Capítulo 17

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Ben's POV

Senti um aperto no peito quando a vi chorando, eu queria tanto abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem, mesmo sem saber o que aconteceu. Depois eu tento resolver isso, agora preciso focar totalmente nesse jogo. Nosso esforço e dedicação durante a temporada não pode ter sido em vão. As expectativas estão altas. A torcida está com o grito de campeão entalado na garganta. Depois de tudo o que aconteceu, estávamos precisando de acontecimentos bons.
[...]
Ao entrar no vestiário após o aquecimento, sinto um clima pesado. Todos estão ansiosos e nervosos, mais do que nunca. Não posso julgá-los, é um jogo de extrema importância, mas não podemos entrar em campo assim, se não tudo vai por água abaixo.
“Certo rapazes, formem um círculo e se sentem no chão, como de costume. Todos prontos?” Todos assentem, alguns com um aceno de cabeça e outros com um sim balbuciando.
“Certo, puxem o ar pelo nariz, segurem 5 segundos e soltem pela boca, 5 vezes. Enquanto isso, relaxem o corpo e tentem afastar os pensamentos para longe.”
“Certo, agora imagem uma memória feliz, imaginem vocês beijando a medalha, o troféu, estourando champanhe e jogando um nos outros, abraçando e comemorando com as pessoas que vocês amam. Não deixem que a ansiedade e o nervosismo tirem tudo isso de vocês. Pensem bem em cada passo, em cada decisão que vocês vão tomar. Nós somos uma equipe e cada um de vocês importa muito para esse time, menos você Jadon, pode ir embora.” Provoco Sancho no final do meu discurso e levo um tapinha no braço em troca. “Estou brincando cara, venha aqui.” E o envolvo em um abraço de irmãos. Jadon foi um presente que a seleção inglesa me deu. Não sei o que seria de mim sem esse cara. Depois que eu comecei a fazer terapia e a meditar, entraram em um consenso que eu deveria ser o vice capitão ou algo assim. Marco Reus normalmente usa a faixa em campo, mas ele me dá total autonomia no vestiário. Ele diz que eu sou um líder nato e tenho que ir aprendendo aos poucos se eu quiser assumir a faixa definitivamente.
Seguimos para o túnel que nos leva ao gramado, uns atrás dos outros. Tem algumas crianças nos esperando, alguns são os filhos dos próprios jogadores, outros são torcedores mirins. O hino da Bundesliga termina, todos se posicionam em campo e o som do apito ecoa pelo estádio.
“Já se passaram 40 minutos do primeiro tempo e o Borussia Dortmund vem fazendo uma grande partida, assim como o goleiro do Union Berlim e se a bola não entrou ainda foi por causa dele. Temos que ver se o jogo vai virar no segundo tempo... Por enquanto o Union está no ataque, na verdade estava, pois o zagueiro alemão Schlotterbeck acaba de roubar a bola e lá vem contra atraque, meus amigos. Schlotterbeck passa pra Bellingham, que gira e deixa a bola com Sancho, que vem chegando no ataque pela ponta. Sancho para Haaland... E GOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL DO BORUSSIA DORTMUND!! Aos 43 minutos do segundo tempo, o Borussia Dortmund abre o placar com Erling Haaland.”
Certo, estamos ganhando, mas o jogo ainda não está ganho, um filme passa pela minha cabeça, enquanto olho em volta do vestiário. Terzic está dando o sermão de sempre, acho que era pra ser algo motivador, mas okay.

“10 minutos do segundo tempo e Nico Schulz acaba de cometer um pênalti bizarro a favor do Union Berlin. O cobrador se prepara, respira e GOLLLLLLLLLLLLLLLL DO UNION BERLIN.”
Merda, merda, merda. Sinto meu sangue ferver e uma vontade imensa de socar a cara daquele desgraçado. Schulz entrou porque o Ryerson foi derrubado e sentiu algumas dores. Não pareceu ser nada grave, mas o treinador quis poupar ele para a Pokal.
“Calma cara, tá tudo certo, vai dar tudo certo, foco.” Diz Sancho, quando se aproxima de mim.
“Já se passaram 30 minutos do segundo tempo. Chilwell cruza para Wolf mas a bola acaba passando reto pela lateral e infelizmente acerta alguém, que pelo que estamos entendendo, é da equipe do Borussia Dortmund.”
Eu vi que a bola passou pela lateral, mas não entendi porque o juiz não retomou o jogo, até que olho para o telão e vejo pessoas tentarem estancar o sangue que jorra pelo nariz de Mia. Corro Imediatamente até sua direção.
“Ei, você está bem??”
“Volta pra lá e ganha essa merda, senão eu quebro seu nariz.” Sua voz soa fanha, mas foi o gás que eu precisava. Foi engraçado, mas eu sei que se eu risse, não seria só meu nariz que estaria quebrado.
“Faltando dois minutos para acabar a partida, o juiz marca uma falta perigosíssima a favor do Borussia Dortmund próximo da área. A barreira já está montada e Sancho e Chilwell estão na bola. Quem será que bate?”
“CHILWELL, NA GAVETAAAAAA, É GOL DO BORUSSIA DORTMUND. BEN CHILWELL É O NOME DELE. QUE GOLAÇO!!!!! Ele estava merecendo marcar, fez uma ótima partida. Merece todos os créditos, e está sendo o responsável a por enquanto coroar o Borussia Dortmund campeão da Bundesliga.”
Ouço o apito sinalizando o final do jogo e a minha única reação é cair de joelhos e agradecer. Enquanto estou ali não consigo pensar em nada. Estou tentando acreditar que tudo isso é real. De olhos fechados, sinto alguém me derrubar e ouço Jason berrando nos meus ouvidos.
“PORRA CHILLY, CAMPEÕES, SOMOS CAMPEÕES DA BUNDESLIGA CARALHO!!!!!”
Eu não quero nem imaginar o quanto essa cidade vai cheirar a álcool nos próximos dias.

“Não é hoje que você vai quebrar meu nariz, gatinha.” Digo em tom sarcástico quando me aproximo de Mia.
“Desculpa, eu ... Eu estava meio ... Em choque e...” Ela tenta se explicar.

Oie Oie gente, estou quase de férias e aproveitei para trazer um capítulo fresquinho pra vcs, acho que o que eu estava mais ansiosa para escrever e postar para vcs. Espero que gostem!

Effect | BEN CHILWELLOnde histórias criam vida. Descubra agora