EPÍLOGO

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FERNANDO

Eu e Bernardo dormimos pouco essa noite, Gabriel acordou duas vezes. Mas eu não me importo, ajudei com o bebê nas duas vezes que ele acordou, ter esses dois comigo é a melhor coisa que poderia ter acontecido em minha vida.

Nos ajeitamos os cinco na cama. Eu, meus amores e os cachorros, aliás ainda bem que aquela desgraça não insinuou que queria a cachorra de volta, seria decretada a terceira guerra mundial porque eu não deixaria Bernardo a entregar, ela ja faz parte da família.

Bernardo e eu hoje tiramos folga em nossa empresa, assim como ontem. Precisamos resolver algumas coisas.

Eu acordo antes dele, tomo banho e peço um café da manhã completo na padaria do condomínio pra nós e dou água e comida para os cachorros. Ele acorda junto com o bebê e da banho nele, eu dou mamadeira pra Gabriel e ele vai tomar banho.

Coloco Gabriel no carrinho e vamos tomar café da manhã.

_ Eu confirmei o almoço com os meus pais, minha mãe e Cecília estão fazendo lasanha pra gente.

_ Adoro a lasanha da Cecília.

Falo pensativo.

_ Se está com receio de conhecer meu pai, não fique. Ele é um machão antiquado mas jamais fará algo pra sabotar a minha felicidade.

_ Era também sobre isso que eu estava pensando. Você diz que seu pai é um machão antiquado, ele aceitou numa boa o fato de você ser gay?

_ Numa boa não, mas como eu disse. Ele jamais faria algo pra sabotar minha felicidade. Quando eu contei a eles que curtia meninos, eu tinha catorze anos, ja havia ficado com meninas mas não rolou. Meu pai disse que iria me dar uma surra, falou um monte de merda e virou a cara pra mim por uma semana. A surra nunca aconteceu e ele mesmo veio conversar comigo. Disse que não concordava mas que me amava, ele também disse pra eu não baixar a cabeça pra macho nenhum.

_ E permitiu e incentivou o Luciano na sua vida?

_ O Luciano é um narcisista, a arte dele é seduzir e agradar, ele fazia isso com os meus pais. Eu não contava muita coisa wue acontecia, acho que até por isso foi tão difícil pra eles aceitarem que Luciano me traiu.

_ Um falso, isso é o que ele é.

Ouvimos a campainha, Gabriel se assusta e chora, Bernardo o pega no colo.

_ Só pode ser Wendel ou meus pais.

Saio para atender.

_ Tinha que ser.

Falo assim que abro a porta.

_ Ta fazendo o que aqui?

_ Vim ver se precisarão de mim, meu companheiro de aluguel está com visitas e também hoje é meu dia de plantão.

_ Mudança de planos.

_ Pode ficar la em casa Wendel, estamos indo pra la.

A campainha do portão toca.

_ Esse porteiro deixa geral entrar nesse condomínio, pra que botaram cancela?

Atendo o interfone contrariado.

APRENDER A RECOMEÇAROnde histórias criam vida. Descubra agora