Cinza. Está palavra definiria facilmente a cidade a sua frente, tudo extremamente cinza.
Adeline deixou seu olhar percorrer a paisagem moderna, através da janela do carro, parecia ainda mais triste.
Seu coração apertou ao lembrar das cores sempre presentes em sua terra natal, nas senhoras com enormes turbantes coloridos, das casas pintadas em tons fortes. A jovem Rockfeller sentiu seus olhos úmidos, mas tratou de respirar fundo, tentando não chamar a atenção de seus pais que conversavam baixo ao seu lado.
A casa do Embaixador era totalmente diferente do que imaginava e parecia acolhedora o suficiente para criar novas raízes. O chão de madeira clara e bem polida faziam um conjunto bonito com os móveis claros. A enorme sala de pé direito alto dava uma boa visão da sala de jantar, Adeline deixou um sorriso nascer em seus lábios quando seu olhar focou na enorme janela a sua frente.
O Central Parkark estendia-se imponente, trazendo alegria para aquela cidade morta. Era como ter um jardim gigante para si.
- Adeline? Filha? - Malaika gritou um tom mais alto trazendo a atenção da filha de volta. - Menina!
- Desculpa mamãe, eu estava distraída. - a mãe da jovem sorriu, feliz por vez as rugas da testa de sua filha desaparecendo. - É tudo tão diferente aqui não é? Parece mais escuro e monótono. Chega a ser intimidador, mãe!
A senhora Rockfeller caminhou até sua filha, deixando seus olhos vagarem por um instante.
- Meu amor, não existe nada escuro o suficiente que você não possa colorir. - Com as mãos apoiadas em suas costas, virou-a para um espelho que adornava delicadamente a sala de jantar. - Sabe o que eu vejo neste espelho? Uma jovem mulher linda e que deve saber e nunca esquecer seu valor, meu amor.
Adeline viu os olhos castanhos claros de sua mãe se encherem de calor e deixou ser preenchida por ele. Encarou seu reflexo e sorriu, sentindo o orgulho fluir por suas veias.
- Você está certa mamãe, não vou me deixar abater. Eu vou dar a cor que eu quiser para minha vida! - Por fim, deixou um suspiro escapar e abraçou forte a mulher que lhe ensinara a ser forte e nunca abaixar a cabeça.
Após se instalar conforme foi possível, dada a quantidade de caixas e malas espalhadas pelo quarto, Adeline olhou seu celular. Havia uma mensagem de um número desconhecido e isso a deixou curiosa.
"Seja bem vinda a cidade que nunca dorme, Amélia. Ops brincadeira, eu não esqueci seu nome. Mas caso tenha me esquecido é o Josh aqui!"
Adeline sorriu e se acomodou melhor na cama, apoiando suas costas na pilha de travesseiros macios. Pensou em inúmeras respostas, entretanto nada parecia adequado o suficiente.
Por fim, optou por ser apenas simpática.
"Olá Josh! Não me esqueci de você, já está em Nova York?"
Satisfeita com a mensagem, se pois a observar e conhecer seu novo quarto. Havia um lustre pequeno que pendia do teto em pequenas cascatas de cristais, as paredes claras e duas portas que levavam as extensões do cômodo. Um closet num tamanho ótimo e um banheiro claro com detalhes em vermelho, Adeline sorriu ao ver a enorme banheira. Poderia viver tranquila ali e isto era o que importava, afinal.
Seu celular vibrou indicando uma nova mensagem e a jovem correu em direção ao aparelho.
"Fico satisfeito que não tenha se esquecido de mim, mas terá que aguentar a saudade por mais uns dias Adeline. Volto em uma semana, mamãe está chorando sem parar hahaha."
Adeline achava o jeito de Josh peculiar e engraçado, ele parecia ser um bom amigo.
"Acho que posso suportar sua ausência, afinal passei minha vida sem você, não é mesmo? O que são mais uns dias?"
"Ouch, essa doeu Amélia, vou me jogar na próxima manada de elefantes que passar por aqui"
Uma gargalhada reverberou por todo o cômodo e Adeline sentiu seu coração ser tomado por uma sensação boa. Não que não tivesse amigos na sua cidade natal, mas todos eram comedidos e não eram nenhum pouco como Josh.
