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FERNANDO

O ex de Bernardo saiu do quinto do inferno pra vir aqui tirar a nossa paz, só pode.

Foi só ele botar os pés no apartamento pra pesar completamente o clima.

Bernardo foi o atender e eu limpar a travessa de pavê que se quebrou na cozinha. Vai vendo.

Termino de limpar tudo e vou ao escritório. Ligo os monitores e fico de olho no malandro. A expressão corporal e as falas dele deixam claro que ele está manipulando Bernardo, que por mais que tente resistir, acaba fazendo exatamente o que o cara quer.

O cara foi traiçoeiro e pediu a guarda do bebê eu o deixaria se virar. Mas Bernardo não é como eu, ele tem o coração mole. É uma grande qualidade mas um grande defeito também.

Ele foi até o escritório avisar que iríamos sair e eu atendi ao meu desejo e o beijei. E se eu tinha alguma dúvida que é ele que eu quero ela foi sanada em um único beijo.

O beijo dele é gostoso demais e se encaixou perfeitamente em minha boca, em meu paladar. Eu ja não quero outro gosto, a não ser o dele.

Pena que tem um estorvo o esperando na sala, mas ele me disse com as bochechas lindamente coradas que quando voltássemos do hospital, a gente iria "conversar".

Ele vai ao quarto comigo e eu sem vergonha nenhuma, tiro minha roupa e a substituo por outra. Ele sorri ainda mais corado.

Fomos a sala e ele vai trocar de roupa também, minhas vontade era ir junto com ele, mas fiquei na sala com o estorvo que nos olha parecendo estar desconfiado.

Eu não me importo com a cara feia que ele está me fazendo e me importo menos ainda que ele saiba o que estávamos fazendo no escritório, até onde eu sei eu e Bernardo somos livres desempedidos.

Eles vão sentados no banco de trás do carro e o estorvo vai tagarelando pra caralho sobre como o bebê "deles" é lindo e fica divagando sobre a família perfeita deles.

Cara de pau. Enchendo os ouvidos de Bernardo com essas palavras diabólicas. Porque ele não constrói uma família com o cara que ele comeu enquanto era casado com o Bernardo?

Vontade de parar o carro e jogar esse ser pra fora. Se depender de mim tu vai recomeçar sua família na casa do caralho.

Chegando no hospital eles vão a pediatria. Eu não vou porque é um lugar cheio de bebês frágeis de imunidade mínima na incubadora. Não tem necessidade de eu estar la.

Mas... porque eu não fui com eles? Tinha até me esquecido desse cara.

_ Fernando. Que bom te ver. Você sumiu, não retornou minhas mensagens.

_ Eu retornei, disse que não podia te ver.

_ Agora você pode?

Porra! Odeio essas coisas.

_ Não.

_ Porque não? Você está aqui.

Que insistente.

_ Estou trabalhando.

_ Então gente marca um dia que...

_ Cara. Eu não quero. Odeio ter que dizer isso com todas as letras na sua cara mas eu não te quero.

_ Como assim Fernando? Porque?

_ Preciso mesmo dar explicações e ser mais claro do que estou sendo agora?

Ele pega em meu braço com olhos suplicantes.

_ Vamos conversar? Tenho certeza que irá mudar de idéia.

APRENDER A RECOMEÇAROnde histórias criam vida. Descubra agora