Eu tive um breve momento de lucidez, que durou pouquíssimo confesso, mas o suficiente para lembrar de trancar a porta do quarto de hóspedes. Quando Félix me puxou para o primeiro beijo da noite, eu arfei, sentindo-me quase febril. Sim, o loiro possui esse efeito em mim e eu não sei o que pensar - se é realmente bom estar tão entregue ou se devo estar maluca. Talvez os dois? Posso acreditar que causo um efeito parecido nele, ao entrelaçar o seu pescoço com meus braços, puxando-o mais para perto, e mexendo nos seus cabelos lisos. Dessa vez eu me encontro por cima, esfregando minha parte íntima na dele sem hesitar enquanto rebolo para ele. Gostaria de mandar a preocupação para o inferno, mas é impossível sabendo que os meus pais estão logo ali no final do corredor e que, qualquer barulho fora do normal, eles me procurariam para saber se estou bem.
Certamente, eu não poderia estar melhor, mas prefiro manter a minha vida amorosa com discrição - obrigada.
Félix também não hesitou em retirar o meu pijama e reivindicar os meus seios, colocando-me deitada na cama de solteiro, e eu não perdi tempo a puxá-lo para mais perto com as minhas pernas. Ele trilhou beijos por minha barriga até chegar na minha parte íntima, retirando delicadamente a minha calcinha azul-bebê antes de me sugar com força, fazendo eu colocar uma mão por cima da minha boca por precaução. Eu não sabia o quão falta a sua língua no meu sexo fazia falta, vai entender? E pouco foi a minha surpresa quando cheguei no meu ápice rapidamente, antes dele sequer mencionar que tiraria as calças. Qualquer dia desses eu ainda teria a coragem suficiente de perguntá-lo se ainda sou a sua garota favorita, para ter certeza se sou a única para ele como ele é o único para mim. O loiro tem uma mania sem igual de me deixar em um estado de ebulição tão alto que sinto como se fosse explodir de calor. O mesmo dom que tem de incendiar; ele tem de me restaurar a forma original - eu percebi há poucos segundos atrás, antes de Félix entrar em mim.
Eu encontraria outro alguém capaz de me levar a loucura como o loiro consegue? Não acredito nisso, não nessa vida. Em momentos assim, parece que somos perfeitos um para o outro. Gosto de deixá-lo no controle tanto quanto eu gosto de assumir o comando, como agora, ficando por cima e rebolando de forma intensa - porém lenta, porque tenho o poder de fazer isso e deixá-lo maluco, pedindo mais, e é gratificante. Mesmo aos sussurros, fazendo parecer tudo ainda mais intenso e real. Somente nós dois, sob a luz da lua, sem impedimentos ou máscaras para escondermos nosso verdadeiro eu - e, bem, francamente me sinto revigorada ao saber que Félix não julga nenhum dos meus desejos mais sombrios e ocultos.
A forma como ele puxa o meu cabelo para trás, dizendo para que eu não parasse de me mover, apenas aumentava o calor em meu âmago.
Ele sabe o que faz comigo? Como me deixa? Ah, eu aposto que sim.
Alguns momentos após, o que descubro ter sido quase três horas depois, quando a chama se esfria, eu sei que não seria um momento constrangedor ou importuno. Entendo que, apesar dele me puxar para si e me abraçar, nos cobrindo com o edredom logo em seguida, qualquer movimento brusco do loiro seria a minha ruína - e lá estaria o meu corpo se incendiando novamente por sua causa. Tudo por culpa de Félix, note-se. Estamos juntinhos, aproveitando o calor que ainda resta dos nossos corpos para nos aquecermos, restaurando nossas energias para - talvez? - um dos dois provocar e o outro cair em tentação.
Isso é bem a nossa cara.
"Eu senti sua falta." Pisquei, sentindo o rubor se espalhar por minhas bochechas, ao ouvir Félix dizer essa frase sussurrada no meu ouvido. "Você faz falta, Marinette."
E eu gostaria de dizer que senti a sua falta também.
Muita e muita saudade contida no meu peito.
Mas eu me limitei a virar o rosto, dando um sorriso tímido, e beijando os seus lábios logo em seguida.
Ele não precisava saber, de fato, o que fez com o meu pobre coração na sua ausência.
Ou que eu gostava dele em demasiado e que, quando não estávamos nos falando direito, ficava irritada constantemente por besteiras.
Não, Félix não precisava saber disso.
Nem que ele é único para mim.
Ou que ele é o único que sabe como me incendiar somente com um olhar.
"O que vai fazer quando voltar para a Inglaterra?" Perguntei, descansando a minha cabeça no seu braço.
"Assinar algumas papeladas da empresa do meu pai, consolidando que serei o sócio majoritário, como um dia ele já foi, e revisar quem senta na mesa de reuniões." O loiro bufou e eu pude sentir que balançou a cabeça. "Pela última vez que visitei o lugar, posso afirmar que dezessete pessoas precisam ser mandadas embora."
Arregalei os olhos, surpresa.
"Quantas pessoas se sentam na mesa?" No caso, os líderes, gestores e sócios que a compõem.
"Vinte, contando comigo."
Pisquei, voltando a encará-lo.
"São muitas pessoas." Félix sorriu com o meu comentário. "Empresa de..."
"Desenvolvimento eletrônico." O loiro me abraçou, puxando-me para o seu peito. "Acredite em mim, vou fazer um favor para aquele lugar retirando essas pessoas."
"Eu acredito, sim." Félix não me deu muitos detalhes do que faria ao tomar o gerenciamento da empresa, somente que o pai dele, antes de falecer, gostaria que o loiro fosse o presidente e que melhorasse a comunicação mundial por meio eletrônico. Acredito que não teria outra pessoa melhor para prestar esse papel do que o homem deitado ao meu lado e, como havia se formado no ano anterior e os seus deveres escolares não existiam mais de forma alguma, ele poderia se dedicar somente a esse emprego.
Conversamos um pouco mais sobre a empresa dele e, surpreendentemente, o loiro perguntou sobre o meu trabalho com Audrey. Contei o quanto eu gostava do emprego e como não via a hora de mostrar uma nova coleção, que estou desenvolvendo com a Chloé, para a mais velha. A muito custo, consegui não falar demais sobre um dos meus assuntos favoritos - mas, ao que pude ver, não que Félix se importasse. Ele pareceu interessado demais no que eu tinha a dizer, sem perder detalhe algum e comentando no que julgava importante a sua opinião. Dificilmente eu encontrava alguém de outro departamento tão interessado na minha área e, confesso, deixou o meu coração ainda mais aquecido. Parecia bom demais para ser verdade? Tudo está ocorrendo de forma adequada e, por mim, continuaremos assim. Dei tempo ao tempo e o loiro apareceu novamente na minha vida, mas de uma forma ainda melhor e com revelações bombásticas. Fico feliz que nada seja um sonho.
Até, bem, Félix perguntar se eu gostaria de passar alguns meses em Londres junto dele, quando eu me formasse.
Eu não esperava precisar responder essa pergunta tão cedo.
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Desafia-me - Miraculous/Felinette
FanfictionOnde Marinette se sente perdida, ao ver Adrien beijando a ex-namorada no meio da praça, e somente Félix conseguiria fazer com que a mestiça se sentisse bem de novo. "Eu estava no inverno da minha vida, precisando colocar as outras pessoas em primeir...