Horas antes
As gotas de chuva fria, batiam impiedosas contra o vidro, ignorando totalmente o verão que se aproximava lentamente. Todavia, Nova York parecia chorar, em luto.
A cidade que nunca dorme parecia estranhamente silenciosa, fria e sinuosa. Era como se cada centímetro de concreto, asfalto ou natureza respeitasse a dor que sentia.
Era o fim.
Não havia esperança, era tola por achar que no final as coisas seriam melhores. A pele se arrepiou quando os longos dedos ossudos, cobertos por belas joias, lhe seguraram as mãos com carinho.
- Amiga, você precisa se alimentar. - A voz de Ella saira quase como um sussurro estranho. - Você já está assim a dois dias.
- Não posso, é culpa minha. Toda essa merda é minha culpa.
Ella buscou apoio nos olhos do namorado. Josh que até então estava encostado na penteadeira, caminhou em passos incertos até a beira da cama.
- Amélia, como tudo isso é culpa sua? Você apenas mostrou para ele o que é amor de verdade. A culpa são dos pais dele, não sua. - O coração de Josh estava despedaçado por ver sua melhor amiga de forma tão deplorável. Os cabelos tão volumosos estavam opacos e sem vida, a pele cor de café forte, perdera o brilho majestoso que carregava.
Talvez as pessoas possam realmente morrer de amor.
Quase riu ao cogitar tal coisa. Ela não poderia morrer, ela era como uma parte de si.
- Adeline Rockfeller, preste bem atenção em minhas palavras. - Ella bateu os punhos no fofo edredom de cashmere azul claro, assustando Adeline. - Você vai levantar desta cama, tomar um banho, comer essa maldita comida e nós vamos resolver isso.
Eu te dei tempo para sofrer, mas cada segundo que esperamos aqui, Alex está mais perto daquela porra de luz, então vai!
Josh deixou um leve sorriso escapar, ao ver as bochechas coradas e a forma como os lábios se torciam quando sua namorada usava o que ele chamava de tom malévola. Quando Ella usava este tom em sua voz, ele podia jurar que uma aura verde escura brilhava ao seu redor.
- Vamos molenga, antes que eu chute sua bunda para fora desta cama.
Adeline quase se sentiu feliz, mas com certeza grata por ter ao seu lado duas pessoas tão queridas. Levantou com dificuldade e um pouco de dor no corpo, pelo tempo longo que passara deitada sobre a cama. Ela precisava ser forte por Alex, por ela e por seus amigos. Enfrentaria aquela maldita mulher amarga e salvaria seu amor.
Alguns minutos antes
Helena James batia os longos saltos pelo piso branco do hospital, exausta por ter que passar tanto tempo naquele lugar horrível. Sua postura impassível, gerava curiosidade nos funcionários, visto que sua reação não era a esperada para uma mãe cujo filho estava lutando pela vida.
- Senhora James?
A loira se virou calmamente para o elegante médico que apareceu por uma porta no longo corredor iluminado.
- Pois não? - Forçou uma voz tranquila, não querendo transparecer seu cansaço.
- Gostaria de lhe falar sobre a situação de seu filho. - O doutor Karev, especialista em trauma, levantou o prontuário apontando para os resultados desanimadores dos exames. - Seu filho está com grave quadro de insuficiência hepática, como eu já havia lhe explicado, Alex precisa de um doador. O corpo dele não está reagindo aos medicamentos e isso pode levar a uma falência geral dos órgãos. Eu não quero assustar a senhora, mas a menina Rockefeller é 97% compatível...
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Alex e Adeline
Ficção Adolescente[+16 contém uso de drogas, abuso familiar, racismo e insinuação sexual] Adeline nunca gostou de mudanças, amava suas raízes. Orgulhava-se de ser sul africana, de seu cabelo volumoso e sua pele negra e nunca em sua vida imaginou que sentiria vergonha...
