010: O Peso da Escuridão

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A casa estava silenciosa demais

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A casa estava silenciosa demais. Nem a Max, nem Onze ousavam entrar no quarto de Kristy; havia algo pesado no ar, uma presença que parecia pulsar de dentro da porta trancada.

O quarto estava escuro, apenas uma fresta da luz da rua entrando pela janela. O som baixo da respiração de Kristy ecoava pelo espaço, irregular, como se cada inspiração custasse mais do que deveria. Ela estava sentada no chão, encostada na parede, com os joelhos abraçados ao peito. Seus olhos estavam abertos, mas vidrados, refletindo algo que não era totalmente humano — a mente dela já não pertencia só a ela.

Max se aproximou da porta, tocando delicadamente a maçaneta. — Kristy... você... a gente precisa conversar...

Mas Kristy não respondeu. Não era raiva, nem birra. Era... vazio. Um silêncio pesado, carregado de memórias de mortes, gritos, tortura, de tudo que Vecna havia feito — agora dentro dela.

Onze entrou devagar, controlando a respiração, tentando não assustar. — Kristy... escuta... nós estamos aqui. Você não precisa enfrentar isso sozinha.

Kristy ergueu a cabeça devagar. Seus olhos estavam sombrios, com um brilho que lembrava o próprio Vecna. A voz saiu baixa, mas firme, carregada de algo que congelava a espinha.

— Eu... eu não consigo... — ela começou, mas engasgou com os pensamentos que invadiam sua mente. — Ele está aqui... em mim... cada grito, cada morte... cada tortura... tudo... tudo está gritando dentro de mim.

Max e Onze trocaram um olhar. A situação era mais grave do que haviam imaginado. Onze se aproximou, tentando contato físico, mas Kristy recuou, como se qualquer toque pudesse acender o caos dentro dela.

— Kristy... olha pra mim — Onze insistiu — Você é mais forte que ele. Você absorveu o poder dele, sim, mas isso não precisa te destruir. Não agora. Não ainda.

Kristy fechou os olhos, tremendo, e murmurou:

— Não é só poder... — a voz dela se tornou quase inaudível, distorcida — são todas as memórias... todas as mortes... cada rosto... cada grito... cada momento de dor... Ele... ele não vai embora... Ele não quer ir...

A escuridão começou a se manifestar no quarto, pequenas sombras se agitando nas paredes, como se respondessem à presença de Vecna dentro dela. O ar parecia mais denso, pesado, carregado de uma energia que queimava. Max segurou a mão dela, mas foi empurrada com força, sem intenção, como se a própria presença de Vecna repelisse qualquer ligação.

Kristy começou a sussurrar, incoerente, cada frase misturando lembranças de Vecna com sua própria voz:

— Eu... posso sentir cada morte... cada medo... cada tortura... posso fazer doer... posso sentir o poder... posso... eu posso...

Onze deu um passo à frente, tentando usar seus poderes para ajudá-la a se concentrar, mas Kristy virou a cabeça rapidamente, os olhos se tornando completamente negros por um instante.

— NÃO! — gritou Kristy, a voz agora misturada com a de Vecna — Eu... EU SOU ELE!

Max recuou, chocada, sentindo uma onda de energia percorrer o quarto. As lembranças de Vecna — toda a dor, crueldade, morte e sofrimento — pareciam emergir de Kristy em forma de uma aura negra que pulsava e ondulava, ameaçando engolir tudo ao redor.

Onze gritou, tentando quebrar a barreira: — Kristy! Kristy, isso não é você! Você pode controlar isso! Eu sei que pode!

Por um momento, houve silêncio absoluto. Então, lentamente, Kristy deixou a cabeça cair sobre os joelhos, e sua respiração começou a ficar mais controlada... mas havia algo mudado. A escuridão ainda estava lá, pairando sob a superfície, latente, aguardando o momento certo para se expandir novamente.

Ela levantou a cabeça devagar, olhos ainda sombrios, mas agora com um sorriso frio, quase imperceptível.

— Talvez eu não precise mais controlar... — sussurrou, a voz carregada de uma mistura de Kristy e Vecna. — Talvez agora... eu seja ele.

Max e Onze trocaram um olhar tenso, percebendo que a batalha não havia acabado. Kristy havia absorvido Vecna... mas ela não era mais só Kristy.

O quarto tremeu levemente, como se as paredes sentissem a presença da escuridão que agora residia dentro dela.

— Nós vamos te ajudar — Max disse firme, mas sua voz tremia. — Não importa o que você se tornou... ainda podemos te salvar.

Kristy sorriu lentamente, com os olhos negros cintilando.

— Salvar? — murmurou, a voz agora ecoando com ecos de Vecna. — Não... ninguém me salva agora. Ninguém.

O silêncio voltou, mais pesado do que antes, e a sensação era de que algo muito perigoso tinha sido despertado. Algo dentro de Kristy. Algo que poderia mudar tudo.





✨ Despedida e Gratidão ✨

Chegamos ao fim desta história, e que jornada incrível foi! 😭💖

Quero agradecer de coração a todos que me acompanharam desde a primeira versão do livro — vocês que estiveram comigo, torceram pelos personagens mesmo antes das mudanças, comentaram, criticaram, vibraram e ajudaram a moldar essa história. Cada mensagem, cada curtida e cada comentário antigo significou muito e me motivou a tornar essa narrativa ainda melhor.

E também um agradecimento enorme aos leitores que chegaram agora, que começaram a acompanhar depois da rescrita completa — vocês que conheceram os personagens sob uma nova perspectiva, com capítulos mais longos, diálogos mais intensos e uma narrativa aprofundada. Espero que tenham sentido cada emoção, cada tensão e cada romance exatamente como eu quis que fosse.

Rescrever o livro foi um desafio enorme, mas também uma experiência incrível. Cada detalhe foi repensado, cada cena revisitada e cada personagem teve espaço para crescer e se tornar ainda mais complexo. Saber que vocês embarcaram nessa versão renovada comigo faz tudo valer a pena.

E, claro, nem tudo termina aqui... A mente da Kristy continua marcada pelo Vecna, e talvez, muito em breve, possamos explorar como ela lida com todo o poder, toda a culpa e os horrores que absorveu. A história já uma continuação — mais intensa, mais sombria, mais desafiadora.

Obrigada por estarem comigo nessa jornada, por lerem, comentarem e curtirem cada capítulo. Vocês fizeram parte da história tanto quanto qualquer personagem que criamos juntos. 💕

De coração, obrigada a todos — antigos e novos leitores. Vocês são incríveis! 😍

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𝐈'𝐚𝐦 𝐇𝐞𝐫𝐞 𝐍𝐨𝐰 • 𝐌𝐚𝐱 𝐌𝐚𝐲𝐟𝐢𝐞𝐥𝐝Onde histórias criam vida. Descubra agora