O estrondo do copo se chocando com o rosto inanimado de seu pai no quadro, não aliviou em nada o ódio que Alex James sentia em seu corpo. Lorenzo Vanderbilt era um demônio muito bem vestido, na pele de um magnata.
Aquele homem havia profanado a inocência de sua amiga, havia lhe seduzido e a usado. Ela era só uma menina que gostava de brincar de mulher.
Ambos se aventuraram nos corpos um do outro algumas vezes, buscando abrigo, mas o que aquele homem havia feito, era desprezível, impensável.
Ele não podia acreditar que seu pai fizera negócios com ele, os demônios realmente dão as mãos.
Fechou os olhos, inspirando, tentando reequilibrar suas emoções. Precisava pensar com clareza para impedir o que quer que fosse que Vanderbilt estava tramando.
- Ada! - gritou o mais novo CEO, pouco se importando com o telefone sobre a mesa.
A jovem mulher adentrou o cômodo com pressa, as bochechas coradas, quase tropeçando em seus saltos altos. - Preciso de todos os documentos de transações financeiras, legais ou não. Pra ontem!
E por favor, não deixe aquele homem entrar aqui novamente, ok?
A mulher assentiu, apreensiva. Gostava de trabalhar para Alex, ele sempre era gentil e generoso. Muito embora, ela sentisse uma aura fria e solitária que emanava do rapaz.
Quase como uma bomba relógio prestes a explodir.
Alex James era muitas coisas e uma delas era impiedoso quando necessário.
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O sol agora se pondo tímido por detrás das enormes construções, anunciavam que mais um dia chegava ao fim. Martha batia as solas de seus mocassins com pressa pelo piso bem polido, certificando-se que tudo correria bem no jantar. Os amigos de seu menino estavam para chegar e ela caprichara no cardápio. Torcia que a presença de Ella e Josh, além de uma barriga bem alimentada com suas comidas preferidas, lhe tirassem a carranca dos últimos tempos. Partia seu coração cansado, ver o menino que criou como próprio filho se esconder atrás de amargura e rancor.
- Mãe Martha, tio Josh vem hoje? - a pequena Aurora perguntou animada, tirando a senhora de seus pensamentos preocupados.
Martha se abaixou para ficar da altura da menina, o sorriso apertando as pequenas rugas de seus olhos.
- Vem sim menina, vamos todos jantar juntinhos hoje.
Aurora sorriu, gostava de gente, risadas e comida quentinha. A casa em que morava era ruim, assustadora e fria. A casa da mãe Martha era sempre legal e amorosa. A James mais nova, mal sentia saudade de sua mãe biológica.
- Oba! E vamos ter doces? Eu adoro aquele doce tchurassu.
Martha não pode conter uma gargalhada, com a fala agitada e confusa da menina.
- Tiramissu, Aurora.
- Eu te amo mãe Martha, você sempre entende minhas palavras. - Aurora tinha os olhos marejados e a voz suave enquanto abraçava sua tutora legal.
Um par de horas depois, a mesa posta e bem decorada, enchia os olhos dos convidados que aguardavam um atrasado anfitrião. Alex passou a descontar suas frustrações em bebidas, trabalho e em algumas tentativas de solos de guitarra, que faziam sua irmã mais nova tapar os ouvidos.
- Ele mandou uma mensagem, já está a caminho. - Ella suspirou colocando o celular sobre a mesa, observando o capricho e o zelo que Martha colocara em cada canto daquela casa. - Como ele tem passado, Martha?
- Sabe como ele é, minha querida. Alex é uma concha dura e magoada. Nós tentamos de tudo para apaziguar, mas... Ai Ella, é como se o Alex de quinze anos estivesse de volta, ele tem se afundado tanto.
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Alex e Adeline
Teen Fiction[+16 contém uso de drogas, abuso familiar, racismo e insinuação sexual] Adeline nunca gostou de mudanças, amava suas raízes. Orgulhava-se de ser sul africana, de seu cabelo volumoso e sua pele negra e nunca em sua vida imaginou que sentiria vergonha...
