005: Que luzes?

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Kristy Point of View

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Kristy Point of View



O silêncio da casa do Mike não era exatamente calmo.
Era aquele tipo de silêncio tenso, cheio de respirações espalhadas pelos cômodos, rangidos da madeira, passos que não aconteciam, mas que o cérebro insiste em imaginar.

Eu estava sentada no chão do porão, encostada no sofá, com um cobertor jogado sobre os ombros. Minha cabeça ainda latejava, como se alguém tivesse deixado um eco dentro de mim. Cada vez que eu fechava os olhos, sentia o rastro dele. Do Vecna. Não a presença inteira — só a marca.

Max estava sentada ao meu lado, de pernas dobradas, o walkman apoiado no colo. A fita girava lentamente, mas ela não tinha colocado os fones.

A casa inteira dormia.

Lucas jogado numa poltrona, Dustin esticado no chão com um cobertor do Scooby-Doo, Steve roncando no sofá como se nada no mundo pudesse matá-lo, Robin dormindo atravessada numa cadeira, e o Mike e a Nancy lá em cima.

Só nós duas acordadas.

Eu puxei o cobertor um pouco mais sobre nós duas e passei o polegar, devagar, pelo dorso da mão dela. Um gesto automático. Meu corpo ainda precisava confirmar que ela estava ali. Viva. Inteira.

— Você tá me olhando assim desde que amanheceu — Max murmurou, sem virar o rosto.

— Tô conferindo se você não vai desaparecer — respondi baixo.

Ela soltou um meio sorriso, cansado, e finalmente me encarou.

— Eu quase desapareci.

Meu peito apertou.

— Não fala isso — pedi. — Nem de brincadeira.

Ela se aproximou mais, encostando a testa na minha. O contato fez minha respiração desacelerar, como se meu corpo finalmente entendesse que o perigo tinha passado. Pelo menos por enquanto.

— Quando eu tava lá... — ela começou, mas parou. Engoliu em seco. — Eu ouvi você.

Fechei os olhos por um segundo.

— Eu tava com medo de não conseguir chegar até você — confessei. — Quando eu absorvi a energia dele... Max, foi horrível. Era como se ele estivesse tentando ficar dentro de mim também.

Ela levou a mão até meu rosto, segurando com cuidado, como se eu fosse quebrar.

— Você não devia ter feito isso sozinha.

— Eu sei — respondi. — Mas se eu tivesse que escolher de novo... eu faria tudo igual.

Os olhos dela brilharam.

— Você me puxou de volta porque me ama — ela disse, simples. Verdade crua.

Assenti, a garganta apertada.

𝐈'𝐚𝐦 𝐇𝐞𝐫𝐞 𝐍𝐨𝐰 • 𝐌𝐚𝐱 𝐌𝐚𝐲𝐟𝐢𝐞𝐥𝐝Onde histórias criam vida. Descubra agora