Lauren foi apaixonada por Camila durante todo o seu ensino médio, mas perdeu contato com a latina quando completou o último ano do colegial. Após ter conseguido uma bolsa de estudos na faculdade UFRJ, Lauren se mudou para o Rio de Janeiro com o obje...
Depois que passamos dos vinte anos, percebemos que as consequências de nossas escolhas cabem somente a nós, e naquele momento, enquanto meu autocontrole se esvaziava do meu corpo após o Palmeiras ter marcado um gol, não tinha a quem culpar ao não ser a mim mesma.
- Mas que merda, vai se fuder seus merdas.- Gritei estressada com o meu próprio time.
- Lauren, calma, eles ainda vão ganhar é só o começo do jogo.- Ally tentou me acalmar entregando uma garrafa de água mas eu rejeitei, meu estômago estava em uma situação péssima e qualquer coisa que entrasse nele, poderia sair pra fora no mesmo instante.
- Esse é o problema Ally, nem começou direito e já estamos perdendo.- Normani disse revoltada e de braços cruzados.
- Mas isso é normal, estamos perdendo vários jogos ultimamente.- A mulher mais baixa comentou recebendo olhares de repreensão vindos de mim e Normani.- Qual é meninas, vocês sabem que não estou mentindo.
- Não precisa jogar assim na cara!
Ok, meu time não estava em sua melhor fase e até mesmo um cego era capaz de enxergar aquilo. E com a escalação de merda que fizeram justamente naquele dia, as chances de sairmos vencedores era nula.
O segundo tempo foi mais humilhante do que o primeiro. Palmeiras fez mais dois gols enquanto o Corinthians não conseguiu marcar nenhum. E o pior de tudo era que eu havia feito uma postagem no Instagram dizendo que se o Corinthians ganhasse , meus alunos teriam três aulas teóricas seguidas, caso contrário, seriam aulas práticas.
Certeza de que aqueles pestinhas estavam torcendo para o meu timão perder.
Meu coração saiu pela boca quando Pedro Raul, o novo atacante, conseguiu marcar um golaço.
Imediante a torcida começou a pular e a gritar em comemoração.
"Salve o Corinthiansssssss o campeão dos campeõeeess"
Abri a garrafa de água que estava na mão da Ally e comecei a jogar pro alto, era melhor uma chuva de água do que de cerveja.
" Eternamente dentro dos nosso corações "
Do outro lado do campo, avistava os palmeirenses rugindo de ódio, mas sabia que ainda estavam em vantagem por terem dois pontos a mais.
- Ih olha só quem está toda feliz.- Normani gritou me estendendo o celular e eu precisei usar uma mão para cobrir a tela, com medo de cair cerveja na mesma.
Cerrei os olhos para ver melhor Camila Cabello cantando o hino do Palmeiras e gravando o campo de futebol. Ela estava linda, impecável, deslumbrante.
Suspirei entregando o celular para Normani que assim como Ally me encaravam esperando alguma reação. As duas eram apoiadoras da minha paixonite pela Camila na época da escola, e qualquer interação que tínhamos era motivo de vibração.
Acredito que até hoje nem mesmo elas superaram.
- Eu esqueci que ela estaria aqui hoje.- Confessei meia verdade.
Minha sexta feira foi resumida em ansiedade e cenários imaginários de como seria reencontrar com ela. Mas assim que cheguei no estádio, Camila nem se quer passou pela minha cabeça.
- Mas parece que o destino não tá querendo que você se esqueça não, olha só quem está no telão.- Ally me cutucou e apontou em direção ao telão do estádio, mostrando a mulher de braços cruzados e uma cara de poucos amigos, mas assim que recebeu um empurrão no braço, ela levantou a cabeça e ficou vermelha como um pimentão, acenando timidamente para a tela.
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