DESAFIO DE ESCRITA

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Um trexo onde o personagem principal percebe que está apaixonado pelo seu maior inimigo.


   Seu sangue fresco escorre por entre minhas mãos e mancham minhas roupas, enquanto caio de joelhos com o seu corpo desfalecido em meus braços, observo a adaga cravada em teu peito, o seu sangue fluía como em uma nascente.
 
   Procuro por seu rosto qualquer sinal de que ainda esteja comigo, seus olhos ficando opacos me dizem o óbvio, os últimos resquícios de vida estão deixando o teu ser.

   O seu corpo se contorne em uma tosse compulsiva que se acalma aos poucos, seguro o teu rosto entre minhas mãos trêmulas fazendo com que olhe nos meus olhos uma última vez, em um ato impulsivo selo os meus lábios aos seus, sem me importar com o gosto de sangue em sua boca, sinto os seus dedos se enroscarem entre as mechas do meu cabelo e, não posso deixar de sorrir com o pequeno ato.

   Todas as vezes em que nós nos encontramos, nós nos faríamos, a dor maior não era a física, eu tentei resistir a esse sentimento e esconde-lo  nas profundezas do meu ser, sei que não poderia, não poderia estar ali, não poderia estar sentindo tamanha necessidade.
 
    Nunca imaginei que nesse jogo eu encontraria tudo o que eu tanto quis,o que eu tanto busquei, por um instante eu sinto que você expulsou todos os meus demônios, e me trouxe paz.
 
    As lágrimas correm pelo meu rosto sem rumo algum, a medida que o desespero começa a tomar meu corpo ao dar-me conta do que acabara de cometer, não adianta gritar, ninguém está perto o suficiente para ouvir, não há mais nada que possa ser feito, não há mais tempo.

   Um grito arde em minha garganta ao ver a vida deixar o teu corpo por completo,enquanto seus olhos permanecem abertos, cravados em meu rosto, como se estivesse em um estado de hipnose, é tarde demais para voltar atrás...
  
    Eu a matei.

    Eu matei quem eu descobri amar mais profundamente

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