CAPÍTULO 10

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Olá meus queridos leitores, como prometido trouxe a vocês mais um capítulo.

Está sendo um desafio descrever a maneira como imaginei cada personagem, mas estou me esforçando pra tornar tudo interessante.

Boa leitura!

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O que está acontecendo? O que é tudo isso?

A todo instante me perguntava se era meu castigo por ter traído Jungkook com um completo estranho. Sem sombra dúvidas me senti culpado assim que li a mensagem agressiva de minha mãe, mas por Deus, não consegui me arrepender.

O que você fez Park Jimin?

Quais foram meus motivos? Será que eu estava apenas magoado e solitário ou realmente desejei aquele alfa tão desesperadamente que arranjaria qualquer desculpa para tê-lo em mim?

Então assim é a natureza vil das pessoas, assim são as pessoas que se deixam levar pela paixão de maneira tão egoísta, sem medir consequências, sem pensar o quão profundamente magoarão a pessoa que diziam amar. E ainda assim, eu não conseguia me arrepender, o que deve significar que eu teria feito de qualquer jeito, teria traído Jungkook com aquele alfa não importa o quê.

Apertei os olhos e espremi as lágrimas que se acumulavam e derramavam ininterruptamente desde que saímos do hotel.

Namjoon me ofereceu uma carona já que íamos para o mesmo lugar, o Aeroporto Internacional de Incheon. Mas agora, olhando pela janela o sol nascer e ouvindo aquele silêncio ensurdecedor que se levantou entre nós como um muro invisível, me perguntei se não deveria ter ido sozinho. Aquilo ia além do constrangimento de estarmos indo em busca de nossos parceiros depois de vivermos uma noite de prazer. A grande questão para mim ali era que ainda pouco estávamos enlaçados em beijos e intimidades, e agora este homem agia tão friamente que me fazia estremecer.

O que há com essa atitude dele?

O Namjoon sentado ao meu lado não parecia em nada com o alfa gentil e caloroso a quem entreguei meu corpo e alma. Este sentado atrás do volante era alguém com um rosto severo, frio e distante, de quem eu esperaria apenas palavras de reprovação e julgamento.

O fato de tentar evitar olhar em minha direção dizia muito, ele estava arrependido e certamente pronto para me culpar pelo seu deslize, afinal, assim agiam todos os alfas após possuir um ômega sem compromisso.

Deus, como pude ser tão estúpido?

Meu peito ardeu em agonia. Traí o alfa que sempre me tratou com respeito e dignidade, com um qualquer que agora me rejeitou deixando bem claro o seu absoluto desprezo. Namjoon devia me considerar um ômega sujo depois de lhe contar sobre meu compromisso e ainda assim o levar para minha cama, não importando se essa foi a única vez que agi assim. Independente de qualquer explicação, um ômega sempre será culpado, mas por ser um alfa, para ele ficará tudo bem.

Ele dirá que eu o seduzi.

Ao contrário de mim que era nada além de mais um ômega caminhando sobre a Terra, a porra de um bailarino medíocre em uma companhia de dança pequena, o companheiro de Namjoon era um dos ômegas mais respeitados do país.

Kim Taehyung era mais que o ômega do Senador Kim Namjoon, ele era um artista premiado, aclamado pela mídia e amado pelos fãs, dono de uma voz emocionante e uma reputação cristalina. Elegante, educado, atencioso, carismático, Taehyung era o rei entre os reis e sua beleza era etérea. Ele era perfeito como ômega e o par ideal para alguém importante como Namjoon.

Conheci Taehyung no início de sua carreira e por seu talento e todas as suas qualidades, ele se tornou meu ídolo, minha maior inspiração. Mas quando vi que seu alfa demonstrou interesse por mim, pensei que talvez eu que não sou ninguém, estaria me igualando a ele em razão disso. Que besteira! Veja o que fiz, traí alguém por quem eu tinha tanto respeito e admiração. Como pensei que poderia ser igual a alguém como Taehyung? Que piada!

Deus, como fui perverso!

