2- O Chá

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Eu estava muito ansiosa para me mudar para a mansão dos Saad. Agora eu ganharia um bom salário e não precisaria gastar dinheiro com aluguel, água, luz e despesas de casa. Eu não era ingênua de pensar que as coisas seriam fáceis no meu novo emprego, a Simone Saad já tinha deixado claro seu gênio difícil, e sem dúvida os filhos dela deveriam ser piores. Mas eu daria meu jeito para fazer dar certo.
Arrumei minha mala, eu não tinha muitas coisas, apenas algumas roupas, dois pares de sapatos, produtos de higiene e minha máquina de costura que ganhei em uma rifa. Se eu tivesse sorte conseguiria alguns clientes na mansão. No fim da tarde recebi uma chamada de voz da Karina.

__ Oi, amiga! __ atendi animada.

__ Oi, bixa sortuda!__ ela respondeu também animada. __ Já fez as malas?

__ Sim, Karina.

__ A poderosa vai mandar o motorista buscar você.

__ Como?__ perguntei incrédula.

___ Eu também fiquei surpresa, Soso. Até onde sei, a poderosa Simone Saad não costuma ser legal com novos funcionários . Mas parece que ela gostou de você. __ soltou uma risadinha.

__ O que quer dizer com " Ela gostou de mim"? __ eu já estava desconfiada.

__ Nada, lindinha. O motorista está a caminho, o nome dele é Joel.

__ Ok.

__ Ele é um negão lindo, mas tira o olho, que ele o amor da minha vida, só não sabe ainda...

__ Pode deixar, amiga. A fruta que eu gosto é outra.

__ Ah é, eu tinha esquecido. __ riu descarada. ___ Talvez porque você vive em celibato. Se brincar nunca deu pra ninguém.

__ Idiota!

__ Também te amo. __ e desligou.

Apesar de nos conhecermos a pouco tempo, Karina já sabia me irritar. Isso mostrava o quanto nossa amizade estava evoluindo, eu já amava aquela ruiva sem noção. Outro detalhe era que ela estava certa , eu ainda era virgem e talvez permaneceria assim por bastante tempo. Eu era uma jovem de 19 anos de bem comigo e que não me entregaria para qualquer pessoa. Nunca passou pela minha cabeça perder a virgindade como quem perde um dente de leite, eu não queria dar para alguém em uma balada bêbada e sem noção, também não queria dar só para deixar de ser virgem. Apesar de viver em um mundo maluco onde as relações são tão superficiais e frágeis , eu acreditava no amor. Talvez não fosse naquele amor que dura para sempre, mas naquele intenso, marcante e cúmplice que não precisa durar. Vive-lo mesmo que por pouco tempo já vale a pena.
Quando o motorista chegou eu já estava no portão do prédio esperando toda sem graça, porque a dona Jane me fez tirar minha correntinha de ouro ( que tinha sido da minha avó ) para pagar os alugueis atrasados. Tentei fazer um acordo garantindo pagar com juros assim que recebesse meu primeiro salário, infelizmente não funcionou. Ela não me deu ouvidos e ainda me humilhou na frente das pessoas que passavam. Como eu estava errada , apenas fiquei calada. Meus pais me ensinaram a honrar com os compromissos para nunca ficar com uma má reputação e perder a confiança das pessoas. Me senti uma fracassada por estar naquela situação, mas eu tinha fé que logo tudo seria uma página virada.

__ Boa tarde. Me chamo Joel. __ disse o homem negro gato de terno ao sair do luxuoso carro que parou em frente ao prédio. __ Vim buscar a senhorita Soraya de Castro.

__ Boa tarde, Joel. __ falei de imediato. __ Soraya sou eu !

__ Prazer. __ estendeu a mão. __ a Sra. Simone Saad me mandou.

___ A Karina me avisou. __ respondi , apertando a mão dele . ____ Somos amigas. __ acrescentei.

Joel me ajudou com a mala e com a caixa que guardava minha máquina de costura. Em seguida me levou para a mansão dos Saad. No caminho íamos conversando e sempre que dava, eu falava da Karina. Com isso acabei percebendo que ele também gostava dela. Afinal quem não ia gostar daquela ruiva gata com aquele corpo de miss e aquele olhão azul oceano? Até eu queria se ela não fosse hétero e louca. Era só uma questão de tempo para juntar os dois.
Assim que chegamos uma senhora de cabelos loiros e olhos verdes veio ao nosso encontro. Ela estava usando um uniforme parecido com o da Karina, só que no lugar da calça era uma saia até o joelho.

Coelhinha ( Simoraya)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora