Antônio
Hoje é o dia em que vou pedir uma mulher completamente estranha em casamento.
Nunca a vi na vida. Mas, por causa de um acordo de paz entre as máfias, tenho que fingir que isso é normal.
O jantar está marcado para às 19h. Ainda são 7h da manhã. Estou no escritório, resolvendo detalhes do meu voo para o Paraná, que sairá ao meio-dia.
Passei toda a manhã envolvido em papéis, telefonemas e silêncios pensativos. Saí apenas para tomar um banho demorado antes de ir ao aeroporto. Antes de sair, revisei os bolsos e me certifiquei de estar com o anel — o mesmo que comprei pessoalmente no dia anterior.
O observei na palma da mão por alguns segundos e pensei:
— Será que todo esse sacrifício vale a pena...?
— Disse algo, senhor? — perguntou Junior, meu braço direito.
— Nada, Junior. Podemos ir.
Entramos no carro, e ele seguiu em direção ao aeroporto. No jatinho particular, dei sinal ao piloto e partimos.
Durante o voo, pensei em tudo. E em nada. Esse casamento é, tecnicamente, a decisão certa. Se ele não acontecer, corremos o risco de uma guerra entre famílias.
Mas eu não vou amá-la. Isso está fora de questão.
Vamos apenas conviver... civilizadamente. Espero que a tal Amanda Alice Meirelles seja uma mulher tranquila. Se não for, terei que ensiná-la a ser.
O avião pousou por volta das 18h30. Já dentro do carro, a caminho da casa dos Meirelles, observei a paisagem. A mansão surgiu diante de mim: não era enorme, mas tinha classe. Elegância discreta.
Toquei a campainha.
Um senhor de meia-idade abriu a porta, com expressão firme.
— Boa noite, senhor Antônio Carlos.
— Boa noite.
— Entre, por favor. A família o aguarda na sala de jantar.
— Obrigado.
Entrei, e meus olhos percorreram o ambiente. Tudo era de extremo bom gosto. Mas foi no meio da escada que a vi.
Ela.
Uma mulher de cabelos loiros, pele clara e um vestido vermelho que realçava suas curvas. Estava parada, me observando. E eu a observava de volta.
Linda.
Antes que ela descesse, algo puxou a barra da minha calça. Olhei para baixo. Um filhote caramelo, pequeno, talvez de uns cinco meses, estava mordiscando minha calça como se me testasse.
Levantei os olhos e a moça riu da cena. Aquela risada... leve, verdadeira.
Ela desceu, aproximando-se com elegância e confiança contida.
— Boa noite — disse ela, enquanto se abaixava para pegar o filhote.
— Boa noite — respondi, encarando seu rosto de perto pela primeira vez. — Sou Antônio Carlos Júnior.
Fiz força para manter o foco no rosto, e não... bom, na visão que tive segundos atrás quando ela se inclinou para pegar o cão.
— Amanda Alice Meirelles. Para os íntimos, Mands. Mas no seu caso... pode me chamar de Amanda.
— Vamos ser íntimos eventualmente. Já estamos praticamente noivos.
— Isso se...
— Antônio, meu querido! Que bom que você chegou! — exclamou uma mulher mais velha, sorrindo calorosamente.
— Boa noite, senhora Meirelles.
— Venha. Manoel, Lucas e Daniele já estão na sala de jantar.
Ela foi à frente. Me virei discretamente para Amanda.
— Quem é Daniele?
— Minha prima. Intrometida, chata e esnobe.
Amanda seguiu na frente, me guiando até a sala.
E confesso: foi impossível não notar o andar confiante e o vestido moldando suas curvas. Uma visão.
Amanda
Eu sentia o olhar dele em mim.
Mas continuei andando, fingindo normalidade. Assim que entramos na sala, meu pai se levantou para cumprimentar meu irmão Lucas, depois apertou a mão de Antônio. Por fim, Daniele — sempre ela — se meteu onde não foi chamada.
— Que honra em conhecê-lo, Antônio Carlos. Muito prazer!
Daniele Meirelles da Silva, prima da sua futura esposa — ela disse, estendendo a mão com um sorriso forçado de sedutora barata.
Pfff.
— Sente-se aqui, ao lado da Amanda. O jantar já vai ser servido — disse meu pai.
Ele sentou-se ao meu lado. Estava calmo, observador. Mas algo no olhar dele denunciava que aquela mente estava sempre trabalhando. Como se medisse cada gesto, cada palavra ao redor.
Conversamos durante o jantar. Assuntos leves no início — política, negócios —, depois inevitavelmente a conversa se voltou para o motivo principal daquela noite: o casamento.
No fim da refeição, ele se virou para meus pais.
— Senhor Manoel. Senhora Regiane. Quero pedir formalmente a mão da sua filha em casamento, como parte do nosso acordo de paz entre as famílias.
Meu pai assentiu com firmeza.
— A nossa permissão você já tem.
Daniele não perdeu a chance de envenenar o momento:
— Só falta a Amanda aceitar...
— Daniele, por favor — cortou minha mãe, visivelmente irritada.
Antônio então voltou-se para mim, com o olhar direto e firme.
— E então, Amanda... aceita se casar comigo?
CONTINUA..
VOCÊ ESTÁ LENDO
Meu Querido Mafioso
Lãng mạnAntônio Carlos Junior,mais conhecido como Cara de Sapato.Dono da máfia de uma das regiões mais nobre do Rio de Janeiro, conhecido por seu porte atletico, serio e de poucas palavras, mas de muitas atitudes. Se tornou o dono da mafia ao 33 anos após s...
