Capítulo 2 ✓

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ALERTA: cena de transfobia!!!

Uma aparição do passado: Memórias dolorosas

Uma aparição do passado: Memórias dolorosas

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— Simplesmente não está dando certo. — disse Mina, engolindo em seco. — Essa relação.

Ruídos desconsolados vieram do outro lado da linha. Mina quase não conseguia decifrá-los; o sinal não era particularmente bom nos telhados das residências da cidade inglesa. Ela caminhou pelas bordas, espiando uma cena um tanto quanto nostálgica enquanto retirava o telefone da orelha mas o mantendo firmemente por entre os dedos. Árvores de algodão e cerejeiras eram iluminadas por luzes elétricas. Mesas e cadeiras ultra modernas e refinadas foram espalhadas pelo jardim. Homens e mulheres, igualmente refinados e modernos trajados de branco lotavam o lugar, taças de vinho e espumante eram servidos enquanto os noivos declaram os seus votos.

Por mais que Mina tenha revirado os olhos diante de tal cena, não deixou de sentir um aperto no peito e a saudade não demorou para lhe visitar.

Por Deus, quem se casava no outono?

As folhas das árvores já haviam começado a assumir uma coloração mesclando os tons alaranjados com os avermelhados em uma combinação perfeita, simbolizando não apenas a morte daquelas folhas para o inverno mas celebrando a beleza da vida.

Por mais que todos os transeuntes que passavam por aquele caminho não deixavam de ressaltar a beleza da comemoração. Mina apenas acreditava que se assemelhava aos enterros feitos por seu povo. Preto para caçar e dar sorte; pois o branco é a cor do luto e da morte. Mina odiava branco, com todas as suas forças. Memórias doloridas lhe retornavam à mente dos dias em que usou tal cor de tecido enquanto símbolos de pesar eram bordados nas costas e muitas vezes queimados na pele em uma tentativa de amenizar a dor sentida.

— WILHELMINA!!! Você não está escutando uma palavra que estou dizendo.

A mulher suspirou enquanto segurava alguns palavrões e levou o telefone de volta ao ouvido.

— Muito bem, nossa relação não está dando certo. — corrigiu. — Desde o primeiro momento eu te falei que não estava pronta para algo sério. Agora não me venha com esse papo sentimental que eu tenho mais o que fazer. Eu não cheguei a iludir ninguém, você criou as próprias conclusões e definiu expectativas que eu sempre te falei que não conseguiria suprir.

Quando os noivos terminaram os votos e os convidados se preparam para brindar os recém casados, Mina deu as costas e voltou ao seu trajeto. Não se imaginava vestida de dourado em um altar com a pessoa amada enquanto segurava um buquê onde juras de amor eram trocadas e todos familiares apoiavam e celebravam a união. Quando deveria ser a sua vez de escrever os votos trajando as cores típicas casamenteiras e trocando os anéis de família; o maldito do destino interveio. E aquilo era doloroso demais.

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