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LUCIANO

Vim ao apartamento de Bernardo só depois de ter conseguido a guarda provisória, dei meu jeito de o manter afastado. Foi difícil pois ele é insistente, mas o bom é que pelo meu histórico nem passou pela cabeça dele que eu pediria a guarda do bebê.

O tal segurança abre a porta pra mim com cara de quem está disposto a me matar ali mesmo, eu o ignoro e conto a Bernardo que pedi a guarda do bebê.

_ Como assim você pediu a guarda do bebê?

Ele pergunta novamente com a expressão incrédula e assassina.

_ Pedi.

_ Você está falando sério?

_ Qual o espanto? Eu auxiliei no parto, foi uma cesariana difícil, quase perdemos o bebê também, acabou que eu me encantei por ele.

_ Se encantou?

_ É. Porque está tão relutante em acreditar?

_ Você odeia bebês, odeia fraldas, odeia tudo que envolva barulho e criança. Quando éramos casados eu quis adotar um filho e você não quis.

_ Eu mudei muito Be. Eu te disse isso. Nem eu esperava me encantar tanto com aquele bebê.

Ele desfez a cara de raiva e agora está com cara de choro.

_ Então só me resta te parabenizar. Parabéns pelo bebê.

Pego na mão dele e o puxo pra sentar em seu sofá comigo.

_ Você deveria se parabenizar também.

_ Porque?

Respondo com a voz mais emocionada que eu consigo.

_ Ele é nosso bebê. Eu o adotei, mas ele é nosso.

_ Ele não é nosso. Nós não estamos juntos.

Passo a mão em seu rosto fazendo um carinho. Bernardo sempre gostou de ser bajulado e mimado, eu sempre resolvia nossas pendências assim. Talvez ainda funcione.

_ A gente pode começar do zero Be. Eu, você e aquele bebê.

Ele se levanto do sofá, indignado.

_ Você me acha tão manipulável assim?

_ Bernardo...

_ Acha que eu sou uma marionete medíocre que você manipula como quer?

Eu me levanto também.

_ É claro que não Bernardo, não é nada disso. Eu adotei o bebê com a melhor das intenções, eu me apaixonei por ele e estou disposto a te deixar fazer parte de nossas vidas.

Ele nega com a cabeça.

_ Você tomou o que era pra ser meu. A Márcia pediu pra mim adotar o filho dela, você nem queria a atender no hospital, eu quem pedi.

_ Eu não podia a atender, é diferente. Você acha que eu posso bancar cirurgia e internação de um paciente naquele estado crítico num hospital como aquele? Entenda o meu lado Bernardo.

_ Independente disso, você não agiu certo comigo e você sabe disso.

_ O que eu sei é que o destino nos uniu novamente, aquele bebê é nosso. Nós dois ali, na hora e lugar certo. Foi perfeito.

_ Perfeito? Uma mulher morreu, a mãe do bebê morreu Luciano. É isso que você chama de perfeição?

_ Eu me expressei mal, eu sinto muito por ela, mas era pra acontecer. Fizemos nossa parte quando a socorremos.

APRENDER A RECOMEÇAROnde histórias criam vida. Descubra agora