Capítulo 8

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Quando, depois do almoço, Noah se dirigiu à sala do pequeno apartamento que eles estavam dividindo em Oxford, Chris estava no telefone com a mãe, falando em voz baixa. Era o final de semana em que Oliver iria para Londres, por isso Chris e Jeane não iriam se encontrar, uma vez que ele e Oliver revezavam os finais de semana. Noah observou quietamente, ombro encostado na dobra da parede do corredor, enquanto Chris segurava o telefone contra o telefone, enrolando o fio preto dele no dedo indicador enquanto falava.

O amigo havia visto a chegada de Noah e sorrira brevemente, distraído pelas palavras de Jeane para ele, quaisquer que fossem elas. Eles obviamente estavam conversando sobre Maxwell, o semblante de Chris sério e sombrio como ficava apenas quando ele falava ou pensava sobre o pai. Mais uma vez, ao pensar sobre o assunto que tinham discutido mais cedo no começo do mês anterior, Noah sentiu um frio na barriga incômodo e apreensivo: a verdade era que ele não gostava nem um pouco do que poderia deixar Jeane tão secretiva e reservada sobre Maxwell e os motivos do homem por não ser um pai para Chris.

— Eu estou bem, mãe, nada aconteceu. — Noah ouviu Chris murmurar em uma voz suave e tranquilizadora. — Eu só queria falar com você hoje.

Ele se lembrou em uma autocensura que nem todas as pessoas do mundo escondiam segredos porque estavam, de alguma forma, encobertando a violência ou a crueldade de outra pessoa. Pelo comportamento de Jeane, na verdade, era óbvio que ela amava Maxwell imensamente e que ele também a amava — era uma das poucas coisas em que Chris nunca fraquejava em sua certeza quando falava sobre Maxwell Evans, algo irônico, considerando o quanto o amigo de Noah sentia que não conhecia o próprio pai.

— É que eu tenho uma resposta para você. Para a sua pergunta da semana passada. — Noah viu Chris engolindo em seco no telefone, olhando para ele como se estivesse pedindo socorro com os olhos. Mas Noah sabia que o amigo queria fazer aquilo, ele queria saber, apesar do medo. Ele ouviu os ruídos ininteligíveis da voz de Jeane do outro lado da linha e Chris tomou fôlego. — Eu... aceito. Eu quero falar com meu pai e ouvir o que ele tem a dizer, mas eu preciso de um tempo para me preparar para isso. Talvez eu não consiga, mas eu ainda preciso de um tempinho apenas para me acostumar com a ideia.

Houve silêncio do outro lado da linha, então pareceu a Noah que Jeane finalmente respondera, porque Chris assentiu distraidamente enquanto mexia nos lábios com os dedos, ouvindo.

— Eu acho que começo de abril está bom, já que é fevereiro agora. — Os olhos de Chris relancearam para o calendário pendurada à parede da sala, apesar de Noah duvidar que ele pudesse realmente ver alguma data daquela distância. — Já é um pouco mais quente, então a viagem de vocês não vai ser desconfortável, e eu tenho tempo o suficiente para passar pelas provas de meio termo e descansar depois delas.

Apesar de estar preocupado com o teor da conversa do amigo com a mãe dele, a direção do olhar de Chris para o calendário lembrou Noah de que ele mesmo tinha um compromisso naquela tarde e que ele tinha saído do quarto exatamente por causa daquilo. Com um olhar de relance para o relógio, Noah percebeu que ainda tinha um tempo, relaxando um pouco: ele e os irmãos tinham combinado de se encontrarem no café de frente para o apartamento de Noah, por isso ele podia se dar ao luxo de esperar para ter certeza de que Chris ficaria bem sozinho depois da ligação.

— Tudo bem? — A pergunta insegura de Chris soou aos ouvidos de Noah, tirando-o de seus próprios pensamentos e levando-o de volta ao tempo presente. Ele voltou sua atenção de volta para o amigo. — Okay, então. Te vejo semana que vem? Okay. Beijo, te amo.

Chris bateu o telefone na base, encaixando-o com firmeza ali e suspirando largamente, algo que divertiu Noah, apesar de sua preocupação: ele sabia que o amigo estava sofrendo para comunicar sua decisão à mãe. Afinal, não era atoa que Chris demorara quase um mês e meio para finalmente ter coragem de ligar para Jeane para falar sobre o assunto. Mas Noah também sabia que, às vezes, as tarefas que alguém mais tinha medo de começar a fazer eram as mais simples.

Aos Poetas Decadentes - Volume 3Onde histórias criam vida. Descubra agora