dois lados: sua ponta vermelha dizia que já poderia ser usada.

- Jimmy! Se apresse, ela está perdendo muito sangue! - Ele comprimiu os lábios ao ouvir o chamado de sua tia.

Rapidamente fez seu caminho até a parte da casa em que o estabelecimento estava. Chegando lá ele encontrou Allister sentada num dos bancos, de costas pra bancada do bar e sem seu colete usual; também tinha a camisa levantada até um pouco abaixo do peito, exibindo a ferida.

Seus tios, Avílio e Rossi estavam ao lado dela, tentando fazer o possível para evitar que ela caísse inconsciente. Simon estava em outro banco, a parte direita de seu torso nua, exibindo várias faixas enroladas em torno do ombro, ele já havia feito o procedimento.

Estirado ao chão, Lagusa estava desacordado sobre os pés de Sonne, que mantinha Korle bem debaixo de seus olhos caso tentasse algo. E por último, com os dedos roçando uns nos outros sem parar, Valerie encarava as próprias cutículas feridas com os olhos transbordando ansiedade.

O loiro marchou até a mulher, que levantou o queixo para encará-lo. Ela não disse nada, apenas soltou um suspiro dolorido sabendo o que estava por vir.

James ergueu a faca, e pondo seu gume para baixo, aproximou a superfície plana da pele de Allister, aonde o buraco estava: logo abaixo de sua caixa torácica esquerda. Os mais velhos vendo aquilo se apressaram a segurar os braços dela, e em seguida, o som fervente da carne derretendo começou.

A sardenta apertava os dentes com tanta força que ele jurou que iriam se quebrar, seus gemidos foram tudo que puderam ouvir, infestando a sala completamente. Ela não parava de suar e se segurava pra não arrancar aquela faca da posse de James e usá-la para atacá-lo.

Quando o processo acabou, a de cabelos curtos finalmente abriu a boca, puxando e soltando ar sem controle. Mas ainda não era o fim. A parte divertida estava só começando.

- Valerie - O médico chamou o rapaz que estava sentado mais distante de todos, o mesmo rapidamente se pôs de pé. - Lave isto e aqueça novamente - Ele estendeu a mão com a faca, e o Mesno recebendo aquilo, imediatamente correu para a cozinha.

O loiro se virou para a sardenta novamente, estava prestes a abrir a boca e dizer o próximo passo, quando a mulher subitamente girou no banco já se colocando de costas para ele.

- Só acaba logo com isso - Ela o fitou por cima do ombro, e ele assentiu bruscamente.

Valerie voltou com a faca, dessa vez parecia ainda mais avermelhada, só de tocar em seu cabo James pôde sentir a energia tórrida que emanava.

Em seguida ele se aproximou da ferida, seus olhos se arregalaram com a destruição que uma daquelas coisas podiam fazer, era de embrulhar o estômago.

- O estado da saída é sempre pior... - Valerie comentou timidamente, quase que num sussurro para si próprio. James o fitou por um instante e se perguntou se era a primeira vez que o Mesno presenciara isso, e após avaliar seu olhar piedoso, porém não surpreso, concluiu que era muito provável que não.

Polise [Sendo Reescrito]Onde histórias criam vida. Descubra agora