"Quanto drama, Humpfrey. Até semana que vem 😄"
A noite chegava fria e após um banho rápido Adeline começou a revirar suas malas, procurando algo quente e confortável.
Optou por uma calça de moletom justa preta e um suéter de linho borgonha com a gola alta, calçou suas pantufas de zebrinhas se sentindo confortável.
Escutava a movimentação no andar de baixo indicando que logo o jantar seria servido e ficou agradecida pela senhora Jones, a governanta que trabalhava para sua família desde antes de nascer, ter aceitado vir com eles. Ela amava a comida daquela mulher e era como estar mais próxima a sua antiga casa.
Desceu as escadas sentindo um cheiro agradável de especiarias tomando o ambiente.
- Mãe? Pai? - chamou alto o suficiente para ouvir o eco se espalhar pela casa.
- Estamos na sala, Adeline. - ouviu a voz de seu pai vinda de um ponto mais distante.
Praticamente correu até o aposento e viu seus pais sentados juntos, ambos com taças de vinho em suas mãos. Estavam abraçados aproveitando o calor da lareira.
- Filha, venha sentar com a gente, acho que está lareira é minha nova melhor amiga. - Brincou seu pai, usava roupas grossas de frio. - Está cidade é um congelador, mal posso esperar pelo verão.
Adeline sentou ao lado dos pais e se aconchegou no sofá marrom bastante confortável. O calor do fogo trazia uma sensação gostosa em seu corpo.
- Mãe, eu vou começar as aulas após o recesso de fim de ano? - Estava bastante nervosa com isso. Afinal o ano letivo começara em setembro e ser a garota nova não era sua coisa favorita no momento.
- Sim, meu amor. Amanhã vamos a St. Judy conhecer as instalações e assim você poderá se ambientar melhor. - A voz de sua mãe era baixa, Malaika tomou a mão de sua filha transmitindo toda sua segurança para a jovem. - Você vai gostar daqui filha, a escola é realmente muito boa. A senhora Humpfrey me disse que Josh adora estudar lá.
Ao ouvir a menção do nome do novo amigo, Adeline automaticamente sorriu, era realmente muito bom ter um rosto amigo em sua nova escola.
- Tudo bem mamãe, vai ser legal. - Disse tentando mais convencer a si mesma, que seus pais. - Só estou um pouco nervosa.
- Filha, não precisa ficar nervosa. Papai vai cuidar sempre de você. - Sentiu o beijo do seu pai em sua mãe e sorriu contente. Sua família era realmente mágica. - Nós te amamos Adeline.
- Também amo vocês. - respondeu ainda sorrindo. - Bem, vamos jantar então?
O jantar fora um momento divertido, seus pais estavam animados sobre as mudanças e acabaram contagiando Adeline. O cordeiro com especiarias estava delicioso e a sobremesa de bolo de frutas - favorito do seu pai - fechou o jantar de forma perfeita.
Despediu-se dos pais e se desculpou por estar cansada demais para acompanhá-los em uma sessão de cinema.
Já em seu quarto, olhou para o teto, pedindo aos céus que se adaptasse bem a sua nova escola. Não queria admitir, mas estava com medo de não ser bem aceita, afinal todos se conheciam a anos. Ela seria a garota nova e não sabia como lidar com isso.
- Eu só quero me adaptar. - pensou alto, sentindo um bolor no estômago. - se acalme Adeline. Pelo amor de Deus.
Disse para si mesma, tentando respirar para acalmar o coração e mal estar em seu corpo.
Alguns minutos depois, sentiu a sonolência abraça-la e deixou ser levada para o mundo da inconsciência. E seu último pensamento antes de adormecer era de que tudo, verdadeiramente ficasse bem. Que ela ficasse bem.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Alex e Adeline
Fiksi Remaja[+16 contém uso de drogas, abuso familiar, racismo e insinuação sexual] Adeline nunca gostou de mudanças, amava suas raízes. Orgulhava-se de ser sul africana, de seu cabelo volumoso e sua pele negra e nunca em sua vida imaginou que sentiria vergonha...