Eu merecia todos os castigos do mundo, mas Taehyung e Jungkook mereciam viver. Jungkook merecia um ômega melhor como minha mãe sempre deixou claro e certamente Taehyung merecia um alfa que soubesse reconhecer seus esforços e não o apunhalasse pelas costa. Meu coração suplicou para que o fato dos dois estarem juntos no mesmo avião significasse alguma coisa, que Jungkook protegesse Taehyung como sempre me protegeu.

Abracei a mim mesmo numa tentativa de amparar a solidão e o pesar que apertavam meu peito. Deixei escapar um soluço de profundo desespero e enfim, me arrependi.

- Você está bem? – perguntou Namjoon, tão  repentinamente que me fez encolher no banco do carro. Me senti miserável ao ouvir sua voz seca que antes chamava meu nome com paixão. Não fui capaz de responder.

- Chegamos. – disse ele um instante depois. Abri a porta e desci do carro primeiro, pois também não podia olha-lo nos olhos.

Depois de falarmos com um funcionário do aeroporto, Namjoon e eu fomos conduzidos por outra pessoa até um corredor quase nos fundos do aeroporto, bem distante das áreas comuns de circulação de pessoas, imaginei que estávamos na parte administrativa. Fomos convidados a entrar em uma porta onde se lia “Sala de Crises” e aquele nome me tirou o ar.

- Senhores, por favor, queiram entrar e aguardar. A Major Kim Hyesoo virá em breve explicar todos os detalhes. – disse o funcionário abrindo caminho para nós.

Ao entrar, me deparei com uma sala de reuniões, ampla e sem janelas com uma mesa grande em formato oval em seu centro. Sentadas em dois de seu tantos lugares estavam duas fêmeas: uma alfa muito bonita e bem vestida em seu terno feito sob medida e minha mãe ômega.

Quando nos viram, as duas levantaram avançando apressadas em nossa direção.  A alfa dizia a Namjoon “Senador Kim, procurei o senhor por toda parte...”. Minha mãe começou “Jimin, seu irresponsável! Onde você estava? Como pôde desaparecer e...”.

Nenhuma das duas conseguiu terminar suas frases, foram surpreendidas pelas essências em nossos corpos. A alfa não disse mais nada, apenas mediu-me dos pés a cabeça com uma expressão de puro desprezo. Já minha mãe, olhou fixamente para o rosto de Namjoon.

- Certo, então é isso. – disse ela ao virar para mim. Ela entendeu de imediato o que havia acontecido.

- Mãe, eu posso explicar.

- Cale-se! – gritou ela, concentrando toda sua irá no tapa que me acertou no rosto. Tamanha foi a força de sua raiva que acabei caindo atordoado sobre o chão, amparando com as duas mãos o local que ardia e latejava.

- Mamãe, não faça isso. – pedi a ela e minha voz mal saiu da garganta.

- Conversaremos sobre isso em casa.

- Senhora, por favor, deixe-me explicar. - interveio Namjoon.

- Não é necessário, Senador Kim. Eu não o responsabilizo, o senhor não fez nada. – respondeu ela com a maior tranquilidade,  apenas confirmando o que eu já sabia: todos iriam me culpar.

Enquanto Namjoon tentava falar com minha mãe e me ajudava a ficar de pé, dois alfas entraram na sala. O primeiro tinha o cabelo curto e platinado, usava um conjunto de moletom branco e um blazer social preto com um par de tênis. O alfa tinha uma expressão amigável e gentil, mas apesar da presença radiante, seu rosto estava carregando de uma preocupação que lhe caia como uma sombra apagando um dia de Sol.

Logo atrás dele, estava o outro alfa, um macho alto de ombros largos e porte atlético, tinha cabelos pretos e usava um conjunto de sarja caramelo demonstrando bom gosto para moda. Seu outfit combinava perfeitamente com o rosto bonito e olhar magnético. Ele era deslumbrante, mas sua presença preencheu todo o ambiente e me deixando nervoso, especialmente quando dirigiu-se a Namjoon.

- Onde você estava, seu bastardo? Então,  “Sr. Perfeição” sabe desaparecer sem deixar rastros como todos nós. – disse ele a Namjoon visivelmente alterado.

- Chega, Seokjin! – respondeu Namjoon levantando a voz também. – Aprenda a respeitar seu irmão mais velho, você não tem o direito de falar assim comigo!

Então era isso, este era Kim Seokjin, o irmão mais novo do Senador. Não o reconheci imediatamente talvez por conta do nervosismo, mas Seokjin era um modelo e ator muito famoso por seus doramas de época. A fama de bad boy do rapaz apesar de receber muitas críticas da mídia, era o principal atrativo do alfa que sem dúvidas estava entre os mais cobiçados pela indústria cinematográfica e pelo ômegas do país.

Isso me fez pensar que a família Kim era uma das mais influentes da Coreia do Sul, seus membros eram pessoas famosas e importantes. Então, conhecendo sua fama, onde eu estava com a cabeça quando me envolvi com essas pessoas? Me senti cada vez mais oprimido diante daquela situação, era como se eu fosse morrer a qualquer instante.

- Você não... – Seokjin interrompeu sua resposta, desviando lentamente seu olhar para mim. Ele também havia sentido meu cheiro em Namjoon e a raiva de suas palavras transferiu-se para a expressão feroz que transformou o belíssimo rosto do modelo em uma boca aberta com presas arreganhadas em minha direção.

- O que caralhos está acontecendo aqui? – gritou ele avançando para cima de Namjoon. – Você deixou seu ômega viajar sozinho para foder uma putinha qualquer, seu desgraçado?

De trás de Seokjin, saiu o alfa de cabelo platinado para colocar-se entre os irmãos e tentar contornar a situação.

- Calma Jin! – disse ele segurando os ombros do outro alfa – Isso não é hora para disputas com seu irmão. Estamos aqui por Taehyung, pelo nosso melhor amigo que está desaparecido. Nesse momento vamos focar apenas nele, ok?

- Não Hoseok, não está ok! – respondeu Seokjin. – Enquanto nosso melhor amigo ômega estava desprotegido em outro país, o companheiro dele que se gaba de ser o alfa perfeito, que jura compreender o sentimento dos ômegas e ama apontar o dedo na cara dos outros, estava traindo Taehyung com esse vira latas. E ainda teve coragem de traze-lo consigo.

- Tenha cuidado, Seokjin. Não fale do que não sabe. – respondeu seu irmão.

- O que mais eu deveria saber, Namjoon? Mesmo a essa distância, sinto seu cheiro em todo corpo dele. – Seokjin olhou para mim com uma expressão de puro desdém. – Onde você encontrou esse ômega? Foi em algum puteiro de Itaweon? Eu deveria prova-lo para saber por mim mesmo se a bunda dele vale a pena você ter deixado Taehyung sozinho.

Namjoon rosnou para o irmão com as presas arreganhadas e o ambiente ficou carregado de feromônios agressivos, ao ponto de fazer meu nariz sangrar. O Senador foi contido pela alfa que parecia próxima a ele e Seokjin foi contido pelo alfa de cabelos brancos.

- Já chega, Jin! Isso não nos levará a nada, vamos pensar apenas em Taehyung! – disse ele, mais uma vez sento a voz da razão no meio daquele pandemônio.

- Me solta, Hoseok!

- Não vou entrar no seu jogo, Jin. Aqui o selvagem é você, você é quem tem a boca suja e os modos de um animal. – respondeu Namjoon desistindo de lutar. – Sei muito bem o porque dessa sua reação. Você é apaixonado pelo meu ômega, todos esses anos você tem cobiçado seu melhor amigo e agora está agindo como se fosse justo, todo territorialista com o ômega de outra pessoa.

Ele não deveria ter dito aquilo. Seokjin transformou-se de fato em um animal selvagem como se seu lobo o tivesse dominado por completo. O alfa empurrou o tal Hoseok para o lado, avançou sobre o irmão e acertou-lhe um soco terrível no rosto. Havia tanta agressividade no ar que perdi o equilíbrio e fui ao chão mais uma vez, meu nariz gotejava sangue, eu estava realmente morrendo sufocado pelo ódio daqueles dois.

O alfa de cabelos brancos, desistiu de separar a briga. Acredito que ele percebeu que eu estava prestes a desmaiar e abriu a porta da sala. Pude dizer que ele se aproximou de mim quando senti seu cheiro bem de leve em meio aquela densa nuvem invisível formada pela essência dos outros dois.

- Não se assuste, vou carregar você. – disse-me ele. Senti seus braços gentis me erguendo do chão como se eu não pesasse nada e após alguns passos, me baixarem no piso gelado do corredor com a mesma delicadeza. De repente, eu já conseguia respirar um pouco melhor. Quando abri os olhos, vi seu meio sorriso e aquilo me deu algum conforto. Sua gentileza me fez lembrar de JK e doeu muito, não pude evitar as lágrimas que vieram rapidamente.

- Ei, esta tudo bem! Tome, beba isso. – disse ele empurrando um copo grande em minhas mãos. – É café gelado, não sei se você gosta ou não, mas vai ajudar a hidratar sua garganta e refrescar.

Enfim, um alfa genuinamente gentil em meio a esses selvagens.

- Eu me chamo Jung Hoseok. – disse ajoelhado diante de mim. – Qual é o seu nome? Você consegue falar?

- Par... K. – minha voz não saia. – Park Ji... min.

- Oi... muito prazer.

Eu estava terrivelmente envergonhado enquanto sugava o líquido gelado pelo canudo. Depois de ter cometido o que provavelmente foi o maior erro da minha vida, fui rejeitado pelo alfa a quem me entreguei, agredido por minha mãe, humilhado por um estranho, tudo diante dos olhos dessa pessoa que estava sendo tão gentil comigo. Comecei a chorar novamente.
Perdi completamente minha dignidade.

- Ei, está tudo bem, não precisa chorar. – Hoseok me abraçou sem pensar duas vezes e foi tão estranho sentir conforto em sua espontaneidade. – Por que você veio até aqui?

- O alfa que estava com Kim Taehyung no avião é meu... noivo.

Hoseok me soltou e me olhou nos olhos claramente surpreso, mas um segundo depois sua expressão suavizou e ganhei de novo um meio sorriso.

- Por mim está tudo bem. Não vou julgar você porque não sei o que houve, não sei seus motivos, não estou na sua pele. Simplesmente não é da minha conta, nem é da conta de Seokjin. A quem você deverá responder por isso é a seu noivo e Taehyung, então não espere esse tipo de reação de mim, ok?

Uau! Acho que aqueles feromônios realmente me mataram e Deus enviou um anjo para me buscar.

- Obrigada! Eu...

- Mas o que é isso? – ouvia a voz severa de uma alfa questionar. Me assustei e encolhi em meu próprio corpo novamente. Mais um alfa, mais agressividade, mais medo senti.

- Venha, vamos entrar. – disse Hoseok me ajudando a levantar. – Você tem o direito de estar lá dentro tanto quanto qualquer um de nós.

Não sei como toda aquela comoção se dissipou, mas quando entramos Namjoon e Seokjin sentavam em cantos opostos, as roupas desalinhadas e rostos machucados evidenciando que se envolveram em uma luta. A Major olhava para os dois com ar de desaprovação enquanto tomava seu lugar de direito na ponta da mesa com o funcionário que nos acompanhou até aqui logo atrás.

A seu lado se posicionou um beta alto, por volta dos 40 anos vestido com roupas de civil, mas uma postura de autoridade. Tive um mal pressentimento sobre a presença daquela pessoa ali.

- Bom dia a todos, eu sou a Major Kim Hyesoo da Força Aérea coreana e responsável pelos voos desse aeroporto. – começou a alfa que tinha uma energia extremamente severa. – Estou aqui para lhes comunicar o ocorrido com seus parentes Kim Taehyung e Jeon Jungkook.

Apesar da fala confiante, se você olhasse com atenção era possível notar que havia ansiedade na maneira como a Major mexia os dedos das mãos posicionadas atrás das costa. Assim que notei essa sutileza senti o dobro de ansiedade, talvez a situação fosse pior do que o informado até agora. Seria possível que eles já tivesse localizado a aeronave? Será que agora ela apenas diria que os dois estavam mortos? Meu corpo inteiro começou a tremer.

- Ambos embarcaram no voo particular HL 747-8 as 16h, horário americano, partindo do Aeroporto Internacional de São Francisco com destino a Coreia do Sul. Por volta das XXh, a aeronave desapareceu dos radares do aeroporto e imediatamente foi feita uma busca circular pelas torres de controle da região para verificar se não ocorreu um possível ocultamento do sinal do transponder da aeronave devido ao que chamamos de “ponto cego” na transmissão. Assim que foi verificado que a mesma não foi detectada por nenhum dos sistemas próximos, fomos contatados para informar o desaparecimento da aeronave. Nesse caso, a aeronáutica passa a trabalhar com a hipótese de acidente aéreo.

Meu Deus, isso é real!

Minha mente estava em branco, não havia nada que fizesse sentido em meus pensamento. Eu era constituído apenas pelo desespero que risco da perda causa. A morte é a única certeza que todo ser humano tem desde o seu nascimento, mas é a maior fonte de seus medo e algo para o qual jamais está preparado.

Não importa o que eu tenha feito, não importa o que eu sinta ou o que não sinta mais, apenas não posso perder Jungkook. Perdi meu pai que era a pessoa que mais amei, não posso perder também Jungkook. Quero que ele volte para que possa me odiar por tê-lo traído, preciso que ele esteja vivo e saudável para me dizer palavras duras e humilhantes, para que o desprezo em seu olhos me faça chorar de arrependimento e vergonha, qualquer coisa que ele quiser desde que ele volte vivo. Não me importa mais nada se eu tiver que viver e ele não, só quero que ele volte.

- Antes de continuar, gostaria de apresentar aos senhores o Detetive Park Seojoon da Delegacia de Seul. – disse a Major apontando para o beta, mas ela não conseguiu terminar de apresenta-lo.

- Espera, Detetive? – disse Seokjin levantando-se em um rompante e interrompendo a fala da alfa. – Você não disse que foi um acidente? Por que a polícia está aqui?

- Primeiramente, me chame de Sra., Sr. Kim. Agora, posso continuar? Ou pretende interromper novamente?
A resposta da Major fez Kim Seokjin afundar na cadeira e ficou óbvio que ele não estava acostumado a respeitar figuras de autoridade, mas apenas a entoação das palavras da alfa já o intimidaram.

- Sra. Major, por favor continue. Não compreendo o que está acontecendo aqui. – acrescentou Namjoon sentado na ponta da cadeira quase subindo na mesa de tanto nervoso. Acho que não era apenas a minha consciência afundando o piso, afinal.

- Sem mais interrupções, por favor. Estamos lidando com um assunto muito sério aqui e que vai além dos interesses pessoais dos senhores e suas famílias. – respondeu a alfa franzindo a testa e foi minha vez de afundar na cadeira. Eu estava prestes a entrar em colapso.

- Prosseguindo... O Detetive Park está aqui, porque temos motivos para acreditar que não se trata mais de um acidente e sim de um sequestro de aeronave em pleno voo.

- S... s... se... seques... tro? – sussurrei apenas para mim mesmo, engasgando com o choque.

- Major, Detetive, expliquem-se por favor! – respondeu Namjoon um pouco exaltado demais para alguém que parecia estar sempre absolutamente calmo.

- Como eu já havia mencionado, ao recebermos as informações sobre o status da aeronave, passamos a trabalhar com a hipótese se acidente aéreo. – prosseguiu a Major – No entanto, as XXh o sinal do transponder da aeronave HL 747-8 foi novamente detectado muito distante da rota original. A transmissão continha a seguinte mensagem:

O funcionário do aeroporto que acompanhava a Major abriu um notebook que estava sobre a mesa, digitou algumas coisas, em seguida deu ENTER.

“- Aqui é Lee Seohyung, piloto do vou HL 747-8 com destino a Coreia do Sul. Alguém na escuta?” – dizia a voz masculina carregada de tensão. Ele falava em inglês.  – “Aqui é o voo HL 747-8, alguém na escuta?”

- “Positivo HL 747-8, aqui é a torre de controle do Aeroporto Internacional de Belém/Pa. Prossiga.” – respondeu a voz feminina também em inglês. Imediatamente pensei que era impossível,  a aeronave voava para Coreia. Então como foi parar no Brasil?

- “Código 7500, aeronave fora do curso. A bordo pelo menos 2 indivíduos não identif...”

A voz na mensagem silenciou por um instante enquanto a mulher chamava repetidamente e ouvia-se alguns murmúrios no fundo.

“Torre, se não sobrevivemos, diga a minha família que os amo”. – respondeu o piloto e em seguida a mensagem foi encerrada.

- Meu Deus! – exclamou baixinho o rapaz de cabelos platinados esfregando rudemente as mãos no rosto.

- Com licença, Major. – chamei sem me preocupar em estar interrompendo – Meu noivo Jungkook não tem porque ser sequestrado, ele é apenas o dono de um restaurante pequeno.

- Não se preocupe Sr. Park, temos certeza de que o Sr. Jeon não era o alvo. Com toda certeza, o alvo dos criminosos era o Sr. Kim Taehyung, companheiro do Senador Kim. No entanto, até o momento não temos qualquer explicação para que seu noivo estivesse junto ao Sr. Kim nesse voo, isso é algo que ainda iremos averiguar duram as investigações.

- Espera! – respondi exaltado imediatamente percebendo o que a alfa quis dizer apenas pela forma como me olhou. – A Sra. não está supondo que Jungkook tem algo a ver com esse sequestro, está? Porque isso é um absurdo!

De repente, minha mente voltou a funcionar. Meu corpo tomou sua força, levantei da cadeira indignado e respondi a eles com a convicção que tenho sobre o caráter de Jungkook.

- Sr. Detetive, Major, todos vocês presente, meu noivo teve um bom motivo para viajar para São Francisco e eu posso provar. O fato de ele estar com o Sr. Kim nesse voo também deve ter uma boa explicação e eu definitivamente não permitirei que vocês tratem ele como suspeito.

- Sr. Park, se acalme. – disse o Detetive sei lá o quê. Eu estava muito ofendido com aquela acusação contra JK e não queria ouvir porra nenhuma.

- Me acalmar? O Sr. quer que eu me acalme enquanto meu noivo é acusado de sequestro e está perdido sabe-se lá por onde e totalmente incapaz de se defender?

- Sr. Park, – chamou novamente o Detetive – todos nessa sala serão interrogados separadamente como parte da investigação e nesse momento o Sr. terá a oportunidade de apresentar seu ponto e depois de averiguarmos, essa possibilidade será descartada. Mas a princípio, essa é a conduta da polícia para qualquer situação semelhante. Então, apenas tenha calma, sente-se por favor.

- Ok Detetive, então vamos ouvir qual a situação perigosa envolvendo Kim Taehyung que acabou espirrando em Jungkook que inexplicavelmente estava com ele no voo. – respondi ironicamente enquanto voltava a sentar.

- Isso é bem óbvio, Sr. Park. Todos devem ter conhecimento do projeto de lei proposto pelo Senador Kim que deve mudar a Lei Civil e Penal atribuindo certos direitos aos ômegas e tornando crime diversas condutas violentas contra eles.

- O que isso tem a ver? – perguntou Seokjin. – Desembucha de uma vez, Detetive!

