004: Pesadelo

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Kristy Point of View

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Kristy Point of View

A Max estava deitada de lado, virada pra mim, brincando distraidamente com a ponta do cobertor. Eu encarava o teto, mas sentia o olhar dela em mim, insistente, curioso.

— Você ficou estranha hoje — ela comentou, num tom leve, como quem não queria que soasse importante.

— Estranha como? — perguntei, virando o rosto devagar na direção dela.

Ela deu de ombros.

— Diferente. Não ruim... só diferente.

Ficamos alguns segundos em silêncio. O tipo de silêncio que não incomoda, mas pesa. A chuva batia fraca na janela, e o quarto parecia pequeno demais pra quantidade de coisas não ditas ali.

— Aquele lugar... — ela começou, mas parou. — Aquela casa me deu arrepios.

— Também — respondi. — Parecia tudo... errado, mesmo quando tava "normal".

A Max assentiu, concordando. Sem perceber, ela se aproximou um pouco mais. Nossos ombros acabaram se encostando, e nenhuma de nós se afastou.

— Você ficou comigo o tempo todo — ela disse, mais baixo. — Isso foi... bom.

Meu coração acelerou um pouco, mas tentei manter a voz firme.

— Claro que fiquei.

Ela virou o rosto pra mim de novo, me observando com atenção demais pra ser casual.

— Às vezes eu esqueço que você não é só... — ela fez um gesto vago com a mão. — Minha melhor amiga.

Engoli em seco.

— E o que mais eu sou? — perguntei, sem encará-la direto.

A Max não respondeu de imediato. Em vez disso, estendeu a mão devagar, como se estivesse testando o terreno, e tocou meus dedos. Foi um contato rápido no começo, quase sem querer. Depois, firme o suficiente pra não parecer acidente.

— Não sei — ela respondeu, por fim. — Mas eu gosto de pensar nisso.

Senti um sorriso nascer sozinho, pequeno, contido.

— Eu também — murmurei.

Ela apertou meus dedos de leve, um gesto simples, mas que fez meu peito esquentar de um jeito diferente. Não tinha pressa, nem certeza, nem rótulo. Só aquela sensação estranha e boa de algo começando.

A Max apoiou a testa no meu ombro, suspirando.

— Promete que não vai ficar estranho?

— Já tá estranho — respondi, com um sorriso de canto. — Mas do tipo bom.

Ela riu baixinho, fechando os olhos, ainda com a mão entrelaçada na minha.

E, pela primeira vez naquela noite, o medo ficou em segundo plano.

𝐈'𝐚𝐦 𝐇𝐞𝐫𝐞 𝐍𝐨𝐰 • 𝐌𝐚𝐱 𝐌𝐚𝐲𝐟𝐢𝐞𝐥𝐝Onde histórias criam vida. Descubra agora