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BERNARDO

Acordo com alguém pigarreando, abro os olhos e vejo um enfermeiro me olhando sem graça e percebo Luciano acordando do meu lado também.

Ele dormiu sentado segurando a minha mão? Quero nem imaginar o estado da coluna dele que se levanta se espreguiçando e faz uma cara de dor.

_ Bom dia doutor Luciano, bom dia senhor Bernardo. Desculpa os acordar mas é que o doutor Adriano me pediu. Ele irá fazer seus exames daqui a pouco, se quiser pode tomar banho, o café da manhã terá que ser depois dos exames.

Me sento com bastante dificuldade na cama, Luciano tenta me ajudar mas dispenso a ajuda dele lhe lançando um olhar afiado.

_ Bom dia. Pode me ajudar com o banho Leonardo?

Pergunto ao enfermeiro e peço para ele me entregar a bolsa que está no sofá. Separo toalha, cueca, pijama, chinelos e necessaire. Volto a olhar o enfermeiro e Luciano que me olham.

_ Não pode vestir essas roupas Bernardo. Irá fazer exames agora.

Luciano diz.

_ Então ficarei nu, não visto mais essas batas horríveis.

Luciano balança a cabeça contrariado e eu o ignoro.

_ Depois dos exames, pode por favor me trazer algo pra comer que não seja chá com bolacha Leonardo? Não se preocupe, se precisar pagar eu pago. E quero comida no meu almoço, se eu ver aquela sopa novamente, juro que atiro quem a trouxer por essa janela.

_ Você está internado Bernardo.

_ Eu sei, mas não é por isso que passarei fome.

Eles me olham e sei que Luciano sabe que eu estou falando sério.

_ Então? Vai me ajudar a tomar banho ou terei que tomar sozinho?

_ Eu ajudo...

_ Eu ajudo Leonardo. Pode se retirar, obrigado.

_ Mas doutor, essa é minha função.

_ Ele está certo Luciano.

Luciano fica com o olhar cravado no enfermeiro que sai sem graça.

_ Eu quero que o enfermeiro me ajude Luciano, o chame de volta.

Ele entra no banheiro do quarto tira sapatos, camisa e logo volta.

_ Vamos Bernardo. Ja que quer mandar no hospital, terá que colaborar também..

_ Eu não quero mandar em ninguém. Só não quero usar essa bata ridícula e quero comer bem, qual o problema?

Ele suspira parecendo buscar paciência.

_ Você está internado, tem algumas limitações não pode comer o que bem entender. Agora vem. Vou te ajudar no banho.

Olho pra ele e vejo que ele também fala sério.

É estranho deixar meu ex marido me ajudar no banho mas ontem depois de cinco anos ele viu o meu pau, então hoje nada mais nos abala.

Com o auxílio dele sigo para o banheiro me perguntando que merda eu fiz pra agora meu ex marido estar me dando banho? Não foram nas circunstâncias de uma quase morte que os meus sonhos me mostravam nós dois juntos debaixo do chuveiro.

Eu escovo os dentes e ele fica me olhando.

_ Ficará me olhando como se eu fosse uma espécie rara?

_ Você é raro, uma beleza difícil de se encontrar.

APRENDER A RECOMEÇAROnde histórias criam vida. Descubra agora