Capítulo 2- Antônio (Editado)

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Antônio

Hoje é o dia em que vou pedir uma mulher completamente estranha em casamento.

Nunca a vi na vida. Mas, por causa de um acordo de paz entre as máfias, tenho que fingir que isso é normal.

O jantar está marcado para às 19h. Ainda são 7h da manhã. Estou no escritório, resolvendo detalhes do meu voo para o Paraná, que sairá ao meio-dia.

Passei toda a manhã envolvido em papéis, telefonemas e silêncios pensativos. Saí apenas para tomar um banho demorado antes de ir ao aeroporto. Antes de sair, revisei os bolsos e me certifiquei de estar com o anel — o mesmo que comprei pessoalmente no dia anterior.

O observei na palma da mão por alguns segundos e pensei:

Será que todo esse sacrifício vale a pena...?

— Disse algo, senhor? — perguntou Junior, meu braço direito.

— Nada, Junior. Podemos ir.

Entramos no carro, e ele seguiu em direção ao aeroporto. No jatinho particular, dei sinal ao piloto e partimos.

Durante o voo, pensei em tudo. E em nada. Esse casamento é, tecnicamente, a decisão certa. Se ele não acontecer, corremos o risco de uma guerra entre famílias.

Mas eu não vou amá-la. Isso está fora de questão.
Vamos apenas conviver... civilizadamente. Espero que a tal Amanda Alice Meirelles seja uma mulher tranquila. Se não for, terei que ensiná-la a ser.

O avião pousou por volta das 18h30. Já dentro do carro, a caminho da casa dos Meirelles, observei a paisagem. A mansão surgiu diante de mim: não era enorme, mas tinha classe. Elegância discreta.

Toquei a campainha.

Um senhor de meia-idade abriu a porta, com expressão firme.

— Boa noite, senhor Antônio Carlos.

— Boa noite.

— Entre, por favor. A família o aguarda na sala de jantar.

— Obrigado.

Entrei, e meus olhos percorreram o ambiente. Tudo era de extremo bom gosto. Mas foi no meio da escada que a vi.

Ela.

Uma mulher de cabelos loiros, pele clara e um vestido vermelho que realçava suas curvas. Estava parada, me observando. E eu a observava de volta.

Linda.

Antes que ela descesse, algo puxou a barra da minha calça. Olhei para baixo. Um filhote caramelo, pequeno, talvez de uns cinco meses, estava mordiscando minha calça como se me testasse.

Levantei os olhos e a moça riu da cena. Aquela risada... leve, verdadeira.

Ela desceu, aproximando-se com elegância e confiança contida.

— Boa noite — disse ela, enquanto se abaixava para pegar o filhote.

— Boa noite — respondi, encarando seu rosto de perto pela primeira vez. — Sou Antônio Carlos Júnior.

Fiz força para manter o foco no rosto, e não... bom, na visão que tive segundos atrás quando ela se inclinou para pegar o cão.

— Amanda Alice Meirelles. Para os íntimos, Mands. Mas no seu caso... pode me chamar de Amanda.

— Vamos ser íntimos eventualmente. Já estamos praticamente noivos.

Isso se...

Antônio, meu querido! Que bom que você chegou! — exclamou uma mulher mais velha, sorrindo calorosamente.

— Boa noite, senhora Meirelles.

— Venha. Manoel, Lucas e Daniele já estão na sala de jantar.

Ela foi à frente. Me virei discretamente para Amanda.

— Quem é Daniele?

— Minha prima. Intrometida, chata e esnobe.

Amanda seguiu na frente, me guiando até a sala.
E confesso: foi impossível não notar o andar confiante e o vestido moldando suas curvas. Uma visão.

Amanda

Eu sentia o olhar dele em mim.

Mas continuei andando, fingindo normalidade. Assim que entramos na sala, meu pai se levantou para cumprimentar meu irmão Lucas, depois apertou a mão de Antônio. Por fim, Daniele — sempre ela — se meteu onde não foi chamada.

— Que honra em conhecê-lo, Antônio Carlos. Muito prazer!

Daniele Meirelles da Silva, prima da sua futura esposa — ela disse, estendendo a mão com um sorriso forçado de sedutora barata.

Pfff.

— Sente-se aqui, ao lado da Amanda. O jantar já vai ser servido — disse meu pai.

Ele sentou-se ao meu lado. Estava calmo, observador. Mas algo no olhar dele denunciava que aquela mente estava sempre trabalhando. Como se medisse cada gesto, cada palavra ao redor.

Conversamos durante o jantar. Assuntos leves no início — política, negócios —, depois inevitavelmente a conversa se voltou para o motivo principal daquela noite: o casamento.

No fim da refeição, ele se virou para meus pais.

— Senhor Manoel. Senhora Regiane. Quero pedir formalmente a mão da sua filha em casamento, como parte do nosso acordo de paz entre as famílias.

Meu pai assentiu com firmeza.

— A nossa permissão você já tem.

Daniele não perdeu a chance de envenenar o momento:

— Só falta a Amanda aceitar...

— Daniele, por favor — cortou minha mãe, visivelmente irritada.

Antônio então voltou-se para mim, com o olhar direto e firme.

— E então, Amanda... aceita se casar comigo?

CONTINUA..

Meu Querido MafiosoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora