O automóvel havia sido estacionado em frente ao grande salão de festas na mansão do presidente Francis.
Naquela noite comemorariam a vitória de Francis Blanco, após seu concorrente desistir de assumir a presidência, sendo o único a ser eleito.
Francis havia vencido as eleições com 80% dos votos e era o presidente reeleito do país.
— Mark, quero atenção redobrada nesse evento. Qualquer atitude suspeita de quem quer que seja tem que ser revisada. — o comandante suspirou, tomando uma pistola em mãos, chegando seus cartuchos. — Se Damian aparecer, todos tem a autorização para atirar.— Davin murmurou.
— Davin, mesmo sendo um assassino, ainda é protegido pelo poder militar. Não podemos matar um policial militar!— Mark resmungou, voltando os olhos para o passageiro.
— A burocracia resolvemos depois. Não quero ver esse homem em pé se ele aparecer!— o comandante cerrou os dentes, abrindo a porta do passageiro, escondendo o revólver em um coldre de peito, abaixo de seu paletó.
Caminhou até o veículo de segurança mais a frente, abrindo a porta traseira, estendendo a mão para que Alice saísse.
A morena firmou os pés ao pé da escada, sentindo a mão ser segurada com força pelos dedos do comandante.
Lentamente, passaram a subir as escadas, de mãos dadas, em silêncio.
A mente de Alice lhe traziam diversas possibilidades do que o homem poderia fazer aquela noite após ver Ayla e na pior delas, Davin a deixaria sozinha, a trocando pela irmã.
— Você está bem?— a voz do comandante surgiu próxima a seus ouvidos, fazendo-a piscar, desconcertada.
— Estou. Mas eu espero que você se lembre da promessa que me fez.— a mulher suspirou, voltando os olhos para encara-lo.
Os olhos de Davin notaram um sentimento estranho surgir pelas iris verdes de Alice.
Nunca havia visto aquilo, mas não gostava nem um pouco.
— Não vou te deixar sozinha, Alice. Confie em mim!— o comandante suspirou, voltando a caminhar em direção ao salão de festa.
A mulher contentou-se em sorrir.
Sabia que Davin cumpria suas promessas.
O casal adentou a mansão presidêncial, observando com atenção todos os presentes.
Haviam mais pessoas que a última festa na qual haviam comparecido.
Pelo canto do olhos observou o ministro de defesa aproximar-se.
Davin não gostava da presença do pai em festas como aquela, mas sabia que o resultado daquela eleição havia sido de influência dele.
Daniel havia descoberto a ação de um golpe político organizado pelo partido do competidor de Francis.
O ministro havia sido a peça crucial para finalizar as eleições.
— Comandante, Alice!— Daniel soou um tanto sério.
— Vossa excelência, é um prazer revê-lo. — Alice soou um tanto simpática.
— Digo o mesmo, Alice. Como vão as coisas? Eu soube que se mudaram pra capital.— o ministro perguntou, voltando os olhos para Davin, que parecia ignora-lo.
A verdade era que Davin sentia certa mágoa pelo pai por ter que encobrir a notícia de que a mãe havia sido assassinada por um policial militar.
Daniel havia sido obrigado pelo superior da época a omitir todas as informações do caso de Damian Marley, que fugiu do país antes mesmo das investigações terminarem.
— Nos mudamos. Estamos vivendo em um ótimo bairro. — Alice o respondeu, notando a irritação de Davin.
Um longo suspiro surgiu pro entre os lábios de Daniel.
Seu filho havia crescido como um grande homem, e um ótimo potencial, mas seu temperamento era parecido ao da mãe.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Coração Gelado
Short StoryDavin, capitão do maior grupo de segurança de alto escalão de seu país, é enviado para a capital para certificar a segurança da primogênita do presidente após um golpe político. Após um caso de quase um ano com a irmã daquela que deveria proteger, n...
