Faz quinze dias que voltei de Londres.
Faz quinze dias que Félix me deixou no aeroporto.
Faz quinze dias que mal falo com ele.
Bem, faltam somente seis dias para serem vinte e um dias. Segundo Alix, esse é o tempo máximo para desapegar. Não que esteja contando, claro. Imagina! Eu não estou reclamando da falta de contato, sequer firmamos algo, e realmente era melhor mesmo não falar com o loiro todos os dias. Assim corria menos riscos de eu realmente me apaixonar por ele. Mas, confesso, sinto falta da sua expressão séria e humor ácido ou da forma como ele me segurou em seus braços e me chamou de sua. Ao invés de continuar pensando nele, deveria focar no trabalho que tenho que entregar no colégio e na pilha de papelada que Audrey distribuiu entre Chloé e eu. Procurei deixar o meu celular no mudo também. Para que não corresse risco de chegar alguma notificação e eu ousar pensar que seja o britânico.
Santa primeira Ladybug!
Algumas noites não deveriam ter o poder de deixar ninguém assim.
Horas mais tarde, na ronda noturna, eu evitei ao máximo as piadas sem graça de Chat Noir, muitas vezes brigando para que ele prestasse mais atenção ao redor. Eu senti que estava colocando pressão desnecessária, sequer tinha menção de algum novo akuma surgir, e o loiro avisou que, caso eu precisasse conversar, bastava chamar. Mas o que eu poderia falar ao meu gatinho? Que estou irritada por pensar demais em alguém que não é nada meu? Que eu estou estressada por não saber como começar uma conversa com ele? Chat Noir parece ter muitos problemas reais nas costas para ficar ouvindo os meus, que nem de verdade são.
Vermelho combina com você.
Eu sinto como se eu tivesse quebrada.
Não, Félix não fez nada.
Como poderia?
Talvez eu não deveria tê-lo deixado entrar naquele dia, pouparia-me de estar me sentindo despedaçada por dentro.
Eu me julgava uma mulher forte até ele aparecer, bagunçando a minha mente e o meu coração.
Nenhum outro homem que já tive, fez tamanho estrago como Félix havia feito.
O pior? Não sei como me curar.
"Tikki." Chamei a kwami.
Estávamos no caminho do colégio, eu acordei mais cedo e resolvi ir andando.
"Pode falar, Marinette."
"Já se pegou tentando mudar algo que você não tem muito controle? Quer dizer, algo sentimental. Eu posso estar num impasse ou dilema, não sei exatamente e me machuca bastante."
"Bem, você pode ver a situação com outra perspectiva. Você mesmo disse que não queria nada, Marinette, e agora está triste porque mal se falam?" Tikki não esperou que eu respondesse para continuar o monólogo. "Dê tempo ao tempo. Ele pode te procurar quando precisar."
"Talvez assim seja melhor, não é?" Perguntei, respirando fundo. "Assim não corre o risco de nos apaixonarmos de verdade."
"Ah, sim. Até porque seria complicado vocês morarem em países diferentes."
Eu consegui deixar essas questões envolvendo Félix guardadas no fundo da minha memória, e surpreendentemente consegui mudar o foco. Apenas eu, o colégio, minhas obrigações e às vezes o Instagram. Passou-se outra semana, finalmente bateu os vinte e um dias que Alix mencionara e, sinceramente, eu acreditei que estava melhor. Quem precisa de um britânico bonito e gostoso? Voltei à estaca zero, mas nunca havia me sentido melhor e bem na hora, visto que Adrien teve uma pequena discussão com Kagami, uma que presenciei, e eu estava tentando fazê-lo se abrir. Eles não haviam voltado, todavia, ela estava tendo comportamentos obsessivos e esquisitos para com o loiro. Não parecia a Kagami que conhecemos, mas fazer o quê? Se alguém me dissesse que eu, algum dia, ficaria nua na frente de Félix, eu teria ficado constrangida e pensando seriamente em chamar a pessoa de maluca.
"Adrien, temos um trabalho em dupla para entregar. Você não vai escapar de mim tão cedo!" Exclamei para o loiro, apontando para o seu peito. Estávamos na biblioteca, selecionando quais livros nos ajudariam no trabalho de história, e a bibliotecária já havia me dito para calar a boca duas vezes. "Vocês não voltaram, certo?"
"Sim."
"Então por que ela agiu daquela forma?"
"Porque, dessa vez, quem não quer sou eu." Adrien bufou, negando com a cabeça enquanto tirava um livro da estante. "Não me leve a mal, ela é uma pessoa muito boa, mas eu não quero ter o meu psicológico abatido. Já tentamos duas vezes e não deu certo, não quero fazer o melhor de três."
Eu mordi o lábio inferior, franzindo a testa.
"Tem razão." E eu admirava a maturidade do meu melhor amigo.
Quem diria?
Se as respostas e curtidas a story haviam começado algo entre nós, com certeza também seriam a minha ruína. Após selecionarmos três livros para iniciarmos o trabalho de história, eu fiquei escorada em uma das mesas e mexendo no Instagram, aguardando Adrien, que havia ido retirar os livros com a bibliotecária, voltar. O meu recorde máximo de dias sem abrir o story do primo dele haviam sido três dias, resolvi abrir hoje e não gostei da foto que vi. Apesar de jurar que não sentia nada por ele, experimentei a sensação de dor no coração. Foi como se ele tivesse sido estilhaçado por conta de uma única imagem: um repost em uma foto contendo cinco pessoas, duas muito juntas, Bridgette abraçando o pescoço de Félix e ele tão sério que eu poderia jurar que, após a foto ter sido batida, ele mandou todos a merda. Seria a cara dele.
Engoli o seco.
Ela havia postado a foto e marcado as outras quatro pessoas presentes.
Félix disse que...
Respirando fundo, fechei os olhos e contei até cinco. Isso não podia estar acontecendo comigo, ou poderia? O loiro não passava de um curto caso que tive, apesar de nossos olhos contarem algo a mais. Félix não daria atrás com a sua palavra de cavalheiro, eu entendo, mas o meu cérebro esqueceu de mandar esse aviso para o meu coração.
"Pronto! Nós podemos... o que houve?" Adrien perguntou, tocando o meu ombro. Eu neguei com a cabeça, enfim encarando o loiro. Ele viu o story, que eu não havia deixado passar, e arqueou uma sobrancelha. "Ele não presta." O loiro afirmou, puxando-me para um abraço apertado, e mesmo eu querendo brigar com ele, exclamando que seu primo prestava sim e era um ótimo homem, seria uma batalha perdida. "Vamos pra minha casa fazer esse trabalho, sim?" Chamou, dando um beijo no topo da minha cabeça.
Eu me limitei a concordar com a cabeça, guardando o meu celular e os livros, para irmos até a mansão Agreste.
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Desafia-me - Miraculous/Felinette
FanficOnde Marinette se sente perdida, ao ver Adrien beijando a ex-namorada no meio da praça, e somente Félix conseguiria fazer com que a mestiça se sentisse bem de novo. "Eu estava no inverno da minha vida, precisando colocar as outras pessoas em primeir...