Capítulo 3

16 1 0
                                    

_______________________________

As semanas em Hogwarts estavam se passando rápidas e chatas. Todo mundo puxava o saco de Cedric e desprezava Potter. Em mais uma das aulas de Trato das criaturas Mágicas que estávamos tendo com o pessoal da Grifinoria, as provocações começaram.

– Ah, olha só, pessoal, é o campeão – disse Malfoy a Crabbe e a Goyle no instante em que se
aproximou de Harry o bastante para ser ouvido. – Trouxeram os cadernos de autógrafos? É melhor pedir um agora porque duvido que a gente vá vê-lo por muito tempo... metade dos campeões do Torneio Tribruxo morreram... quanto tempo você acha que vai durar, Potter? Aposto que só os primeiros dez minutos da primeira tarefa.

Crabbe e Goyle deram risadas para agradá-lo, mas Malfoy teve que parar por aí, porque Hagrid surgiu dos fundos da cabana, segurando uma torre instável de caixas, cada uma contendo um enorme explosivim. Para horror da turma, Hagrid começou a explicar que a razão pela qual os bichos tinham andado se matando era o excesso de energia acumulada, e que a solução era cada aluno pôr uma coleira em um bicho e levá-lo para passear um pouco. A única vantagem desse plano foi distrair Malfoy completamente.

– Levar essa coisa para passear um pouco? – repetiu ele enojado, olhando para dentro de uma das caixas. – E onde exatamente você quer que a gente amarre a coleira? No ferrão, no rabo explosivo desse treco?

- No seu rabo, o que acha? - Dou um sorrisinho de asco para ele que retribui e quando vai me responder, Hagrid nos separa e manda que comecemos.

Foi complicado colocar a coleira nesses bichos, Hagrid estava nos fazendo cuidar dele desde o inicio desse ano, então já conhecíamos um pouco deles. Eles se assemelhavam com lagostas que comíamos nos banquetes, só não tinham a casca como elas. Desprendiam um cheiro forte de peixe podre. De vez em quando, soltavam faíscas da cauda e, com um leve pum. Hagrid nos ensinou que Os machos tinham ferrões e as fêmeas tinham ventosas em seu corpo para sugar o sangue. Quando consegui colocar a coleira no meio do bicho que eu tinha escolhido, comecei a andar na floresta com ele.

Hagrid disse para que nós o encontrássemos na cabana dele em uma hora que era tempo suficiente de passeio. Os outros alunos se juntaram em grupinhos menores para explorarem um pouco da floresta juntos. Eu optei por ir sozinha, já que ninguém iria querer me acompanhar mesmo.

a floresta, mesmo que cheia de mistérios e criaturas não catalogadas era linda. Ainda mais nessa época do ano, o frio trazia uma neblina que tornava o ar de oculto bem legal. Na maioria do tempo o bicho que estava comigo apenas soltava as faíscas, mas ora ou outra, ele fazia um barulho estranho. Quando chegamos num barranco alto que ficava acima de uma cachoeira, prendi a coleira dele numa arvore e tirei um tempo para observar a vista. Até que escuto um barulho de passos pelas folhas, mas não consigo ver ninguém por conta da neblina.

- Tem alguém aí? - Pergunto assustada olhando para todos os lados.

Risadas femininas soam de algum lugar e elas são familiares.

- Sabe, Tory... Minha vida com Draco era muito melhor quando ele não voltava do jantar bravo porque uma sangue-ruim falou algo para ele ou quando ele é ofendido por ela em alguma aula. - Aos poucos, o rosto de Daphne Greengrass se torna visível.

- Eu não tenho culpa se seu namoro não está dando certo. - Arqueio uma sobrancelha, era óbvio que eu estava com medo, porque era duas contra uma e eu ainda não tinha visto a irmã dela, mas não iria abaixar minha cabeça tão fácil.

- Você tem tudo a ver com isso, você e esse seu sangue. - Ela fala se aproximando de mim. - Tudo que vocês sangue ruim tocam é fracassado, acabado. Por isso que cada um de vocês deve morrer e nós vamos começar com você.

Na mesma hora a irmã dela aparece por trás de mim e agarra meus braços, me deixando imóvel. Começo a tentar me soltar, mas é em vão.

- Você vai aprender a nunca mais mexer com meu Draco. - Daphne fala e afirma com a cabeça para a irmã. - Últimas palavras?

- Vocês vão se arrepender... - Falo quase espumando.

E então, um vento frio me atinge e só segundos depois percebo que estou na água. Está muito gelado, é quase como mergulhar numa banheira cheia de gelos e o pior nem é isso, eu não sei nadar. Quando cresce em um orfanato, digamos que não há muitos passeios até piscinas e lagos. Começo a tentar me debater contra a água, mas começo a perder força.

- SOCORRO!!!! - começo a tentar gritar, mas estou numa cachoeira que nem eu conhecia, onde a água faz muito barulho. - POR FAVOR, ALGUÉM!!

Quando começo a afundar, me lembro do navio. Só que dessa vez não haverá nenhum sereio para cantar próximo ao meu barco. Tento me debater e mesmo assim não consigo voltar para cima, em algum momento escuto o barulho da água.

Em poucos segundos estou na superfície, lutando para o ar entrar em meus pulmões e tremendo de frio. Me agarro na fonte de calor que me tirou da água, quando caio em mim percebo que é um corpo maior que o meu. Olho para frente e a primeira coisa que vejo são os fios brancos, depois o rosto totalmente avermelhado de Malfoy me encara.

- Você é louca? pulando em uma cachoeira nesse frio? - Ele tem a voz firme e sua mandíbula está travada.

- A claro, eu devo mesmo ter pulado aqui porque eu queria. Agora me largue, eu não estaria aqui se não fosse sua causa. - Desencaixo minha perna da cintura dele, mas afundo na mesma hora.

Dessa vez ele me puxa pelo braço e me olha bravo.

- Vamos sair daqui antes que eu tenha cãibra e você morra. - Ele começa a me conduzir a força para fora.

Assim que saímos o frio piora e meu corpo inteiro começa a tremer, o dele também. Nós dois somos teimosos a ponto de não falarmos um com o outro.

- Cadê seus seguidores? - Falo meio pausadamente.

- Passeando com aquelas pestes. - Ele fala sem vontade nenhuma.

Nós vamos até o fim da floresta sem falar nada e quando chegamos a cabana do Hagrid, Malfoy começa a andar para depois dela.

- Malfoy? - Ele se virá para mim, esperando um xingamento. - Obrigada por me salvar.

- Não te fiz um favor, você não pode morrer antes de pagar por me encher o saco. - Ele pisca e sai, enquanto eu espero para que Hagrid brigue comigo enquanto passo frio.

_______________________________

Por favor, interajam com a minha escrita com comentários e os votos, porque amo acompanhar o tempo de leitura de vocês!

_______________________________

Darkness - Draco MalfoyOnde histórias criam vida. Descubra agora