- Qual é Sr. Kim! – respondeu o Detetive voltando sua atenção ao jovem rebelde e mal educado – Em que mundo o Sr. vive? As atividades políticas do seu irmão colocaram toda a sua família em evidência na mídia, na política e da mesma forma, no submundo do crime, o ambiente mais amplo e difícil de acessar, mas que está a nossa volta, em todo e qualquer lugar. Esse projeto de Lei é muito bonito e traz esperança para os ômegas em toda a Ásia, já que uma vez aprovado, exercerá influência política e pressão social em todo o continente. Mas o outro ponto aqui é que o meu irmão está mexendo com os negócios de gente muito poderosa e perigosa, gente que vai perder muita grana com a aprovação desse projeto. Desde cafetões e donos de boates, até traficantes de pessoas, de órgãos. Sabem quanto vale um ômega virgem em seu primeiro cio?

- Santo Deus! Já consigo ver as manchetes de hoje. “Senador Kim Namjoon propõe projeto de lei revolucionário, mas não foi capaz de proteger seu próprio ômega”. – disse Seokjin debochando do irmão. A rixa entre ambos era muito problemática.

- Soube que frequenta as boates em Gangnam, Sr. Kim. – provocou o Detetive – Por acaso já experimentou algo assim? Esses serviços são direcionados especialmente para pessoas como você, alfas ricos e entediados, doidos pra encontrar com o que gastar suas fortunas.

- Mas que caralhos você está dizendo, Detetive? – gritou Seokjin levantando-se num rompante e partindo pra cima do beta. – Quem você pensa que é?

O alfa de cabelos platinados e Namjoon agarraram Seokjin cada um de um lado, enquanto a – talvez – secretária do Senador e eu nos afastávamos antes que sobrasse um soco para nós.

- Para, jin! Caralho! – gritou o platinado – O Sr. não acha que se excedeu aqui, Detetive? Já acusaram o rapaz que está no avião, agora está acusando um membro da família Kim?

- Sinto muito Sr. Jung, mas até que possamos descartar essa possibilidade, todos os presentes são suspeitos de envolvimento, já que isso foi algo com características de serviço interno, alguém que tinha conhecimento do status do Sr. Kim Taehyung na América forneceu informações aos criminosos. Vocês serão separados e interrogados individualmente. O mesmo acontecerá com as famílias da tripulação da aeronave. Por hora, a Major fará um breve pronunciamento oficial relatando o caso como um acidente aéreo. Dessa maneira, teremos a vantagem de investigar em sigilo, antes que os criminosos tenham tempo de agir novamente.

- Detetive Park, e se realmente aconteceu um sequestro? Se pedirem um resgate ou pedirem ao Senador que ele retire seu projeto? – falei entre lágrimas. – O mais importe não foi dito ainda: o que vamos fazer? O que vocês farão para salvar as pessoas que estão no avião? Por Deus! Por que não estão discutindo o que fazer?

- Faremos tudo ao nosso alcance para trazê-los de volta em segurança. – disse Namjoon olhando intensamente para mim, olhando em meus olhos pela primeira vez desde que tivemos nosso momento juntos. – Eu farei o que for preciso para resgata-los, eu juro para você.

Sinceramente, eu estava perdido. Não senti confiança em nenhuma daquelas pessoas ali, pois todos pareciam tão perdidos quanto eu. Mas o fogo que enxerguei nos olhos de Namjoon naquele momento me fez sentir claramente que toda determinação de suas palavras nada mais era que culpa por ter permitido que seus sonhos afetassem a pessoa que ele realmente deveria proteger.

Deus, proteja Jungkook e Taehyung.

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Queridos, esse capítulo foi cheio de explicações e conflitos, mas espero que não tenha sido chato.

Da mesma maneira, espero que pela visão do Jimin vocês tentem entender os motivos dele para a traição.

Na minha mente, foi algo muito parecido com o que o verdadeiro Jimin descreve na letra de "Like Crazy". Eu vim do futuro! ^^

Não esqueçam de curtir e comentar. E se vocês quiserem, vamos conversar aqui nessas notas que deixo no final de cada capítulo.

Obrigada por ficarem comigo. Um beijo, Love. 💜

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Apr 21, 2023 ⏰

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